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Ebola: pelo menos 100 mortes registradas na República Democrática do Congo e 6 americanos expostos ao vírus

OMS declarou o surto como emergência de interesse internacional; cepa atual do Ebola é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não há medicações nem vacinas aprovadas para uso.

Pelo menos 100 mortes foram causadas pelo surto de Ebola na República Democrática do Congo, com mais de 390 casos suspeitos, segundo informou à BBC o diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como emergência de interesse internacional. A cepa atual do Ebola é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não há medicações nem vacinas aprovadas para uso.

Existem também dois casos confirmados e uma morte em Uganda, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

Fontes informaram à rede CBS News (parceira da BBC nos Estados Unidos) que pelo menos seis cidadãos americanos foram expostos ao vírus Ebola durante o surto na República Democrática do Congo.

Um dos americanos estaria com sintomas e três outros teriam tido contato ou exposição de alto risco. Não se sabe se algum deles foi infectado.

Os CDCs informaram que estão auxiliando na "retirada com segurança de um pequeno número de americanos diretamente afetados", mas não confirmaram o número de pessoas envolvidas.

O governo dos Estados Unidos estaria buscando transporte para o pequeno grupo de cidadãos americanos na República Democrática do Congo até um local seguro onde possam permanecer em quarentena, segundo informou uma fonte ao portal de notícias de saúde STAT.

O portal destaca que, segundo sua fonte, o grupo poderá ser levado para uma base militar americana na Alemanha, mas essa informação não foi confirmada.

Os CDCs não responderam questões diretas sobre os cidadãos americanos que teriam sido afetados, durante uma entrevista coletiva realizada no domingo (17/5).

Em uma atualização na segunda-feira (18/5), a agência de saúde declarou que o risco para os Estados Unidos é relativamente baixo, mas que colocaria em vigor uma série de medidas para evitar a entrada da doença no país.

Essas medidas incluem o monitoramento dos viajantes que chegam de áreas afetadas e a adoção de restrições de entrada de pessoas sem passaportes americanos que tenham visitado Uganda, a República Democrática do Congo ou o Sudão do Sul nos últimos 21 dias.

Os CDCs afirmaram que iriam trabalhar com as companhias aéreas e outros parceiros para rastrear os contatos dos passageiros, aumentar a capacidade de testes e manter os hospitais em prontidão, em virtude do surto.

Os Estados Unidos também emitiram um alerta de viagem nível quatro (o mais rigoroso), alertando as pessoas a não viajar para a República Democrática do Congo.

Badru Katumba/AFP via Getty Images
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou a República Democrática do Congo e Uganda a manter controles nas suas fronteiras para evitar a propagação do vírus

A OMS declarou que o surto na província de Ituri, no leste do país, é uma emergência de saúde pública de interesse internacional, mas não atende aos critérios necessários para ser considerada uma pandemia.

A agência também alertou que este poderá potencialmente ser um "surto muito maior" que o detectado atualmente, com risco significativo de disseminação local e regional.

Mais de 28,6 mil pessoas foram infectadas pelo Ebola no oeste africano entre 2014 e 2016, no maior surto do vírus desde a sua descoberta, em 1976.

A doença se espalhou para diversos países dentro e fora da África, incluindo a Guiné, Serra Leoa, EUA, Itália e Reino Unido, matando 11.325 pessoas.

O diretor-geral dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África, Jean Kaseya, alertou que, como não existem vacinas e medicamentos eficazes, as pessoas devem respeitar as medidas de saúde pública, incluindo as orientações para a realização de funerais das pessoas que morreram com a doença.

"Não queremos que as pessoas sejam infectadas durante os funerais", declarou Kaseya ao programa de rádio Newsday, do Serviço Mundial da BBC.

Durante os funerais comunitários, as pessoas ajudam a lavar os corpos dos seus entes queridos. Eles causaram muitas infecções nos estágios iniciais do surto de mais de uma década atrás.

A OMS alertou a República Democrática do Congo e Uganda, ambos com casos confirmados, a manter controles nas fronteiras para evitar a propagação do vírus.

A entidade também pediu aos demais países próximos que "intensifiquem sua preparação e prontidão", incluindo a vigilância nas instalações de saúde e nas comunidades.

A vizinha Ruanda declarou que irá reforçar os controles na sua fronteira com a República Democrática do Congo como "medida de precaução". Já a Nigéria afirmou estar "monitorando atentamente a situação".

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