O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (20/5), em visita oficial à China, que os laços entre os dois países atingiram um "nível sem precedentes".
Durante a visita a Pequim, Putin e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram mais de 20 acordos comerciais e tecnológicos, além de uma declaração sobre uma "ordem mundial multipolar".
Putin busca fortalecer o relacionamento com a China, a maior compradora mundial de petróleo russo. Uma das prioridades da agenda é um novo gasoduto, que poderá transportar até 50 bilhões de metros cúbicos de gás natural para a China.
A visita de Putin acontece uma semana após a viagem do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. Analistas dizem que o dinheiro e a tecnologia chineses têm sido fundamentais para a sobrevivência de Putin no poder.
Gasoduto Rússia-China
A Rússia e a China chegaram a um entendimento sobre o gasoduto Força da Sibéria 2, um grande projeto que, se concluído, transportaria até 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China pela Mongólia, partindo de campos de gás em Yamal, na Rússia.
O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que "algumas nuances ainda precisam ser definidas", mas que "já existe um entendimento", segundo a agência de notícias estatal RIA Novosti.
O acordo inclui o trajeto do gasoduto e o método de construção, afirmou ele. Nenhum outro detalhe ou cronograma foram divulgados.
O gasoduto transportaria o equivalente a cerca de 12% do consumo total de gás da China, com base em estimativas de 2025.
Um acordo estava paralisado há anos devido a divergências sobre o preço — mas, no início desta semana, surgiram notícias de que a gigante russa do gás Gazprom e a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC) assinaram um acordo preliminar.
Com a economia russa sob crescente pressão e sanções ocidentais, o projeto provavelmente ganhará nova importância para a Rússia, segundo analistas. A China é o principal parceiro comercial da Rússia e também seu maior comprador de petróleo e gás.
Em discurso em Pequim, Xi disse que as relações entre a China e a Rússia seguem melhorando, e que atingiram "o mais alto nível de parceria estratégica abrangente".
Xi também afirmou que ambos os países intensificarão a cooperação em inteligência artificial e inovação tecnológica.
Segundo o presidente chinês, a China e a Rússia devem desempenhar firmemente seus papéis de "grandes potências responsáveis" para proteger o direito internacional e se opor a "toda intimidação unilateral e ações que revertam a história".
Putin disse que a Rússia está preparada para continuar fornecendo energia à China, e afirmou que o comércio entre os dois países está protegido de influências externas e tendências negativas nos mercados globais.
Ele também disse que a Rússia está disposta a manter fornecimento ininterrupto de petróleo e gás à China.
Após seus discursos, Putin e Xi não responderam a perguntas de jornalistas.
Em declarações à televisão estatal russa, o assessor de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse que Putin e Xi ainda discutirão assuntos internacionais em um encontro privado para um chá marcado para esta quarta-feira. A discussão incluiria assuntos como Ucrânia, Irã e relações com os EUA.
Encontro entre Putin e Trump
O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, não descartou um encontro entre Putin e Trump na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na China, em novembro, informou a agência de notícias russa Interfax.
Putin já havia confirmado sua presença na cúpula da Apec. Os EUA enviarão uma delegação, mas não especificaram se Trump estará presente.
A China sediará a cúpula da Apec na cidade de Shenzhen, no sul do país. A cúpula anual da Apec costuma contar com a presença dos líderes da Rússia, da China e, às vezes, dos EUA.
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