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O exercício físico simples que pode ajudar a melhorar a memória

Uma rápida sessão de exercícios aeróbicos pode gerar onda de atividade no cérebro que ajudam a armazenar e recuperar informações da memória.

Nossa memória pode ser muito volátil.

Seja tentando recordar nomes de pessoas, uma lista de compras ou quando nos preparamos para um exame ou entrevista de emprego, aquela informação que estava na nossa mente um minuto atrás pode desaparecer no instante seguinte.

Mas existe uma forma simples para dar um impulso imediato à memória quando tentamos aprender informações novas: subir em uma bicicleta ergométrica por alguns minutos ou dar uma caminhada vigorosa.

Pesquisas indicam que podemos melhorar nossa memória fazendo exercícios aeróbicos.

Sabe-se há muito tempo que o exercício melhora a cognição. A atividade física aumenta nosso desempenho e fortalece áreas do cérebro vulneráveis ao envelhecimento, o que pode retardar o declínio cognitivo.

Mas o exercício físico também pode fortalecer uma região do cérebro que é importante para a memória: o hipocampo. Por isso, pode haver efeitos positivos para nossas lembranças.

Descobriu-se, por exemplo, que o exercício moderado feito várias vezes por semana aumenta o tamanho do hipocampo.

Outros estudos demonstraram que o momento do exercício também pode fazer diferença. Sair para caminhar quatro horas depois de aprender algo novo pode melhorar a retenção e a recuperação posterior da memória, em comparação com o exercício realizado imediatamente após o aprendizado.

Já os exercícios de alongamento não proporcionaram impulsos à memória.

O papel do hipocampo

Até recentemente, era difícil para os cientistas compreender os processos envolvidos no fenômeno. Mas um novo estudo tentou atingir mapeá-los.

Um grupo de neurocientistas observou a atividade cerebral de 14 pessoas imediatamente depois de fazerem exercícios.

Eles encontraram pequenos surtos de atividade elétrica fluindo entre as células cerebrais, ou neurônios. Como se sabe, eles são importantes para consolidar as lembranças.

Durante estas "ondas cerebrais", muitos neurônios são ativados ao mesmo tempo, segundo a neurocientista Michelle Voss, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, que dirigiu o estudo.

As ondas desempenham um papel fundamental na consolidação e armazenamento das lembranças pelo cérebro durante o sono e em períodos de repouso tranquilo.

Os participantes do estudo sofriam de epilepsia resistente a medicamentos, mas o experimento se concentrou em regiões saudáveis do cérebro, que produziam sinais elétricos normais.

A equipe monitorou o cérebro dos participantes para observar o que acontecia depois de um rápido surto de atividade. Eles descobriram que, depois do exercício, houve um aumento das ondas do hipocampo, bem como em outras áreas conectadas.

Os pesquisadores acreditam que isso ajuda o cérebro a consolidar as lembranças.

"Estes pulsos também estavam mais sincronizados com a atividade neuronal no restante do cérebro", explica Voss.

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O hipocampo fica nas profundezas do cérebro, mas desempenha papel importante para a memória e o aprendizado

Sua equipe colaborou com neurocirurgiões que monitoraram a atividade elétrica em pacientes submetidos a avaliação para cirurgia de epilepsia.

Esses pacientes tinham eletrodos implantados temporariamente no cérebro, o que permitiu à equipe observar a atividade elétrica antes e depois do exercício na bicicleta ergométrica.

Os participantes não realizaram nenhuma atividade de aprendizado como parte do estudo. Mas pesquisas anteriores haviam indicado que as "ondas" poderiam ser uma possível forma de fixar lembranças.

"Isso nos oferece uma oportunidade única para compreender como funciona o cérebro humano, com medições diretas dos sinais elétricos, que são a unidade fundamental do funcionamento cerebral", explica Voss.

Proteção contra a deterioração cognitiva

Essas ondas surgem rápido demais para serem detectadas por scanners cerebrais comuns. Por isso, esse estudo é o primeiro a demonstrar como o exercício influencia diretamente a atividade elétrica do cérebro.

Voss acredita que essa sincronia possa fornecer uma explicação biológica do motivo que leva as pessoas a recordar melhor as informações quando fazem exercício pouco depois do aprendizado.

E foi necessário apenas um breve surto de atividade para aumentar as ondas cerebrais. Isso demonstra que fazer exercício, mesmo por breves períodos, pode beneficiar nossa memória.

Voss espera que esse trabalho ajude a repensar as mensagens de saúde pública sobre a atividade física e nos permita avaliar melhor o envelhecimento. Afinal, fortalecer as áreas importantes para a memória poderá ajudar a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo.

Paralelamente, sabemos que a prática regular de atividade também traz uma série de benefícios imediatos para o cérebro e para o corpo.

A pesquisa demonstra que um único treino pode melhorar a concentração por até duas horas, além de aumentar imediatamente os níveis de dopamina, o hormônio "do bem-estar".

Outro estudo recente concluiu que, quanto mais exercícios fizermos e mais estivermos em boa forma, maior será o benefício obtido pelo cérebro depois de uma única sessão.

Qualquer atividade física é claramente benéfica, mas este novo estudo revelou que os benefícios ao cérebro aumentam proporcionalmente à nossa atividade.

Isso ocorre porque a maior aptidão cardiovascular e massa muscular permite que o corpo produza mais de uma proteína vital para a formação de novas conexões cerebrais, chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês).

"Existe uma razão para se manter ativo, pois você obterá mais benefícios a cada vez [que praticar exercícios]", explica a pesquisadora de fisiologia do exercício Flaminia Ronca, do University College de Londres, que liderou o estudo.

"Se você continuar fazendo exercício por seis semanas, obterá benefícios maiores a cada sessão seguinte", conclui ela.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Health.

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