O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi solto nos EUA após ter sido detido por agentes do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement) na segunda-feira (13/4).
A BBC News Brasil confirmou que o nome de Ramagem não consta mais de uma lista de pessoas detidas pelo ICE em Orange County, na Califórnia.
As autoridades americanas não emitiram comunicado oficial detalhando o motivo da detenção do ex-deputado.
Segundo a Polícia Federal do Brasil (PF), Ramagem teria sido detido por ter problemas em sua situação migratória.
Após a notícia da soltura de Ramagem, confirmada pelo portal G1, a BBC News Brasil enviou pedidos de informação à PF e ao Itamaraty, mas ainda não obteve resposta.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Ramagem havia deixado o Brasil antes do trânsito em julgado e passou a viver nos Estados Unidos.
Ele era o único entre os condenados pelo chamado "núcleo central" da trama golpista que ainda não havia iniciado o cumprimento da pena, justamente por ter fugido do país antes da sentença definitiva.
Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva de Ramagem.
Seu mandato foi cassado em dezembro, junto com o de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está vivendo nos Estados Unidos.
Em 15 de dezembro, Moraes pediu aos EUA a extradição do deputado cassado, que também teve seu passaporte diplomático cancelado pela Câmara dos Deputados.
Segundo disse à BBC News Brasil em dezembro o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o deputado saiu do Brasil de forma clandestina, pela fronteira com a Guiana, e usou passaporte diplomático para entrar nos EUA.
Ele teria viajado de avião para Boa Vista, em Roraima, de onde partiu de carro, em uma viagem clandestina em direção à fronteira.
Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República que levou ao julgamento e condenação de Ramagem, o ex-deputado teria usado a estrutura da Abin em favor dos planos golpistas — comandando uma "Abin paralela" que monitoraria adversários e críticos do governo Bolsonaro, além de produzir informações falsas e ataques virtuais.
Além disso, Ramagem teria fornecido a Jair Bolsonaro material para apoiar o ataque às urnas eletrônicas e a intervenção das Forças Armadas.
