"Bem vindos a Israel"

Ministro israelense zomba de ativistas presos em vídeo e países reagem

Publicação nas redes sociais repercutiu negativamente inclusive entre aliados da extrema-direita israelense. Itália, França e outros países convocaram embaixadores

Um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, causou ultraje internacional, nesta quarta-feira (20/5). Na publicação, ele aparece zombando de ativistas sequestrados nas flotilhas de Gaza enquanto eles são agredidos por militares e colocados de joelhos, com as mãos amarradas.

Países como Itália, França, Holanda e Canadá estão entre os países que convocaram os embaixadores israelenses após o vídeo intitulado "Bem vindos a Israel" ser publicado. O dia foi marcado por declarações que condenam o tratamento dado por Israel aos ativistas que levavam ajuda humanitária aos civis em Gaza.

“As imagens do ministro israelense Ben Gvir são inaceitáveis. É inaceitável que esses manifestantes, incluindo muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a esse tratamento que viola sua dignidade humana”, publicou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, em comunicado. 

Os ministros das Relações Exteriores Jean-Noël Barrot, da França, e Anita Anand, do Canadá, também classificaram as imagens como “profundamente preocupantes” e exigiram a libertação dos respectivos cidadãos sequestrados em águas internacionais. 

O presidente sul-coreano Lee Jae Myung questionou a legalidade da ação israelense. “Qual é a base legal? São águas territoriais israelenses?”, protestou. “É território israelense? Se houver conflito, eles podem apreender e deter embarcações de terceiros países?”.

Mike Huckabee, embaixador dos Estados Unidos, principal aliado israelense, também se manifestou e declarou que Ben-Gvir “traiu a dignidade de sua nação” ao publicar as imagens. 

Já o grupo islamista Hamas afirma que o vídeo é uma “expressão da depravação moral e sadismo que governa a mentalidade dos líderes da entidade criminal inimiga (Israel)”.

Os ativistas foram capturados na segunda-feira (18), na costa do Chipre, ao tentar romper o cerco marítimo em Gaza com alimentos e demais suprimentos destinados aos civis. A missão humanitária era composta por cerca de 58 embarcações e 430 cidadãos de diversos países. 

Em outras tentativas de rompimento do cerco, ativistas foram submetidos à isolamento, violência física e ameaças. O brasileiro Thiago Ávila foi sequestrado em duas ocasiões e foi libertado recentemente após 10 dias em poder das forças israelenses. 

Reações em Israel

O ministro das Relações Exteriores israelense Gideon Saar condenou a divulgação das imagens, porém não o tratamento dado aos ativistas. “Você prejudicou conscientemente o nosso Estado com essa demonstração vergonhosa – e não é a primeira vez”, declarou nas redes sociais. “Você desfez esforços tremendos, profissionais e bem-sucedidos de tantas pessoas – de soldados a funcionários do Ministério das Relações Exteriores e muitos outros. Não, você não representa Israel”.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou em comunicado que “a forma como o ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e normas de Israel”. Ele também declarou que instruiu as autoridades a deportar os ativistas o mais rápido possível. 

Quem é Itamar Ben-Gvir

Uma das figuras mais notórias da extrema-direita israelense, Ben Gvir ficou conhecido por defender grupos extremistas judeus acusados de violência contra civis palestinos. 

Antes de ascender à política israelense, ele militou em grupos ultra nacionalistas e se opôs aos Acordos de Oslo, que previam o estabelecimento de um estado palestino e o fim do conflito entre os dois povos.

Recentemente, ele comemorou o próprio aniversário com um bolo decorado com uma forca, fazendo referência à pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por terrorismo. Filiado ao partido Força Judaica, Ben-Gvir costuma aparecer em vídeos com ativistas sequestrados em Israel, provocando prisioneiros e pedindo por tratamento mais duro dos militares.

 

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