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Substituições em 10 segundos e cartão vermelho por cobrir a boca em discussão: as novas regras da Copa do Mundo de 2026

Diversas medidas foram aprovadas com o objetivo de "otimizar o ritmo das partidas e reduzir a perda de tempo", e serão implementadas na Copa do Mundo realizada no México, nos Estados Unidos e no Canadá.

Um jogador que cobre a boca durante uma discussão com um adversário, um tiro de meta que parece não ter fim ou uma substituição que também se torna interminável. A Fifa quer deixar tudo isso no passado.

De olho na Copa do Mundo, que será disputada no Canadá, México e Estados Unidos, a entidade quer melhorar o comportamento de alguns jogadores dentro de campo.

No fim de fevereiro, a International Football Association Board (IFAB) se reuniu e aprovou um conjunto de regras que busca "otimizar o ritmo das partidas e diminuir a perda de tempo", segundo a própria organização.

A seguir, listamos algumas dessas novas normas que tentam não só eliminar algumas das táticas para a famosa "cera" em campo, mas também acabar com práticas que tiram o brilho do futebol.

E há quem acredite que essas mudanças podem revolucionar a Copa do Mundo de 2026.

1. Laterais e escanteios com limite de 5 segundos

  • Contagem regressiva no arremesso lateral: se o jogador responsável pela cobrança atrasar de forma intencional o arremesso lateral, o árbitro fará um sinal indicando que, a partir daquele momento, começará uma contagem de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse tempo, a posse de bola será dada ao time adversário.
  • Contagem regressiva no tiro de meta: seguindo a mesma lógica, se o goleiro, um jogador ou a equipe atrasar de forma intencional a cobrança do tiro de meta, o árbitro sinalizará o início de uma contagem de cinco segundos. Se o lance não for realizado dentro do tempo, será marcado escanteio para o time adversário.

A regra também vale para tentativas claras de ganhar tempo durante o jogo. A ideia é, em parte, evitar que os goleiros fiquem segurando a bola por muito tempo.

2. Substituições em 10 segundos

Limite de tempo para realizar substituições: os jogadores substituídos terão 10 segundos para deixar o campo e deverão sair pelo ponto mais próximo do gramado.

A contagem do tempo começa no momento em que o quarto árbitro levanta a placa de substituição ou quando o árbitro principal autorizar a troca.

Bill Barrett/ISI Photos via Getty Images
Acelerar as substituições pode ajudar a otimizar o ritmo da partida

"Se o jogador não deixar o campo dentro desse limite de tempo, ele deverá sair de qualquer forma, mas o seu substituto não poderá entrar até que o jogo seja interrompido pela primeira vez após um minuto (de cronômetro)", explica a IFAB.

3. Atendimento médico e 1 minuto fora de campo

O jogador que receber atendimento dentro de campo pelo fisioterapeuta ou médico, ou que tenha alguma lesão que cause a paralisação da partida, deverá permanecer fora de campo por 60 segundos, contados a partir da retomada do jogo.

Após esse período de um minuto, ele poderá retornar ao campo. Algumas exceções se aplicam a essa regra.

4. Proibição de cobrir a boca durante discussões

Angel Martinez/Getty Images
A UEFA suspendeu Gianluca Prestianni por seis partidas após ele ter insultado Vini Jr. durante uma partida da Liga dos Campeões em fevereiro

Pierluigi Collina, presidente da Comissão de Árbitros da Fifa, elogiou as iniciativas para "tornar o futebol mais limpo".

Ele explicou que jogadores que cobrirem a boca com a mão, o braço ou a camisa durante uma discussão com o adversário poderão ser punidos com cartão vermelho.

A medida foi aprovada por unanimidade pela IFAB em abril, com o objetivo de combater "condutas discriminatórias e inadequadas".

A decisão ocorreu após o polêmico incidente entre o atacante do Benfica Gianluca Prestianni e o brasileiro Vini Jr., do Real Madrid, durante uma partida da Liga dos Campeões em fevereiro.

Prestianni recebeu uma suspensão de seis jogos da UEFA por conduta discriminatória.

"Se a conversa for amigável, os jogadores podem continuar sem nenhum problema", afirmou Collina.

"Quando a conversa é de confronto, cobrir a boca significa que, possivelmente, você está dizendo algo muito grave, e a punição é o cartão vermelho."

5. Punições por deixar o campo em forma de protesto

Em abril, a IFAB também informou que, "a critério do organizador da competição, o árbitro poderá punir com cartão vermelho qualquer jogador que abandonar o campo em sinal de protesto contra uma decisão da arbitragem".

A nova regra também valerá para membros da comissão técnica que incentivarem jogadores de sua seleção a deixar o gramado.

"Inicialmente, o time que causar a suspensão da partida será declarado perdedor."

6. Mais uso do VAR

Na Copa de 2026, as situações em que o sistema de vídeo-arbitragem (VAR) pode intervir na partida terão novidades.

