Nos últimos anos de vida da Rainha Elizabeth II, a relação com o neto Príncipe Harry passou por um desgaste marcado por desconfiança e cautela. A decisão dele e de Meghan Markle de abandonar as funções reais, se estabelecer nos Estados Unidos e expor conflitos familiares em entrevista a Oprah Winfrey foi determinante para esse distanciamento.
De acordo com o biógrafo Hugo Vickers, autor de Queen Elizabeth II - A Personal History — publicado no Reino Unido no dia 8 de abril, sem previsão de lançamento no Brasil —, a monarca passou a adotar medidas incomuns ao lidar com o neto. “Sempre que o Príncipe Harry ligava para sua avó, ela [Elizabeth] pedia à sua dama de companhia que ficasse com ela”, escreveu. “O sofrimento que os Sussex causaram à Rainha nos últimos anos de sua vida não pode ser subestimado”.
A presença de terceiros durante as ligações, segundo relatos, funcionava como proteção emocional e também como forma de registrar o conteúdo das conversas.
Esse comportamento se intensificou após declarações públicas do casal envolvendo supostos comentários racistas dentro do núcleo da realeza sobre Archie, filho de Harry e Meghan, além da produção da autobiografia do príncipe, O Que Sobra.
Quando o casal oficializou a saída — episódio que ficou conhecido como “Megxit” — e se mudou para a Califórnia em 2020, a comunicação entre avó e neto se tornou ainda mais distante. “Havia muitas respostas monossilábicas, ‘sim’ e ‘não’”, afirmou uma fonte próxima ao palácio. “A Rainha claramente queria se proteger”, disse a fonte, acrescentando que a dama de companhia permanecia ao lado da monarca durante as chamadas para oferecer “apoio moral e proteção… para garantir que houvesse um registro do que foi dito”. “Acho que a Rainha também estava em alerta com Harry porque estava muito magoada com o que ele havia feito”, acrescentou.
O distanciamento também se refletiu nos encontros presenciais. Segundo o biógrafo da rainha, Elizabeth II recusou a possibilidade de ficar a sós com Harry e Meghan quando eles levaram a filha Lilibet Diana para conhecê-la durante o Jubileu de Platina, em junho de 2022. A rainha morreria poucos meses depois, em setembro.
O livro ainda revela tensões anteriores ao casamento. Em circunstâncias diferentes, Elizabeth não teria aprovado a união com Meghan, descrita como uma ex-atriz divorciada, mas acabou cedendo diante da aceitação do relacionamento entre os mais jovens. O príncipe Philip, porém, não concordava e a chamava de “a Americana”. Já Charles III teria aconselhado o filho: “Divirta-se com ela, mas não se case com ela”.
Mesmo após o casamento, episódios de atrito persistiram. A rainha, que chegou a afirmar que a união “não era problema seu”, foi pessoalmente até a residência do casal após saber que Meghan teria tratado de forma rude um jardineiro da propriedade.
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