Jovens americanos poderão ser registrados automaticamente para o alistamento militar obrigatório já em dezembro, encerrando décadas de auto-registro.
A nova regra, proposta por uma agência governamental, prevê o registro automático dos homens, em vez de exigir que o façam por conta própria em até 30 dias após completarem 18 anos.
Os defensores do plano afirmam que o registro automático economizará milhões de dólares ao governo, gastos anualmente com lembretes para os elegíveis sobre a obrigatoriedade do alistamento para homens entre 18 e 25 anos.
A regra ainda está em análise e precisa ser aprovada antes de ser implementada, embora já tenha gerado temores de recrutamento obrigatório nos EUA em caso de crise.
O último alistamento militar obrigatório nos EUA ocorreu em 1973, após anos de forte oposição pública durante a Guerra do Vietnã (que contou com intervenção direta dos EUA entre 1965 e 1973).
O Sistema de Serviço Seletivo (SSS, na sigla em inglês), agência governamental responsável pelo alistamento militar nos EUA, submeteu a proposta ao Escritório de Informação e Assuntos Regulatórios em 30 de março, de acordo com o site do órgão.
O site do SSS observa que a mudança "transfere a responsabilidade pelo alistamento dos indivíduos para o SSS" por meio da integração com outras fontes de dados federais, o que, segundo a agência, resultará em um processo "simplificado".
Nos EUA, a maioria dos homens entre 18 e 25 anos já é obrigada a se registrar. A omissão é crime e pode, teoricamente, levar a cinco anos de prisão federal.
Embora as penas de prisão sejam praticamente inexistentes, a omissão também pode tornar o indivíduo inelegível para auxílio financeiro estudantil federal e empregos federais. Estrangeiros que não se registram também podem ter a cidadania americana negada.
A grande maioria dos estados e territórios dos EUA também registra automaticamente os homens no serviço seletivo quando as carteiras de habilitação são emitidas.
Apesar dessas regras, a adesão caiu para 81% em 2024, segundo dados do governo.
A nova mudança em favor do alistamento automático foi aprovada pelo Congresso em dezembro de 2025 como parte da Lei de Autorização de Defesa Nacional, que autoriza o financiamento das Forças Armadas dos EUA e suas operações ao redor do mundo.
A deputada democrata da Pensilvânia, Chrissy Houlahan, que encabeçou a proposta, foi citada na época dizendo que a medida permitiria ao governo "redirecionar recursos".
"Basicamente, isso significa dinheiro para prontidão e mobilização, em vez de para campanhas de educação e publicidade voltadas para o alistamento", disse Houlahan à época, segundo o site de notícias sobre assuntos militares Military Times.
A mudança, no entanto, gerou temores entre alguns americanos de que os EUA estejam caminhando para um serviço militar obrigatório caso a guerra com o Irã se intensifique ou uma nova crise surja no futuro.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu diretamente a uma pergunta sobre o alistamento e a possibilidade de tropas americanas em solo iraniano durante uma entrevista à Fox News no início de março.
"Não faz parte do plano atual, mas o presidente, mais uma vez, sabiamente mantém suas opções em aberto", respondeu Leavitt. "Não há prioridade ou responsabilidade maior para este presidente do que, é claro, proteger o povo americano e proteger nossas tropas."
O serviço militar obrigatório em tempos de guerra foi implementado pelo governo dos EUA seis vezes na história do país, mais recentemente durante a Guerra do Vietnã.
Aproximadamente 1,8 milhão de americanos foram convocados durante a guerra, o que acabou levando à criação de um exército totalmente voluntário a partir de 1973. O alistamento obrigatório foi restabelecido pelo então presidente Jimmy Carter em 1980.
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