ALERTA

Mundo enfrenta risco nuclear cada vez maior, alertam pesquisadores

Instituto afirma que as potências nucleares têm 12.187 ogivas, das quais 9.745 se encontram em reservas para possível uso

Pesquisadores alertaram nesta segunda-feira (8/6) que os Estados com armas nucleares estão retirando os armamentos dos depósitos e colocando-os em sistemas de lançamento, em um momento em que as armas de destruição em massa adquirem um papel cada vez mais importante na política mundial.

O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) afirmou que as potências nucleares têm 12.187 ogivas, das quais 9.745 se encontram em reservas para possível uso.

O número representa uma leve queda em comparação com o ano anterior, já que, desde o fim da Guerra Fria, as ogivas antigas estão sendo desmanteladas, em geral, de maneira mais rápida do que novas ogivas são instaladas, o que resultou em uma diminuição do número total de ogivas.

"A notícia mais preocupante é que, embora tenhamos um número menor de armas nucleares, o nível de perigos e riscos nucleares está aumentando", declarou à AFP Karim Haggag, diretor do Sipri.

O instituto também prevê que a tendência de redução dos arsenais de armas nucleares provavelmente será revertida nos próximos anos, "já que o ritmo de desmantelamento está desacelerando, enquanto a implantação de novas armas nucleares está acelerando".

Haggag citou vários sinais preocupantes, entre eles o colapso dos controles de armas estratégicas — como os acordos internacionais — e a disputa entre grandes potências com armas nucleares.

Outra tendência preocupante é aquela na qual "os Estados que possuem armas nucleares estão retirando os armamentos dos depósitos e instalando as armas em sistemas vetores com capacidade nuclear. Portanto, vemos um aumento das armas nucleares instaladas", afirmou Haggag. 

Estados Unidos e Rússia possuem, em conjunto, quase 83% do arsenal nuclear mundial, com mais de 5.000 ogivas cada.

Os dois países têm programas para modernizar seus arsenais, mas enfrentaram dificuldades.

O programa de modernização nuclear dos Estados Unidos avança, mas enfrenta "dificuldades de planejamento e financiamento que provavelmente atrasarão e aumentarão significativamente o custo do programa", afirmou o Sipri em um comunicado.

O programa da Rússia também teve problemas com testes fracassados de mísseis balísticos intercontinentais, além das sanções econômicas e das demandas relacionadas à guerra na Ucrânia que parecem afetar o programa.

Disputa geopolítica

Ao mesmo tempo, a China amplia seu arsenal nuclear em um ritmo mais rápido do que qualquer outro país.

"A intensificação da disputa geopolítica representa um incentivo muito forte para que a China aumente sua aposta nas armas nucleares", afirmou Haggag.

O Sipri calcula que a China possui 620 ogivas atualmente e, dependendo de como decidir estruturar suas forças, poderá dispor de um número similar de mísseis balísticos intercontinentais até 2030.

O instituto aponta, no entanto, que mesmo que o país alcance 1.000 ogivas nucleares até 2030, o número seria equivalente a apenas 25% dos arsenais dos Estados Unidos e da Rússia.

Na Europa, França e Reino Unido mantiveram seus arsenais nucleares estáveis em 290 e 225 ogivas, respectivamente, mas o Sipri aponta para a expectativa de aumento do arsenal britânico após uma revisão de 2021 que recomendou elevar o limite máximo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também determinou, em março, um aumento do arsenal francês.

O Sipri acredita que a Índia ampliou levemente seu arsenal nuclear, para 190 ogivas. O número do Paquistão permaneceu estável, com 170 ogivas, mas o país continuou acumulando material físsil, "o que sugere que seu arsenal nuclear poderá ser ampliado durante a próxima década".

A Coreia do Norte também segue "cumprindo seu objetivo declarado de ampliar 'exponencialmente' o arsenal nuclear", segundo o Sipri, que calcula que o país tem quase 60 ogivas nucleares.

O instituto acredita que Israel — que não admite possuir armas nucleares — também está modernizando seu arsenal, que, segundo estimativas, se aproxima de 90 ogivas.

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