Em fevereiro, a IFAB destacou que, "se houver evidências claras, a partir de agora o VAR terá permissão para auxiliar o árbitro" nas seguintes situações:

  • Corrigir a aplicação "claramente incorreta" de um segundo cartão amarelo: jogadores expulsos por duas advertências poderão ter a revisão do segundo cartão amarelo aplicado.
  • Esclarecer punições aplicadas ao jogador ou time errado: quando o árbitro aplicar punição ao jogador errado em uma infração que resulte em cartão amarelo ou vermelho.
  • Corrigir escanteios marcados de forma incorreta: desde que a correção possa ser feita imediatamente e sem atrasar a retomada da partida.
Harry Murphy/UEFA via Getty Images
De acordo com a IFAB, o VAR pode ajudar os árbitros a revisar 'um cartão vermelho incorreto resultante de um segundo cartão amarelo claramente equivocado'

Em maio, a IFAB afirmou que o VAR também poderá intervir em escanteios e cobranças de falta antes de sua execução.

Anteriormente, o protocolo do VAR não permitia a revisão de uma infração ocorrida antes de um escanteio, mas Pierluigi Collina solicitou à IFAB que isso fosse alterado.

A entidade aceitou a proposta e determinou que qualquer infração cometida antes de a bola estar em jogo e que tenha impacto relevante poderá ser revisada.

A IFAB esclareceu que o VAR poderá atuar em "infrações claras cometidas pela equipe atacante antes de a bola estar em jogo em um escanteio ou cobrança de falta, que tenham impacto direto em um gol, pênalti ou sanção disciplinar".

"Se a infração atender aos critérios estabelecidos, o VAR recomendará uma revisão em campo (on-field review). Se, após a revisão, o árbitro confirmar que houve infração antes de a bola estar em jogo, será aplicada a punição disciplinar correspondente e o escanteio ou a cobrança de falta deverá ser repetido."

A medida será aplicada neste Mundial e reavaliada após o término do campeonato.

7. Fim das 'reuniões' na área técnica quando o goleiro se lesiona

Collina afirmou que, durante a Copa do Mundo, os jogadores serão impedidos de ir à área técnica para conversar com os treinadores quando os goleiros se lesionarem.

O chamado "tempo técnico do goleiro" se tornou um tema recorrente nos últimos anos.

Ele é utilizado pelos treinadores para passar novas instruções à equipe ou para tentar quebrar o ritmo do adversário.

Em novembro, o técnico do Leeds United, Daniel Farke, acusou o goleiro do Manchester City, Gianluigi Donnarumma, de simular uma lesão para "burlar o regulamento" e quebrar o ritmo da partida.

A Fifa quer deixar para trás a imagem do goleiro sentado no gramado chamando o atendimento médico enquanto os demais jogadores correm até a área técnica para receber instruções e, assim que a conversa termina, o goleiro simplesmente se levanta e volta ao jogo.

A IFAB chegou a estudar o tema, mas nenhuma mudança oficial nas regras foi aprovada até o momento.

Simon Stacpoole/Offside via Getty Images
O técnico do Leeds United, Daniel Farke, acusou o goleiro do Manchester City, Gianluigi Donnarumma, de simular uma lesão durante uma partida da Premier League

Collina convidou as ligas a realizarem uma série de testes durante a temporada 2026-27 para encontrar uma solução.

A National Women's Soccer League (NWSL), liga profissional feminina de futebol dos Estados Unidos, apresentou sua própria medida temporária no início deste ano.

Se uma goleira se lesionar, as jogadoras de ambas as equipes devem permanecer em suas posições ou se reunir no círculo central.

A Fifa adotará a mesma lógica da NWSL e evitará que os jogadores se dirijam à lateral do campo.

Collina afirmou que todas as federações precisam saber que isso não será mais permitido.

"Tivemos um workshop com todos os técnicos das 48 seleções e explicamos que os árbitros serão proativos."

"Eles não permitirão que os times vão até os bancos de reservas quando um goleiro estiver caído e lesionado", acrescentou.

"O goleiro tem o direito de se lesionar, mas os jogadores não têm o direito de sair de campo para fazer uma espécie de tempo técnico com seus respectivos treinadores".

A eficácia da medida na Copa do Mundo ainda é debatida, já que haverá uma pausa de três minutos para hidratação em cada tempo de jogo, o que já cria uma interrupção natural para os treinadores.

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Pierluigi Collina, presidente da Comissão de Árbitros da Fifa, elogiou os esforços para "tornar o futebol mais limpo"

Os árbitros serão responsáveis por fazer cumprir a regra, mas Collina afirmou que não haverá cartões amarelos nem punições para jogadores que tentarem se aproximar para falar com o treinador.

"É bastante estranho que fiquem apenas o árbitro, o fisioterapeuta e o goleiro em campo", acrescentou Collina. "Não é bom que todos os outros jogadores deixem o campo."

Collina acredita que as novas medidas ajudarão a "manter o ritmo da partida elevado e diminuir as interrupções".

Ele espera que as mudanças também evitem que as partidas tenham muitos minutos de acréscimo, como ocorreu na Copa do Mundo de 2022, no Catar.

O que continuará existindo com certeza serão as pausas para hidratação, devido às altas temperaturas.

Com informações do jornalista da BBC Sport Dale Johnson.

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