ORIENTE MÉDIO

Irã ameaça atacar forças dos EUA após Trump anunciar escolta a navios pelo estreito de Ormuz

Militares dos EUA disseram que a partir desta segunda-feira vão começar a ajudar navios presos no estreito de Ormuz a deixarem o local.

O Irã ameaçou atacar as forças americanas caso elas entrem no estreito de Ormuz, após Donald Trump afirmar que os EUA ajudariam navios presos no local.

Trump havia dito que os militares americanos começarão a guiar os navios presos para fora do estreito a partir da "manhã de segunda-feira (4/5), horário do Oriente Médio".

Cerca de 2 mil navios com 20 mil marinheiros estão impossibilitados de deixar o estreito desde o início da guerra entre EUA e Irã, afirmou o chefe da Organização Marítima Internacional na semana passada.

Militares iranianos dizem que controlam o estreito e que atacarão "qualquer força armada estrangeira" que tente entrar, "especialmente o agressivo exército americano".

Trump afirma que o "Projeto Liberdade" (Project Freedom, em inglês) é um "gesto humanitário", acrescentando que "muitos navios estão com pouca comida".

Militares americanos afirmaram que destróieres de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e 15 mil militares estarão envolvidos na operação.

O estreito de Ormuz é uma rota marítima vital no Golfo Pérsico para petroleiros, navios-tanque e porta-contêineres. Ele está efetivamente bloqueado há semanas devido a ataques iranianos e ao subsequente bloqueio naval dos EUA.

'Projeto Liberdade'

O anúncio das Forças Armadas do Irã de que atacarão forças americanas que entrem no estreito de Ormuz foi feito pelo chefe do comando central iraniano.

O major-general Ali Abdollahi declarou que o Irã já afirmou "repetidamente" que o estreito "está sob o controle" das Forças Armadas iranianas e que a passagem segura por ele deve ser coordenada com elas "em todas as circunstâncias".

Ele disse que o país atacará "qualquer força armada estrangeira" que tente se aproximar ou entrar no estreito, "especialmente o exército americano, que se mostra agressivo".

A declaração foi divulgada pela emissora estatal iraniana IRIB.

Antes disso, Trump havia dito que os EUA começarão a guiar navios retidos para fora do estreito de Ormuz na segunda-feira.

"Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis ??restritas", disse ele em uma publicação nas redes sociais no domingo, sem especificar quais países receberiam essa ajuda.

O presidente americano batizou a operação de "Projeto Liberdade" e alertou que qualquer interferência "terá que ser tratada com firmeza".

O anúncio de Trump foi feito poucos dias depois de países membros da ONU terem "condenado veementemente" a interrupção do tráfego marítimo global pelo Irã, em uma reunião em Londres.

No encontro, foi aprovada uma resolução apresentada pela Organização Marítima Internacional (OMI) — uma agência especializada da ONU que regulamenta o transporte marítimo — afirmando que o Irã "ameaça" o bem-estar dos marinheiros, representa um grave perigo para a vida e constitui um sério risco para o meio ambiente marinho.

Mas, após a votação, o chefe da OMI, Arsenio Dominguez, pediu que o foco permanecesse na ajuda prática aos marinheiros.

"Gostaria de expressar certa decepção com a forma como estamos lidando com essas questões", disse ele.

"Não vejo como essas discussões, procedimentos e votações ajudam os 20 mil marinheiros que estão retidos há nove semanas e os 2 mil navios que estão presos."

EPA
Segundo almirante Brad Cooper, do Comando Central dos EUA, missão é "essencial para a segurança regional e para a economia global"

Em comunicado no domingo, as Forças Armadas americanas deram mais detalhes de como deve funcionar o "Projeto Liberdade".

"As forças do Comando Central dos EUA iniciarão o apoio ao Projeto Liberdade em 4 de maio, para restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo comercial através do estreito de Ormuz", afirma o comunicado.

Esse apoio inclui 15 mil militares, destróieres de mísseis guiados e mais de 100 aeronaves.

O Comando Central afirma que "um quarto do comércio mundial de petróleo por via marítima e volumes significativos de combustíveis e fertilizantes são transportados pelo estreito".

"Nosso apoio a essa missão defensiva é essencial para a segurança regional e para a economia global, enquanto também mantemos o bloqueio naval", disse o Almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central.

Negociações

Além de anunciar o "Projeto Liberdade", Donald Trump também usou sua mais recente publicação na rede Truth Social para afirmar que "discussões muito positivas" estão ocorrendo com o Irã, que "poderiam levar a algo muito positivo para todos".

Os comentários de Trump seguem uma série de discussões sobre um plano de paz de 14 pontos, elaborado pelo Irã e enviado aos EUA.

A mídia estatal iraniana noticiou no domingo que Teerã estava analisando uma resposta de Washington ao plano. Essa resposta teria sido transmitida pelo Paquistão, que vem atuando como intermediário.

Segundo a mídia estatal iraniana, o Irã pediu aos EUA que retirem suas forças das proximidades de suas fronteiras e encerrem o bloqueio naval aos portos do país, além de exigir a cessação de todas as hostilidades, incluindo a ofensiva israelense no Líbano. O Irã também teria manifestado o desejo de que um acordo entre os dois países seja alcançado em 30 dias.

Os EUA ainda não confirmaram formalmente se responderam ao Irã. No entanto, a emissora israelense Kan News afirma que Trump considerou a proposta inaceitável durante uma entrevista por telefone.

Nesta segunda-feira (4/5), o governo do Paquistão anunciou que 22 tripulantes a bordo de um navio iraniano apreendido pelos EUA no mês passado foram levados para o Paquistão e serão entregues às autoridades iranianas hoje.

As forças americanas apreenderam o navio Touska no mês passado, após dispararem contra a casa de máquinas da embarcação. O Irã classificou a ação como "pirataria". O presidente Trump afirmou que o navio "tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não teve sucesso".

O Paquistão afirma que a repatriação da tripulação é uma medida de construção de confiança por parte dos EUA.

"O navio iraniano também será levado de volta para águas territoriais paquistanesas para ser devolvido aos seus proprietários originais após os reparos necessários", diz a nota do governo do Paquistão.

"Essas devoluções estão sendo coordenadas em conjunto com o apoio tanto do Irã quanto dos EUA."

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