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Por que a esquerda está pedindo recontagem na Colômbia e o que pode acontecer após vitória de Abelardo de la Espriella

A contagem preliminar tem servido como base para declarar um candidato vencedor nas eleições na Colômbia há mais de 50 anos, mas não tem fundamento legal.

O segundo turno da eleição presidencial colombiana entre o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella e o candidato do governo Iván Cepeda está em compasso de espera.

Apesar da apuração preliminar, que há vários anos serve como um indicador confiável do vencedor da eleição, dê a De la Espriella uma pequena vantagem, a campanha de seu oponente afirmou que, embora reconheça os resultados preliminares, aguardará a contagem oficial realizada pelos juízes antes de aceitar o resultado.

A apuração preliminar, diferentemente da oficial, não tem força de lei e serve apenas para fins informativos.

De acordo com os resultados preliminares, De la Espriella obteve 49,66% dos votos, contra 48,70% de Cepeda. A diferença atual entre os dois candidatos é de 247 mil votos.

"Somos democratas, o autoritarismo está longe da nossa natureza; no entanto, nossos advogados estão contestando os resultados em 33 mil seções eleitorais em todo o país", disse Cepeda em um discurso a seus apoiadores logo após a divulgação dos resultados preliminares no domingo (21/6).

Esse resultado apresentou a margem mais apertada desde a introdução do segundo turno no sistema presidencial colombiano (nas eleições de 1994): uma diferença de apenas 0,94% entre o vencedor e seu adversário.

O presidente colombiano, Gustavo Petro — que apoiou fortemente a campanha de Cepeda — também comentou: "A votação está praticamente empatada; ninguém atingiu 50%, o que significa que precisamos aguardar a contagem oficial".

Por sua vez, De La Espriella, que se declarou presidente eleito com base nesses resultados, pediu a seus adversários que não "incendiassem a Colômbia" e que protegessem cada voto durante a contagem oficial.

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Segundo o resultado preliminar - que não é o oficial - a diferença entre os dois candidatos é de 247 mil votos

"Petro e Cepeda, parem de incitar a agitação social. Hoje, os colombianos me elegeram pelo mesmo sistema que elegeu o atual presidente há quatro anos", disse o candidato de direita.

"Ao ignorar o veredicto das urnas, vocês não estão desafiando o Tigre, estão desafiando milhões de cidadãos", acrescentou, mencionando seu próprio apelido — O Tigre.

Durante décadas, a contagem preliminar, consolidada pelo Registro Nacional poucas horas após o fechamento das urnas, foi a maneira mais eficaz de prever os vencedores de cada eleição na Colômbia.

No entanto, é a contagem oficial, que tem respaldo legal, capaz de determinar legalmente quem foi eleito presidente do país.

Antecedentes

O Registro Nacional, responsável pela logística eleitoral na Colômbia, também comentou o resultado apertado: "O Registro Nacional não elege o presidente", declarou à imprensa.

De fato, embora essa entidade seja responsável por organizar todo o processo logístico das eleições nacionais e também emita boletins com os resultados preliminares da apuração realizada após o término da votação, ela não certifica o pleito.

De acordo com a Constituição colombiana, essa competência cabe ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que se baseia na apuração legal realizada por juízes e cartórios em todo o país.

Essa apuração funciona da seguinte maneira: cartórios e juízes comparam e verificam os registros de votação e emitem certidões oficiais que convertem os votos em resultados legalmente válidos.

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As eleições deste domingo na Colômbia tiveram a maior participação dos últimos 28 anos

Durante esta etapa do processo, as campanhas podem apresentar quaisquer reivindicações relevantes que considerem necessárias.

Esses registros oficiais são então devolvidos ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que emite as credenciais que certificam o presidente e o vice-presidente recém-eleitos.

De acordo com vários especialistas, uma das principais razões pelas quais a campanha de Cepeda está aguardando a contagem final é a sua experiência anterior em duas eleições nas quais obteve mais votos durante esse processo.

Por exemplo, nas eleições parlamentares de 2022, o Pacto Histórico — partido político de Cepeda e Petro — obteve 390 mil votos a mais durante a contagem oficial em comparação com a contagem preliminar.

Além disso, nas últimas eleições legislativas, em março deste ano, o Pacto Histórico recuperou quase 50 mil votos durante a contagem oficial. Historicamente, nas eleições presidenciais, as discrepâncias entre as contagens preliminares e finais geralmente não são muito substanciais: segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Cadastro Nacional, a diferença média de votos entre a contagem preliminar e a final desde as eleições de 1998 mal chegou a 0,1% do total de votos.

"Na última eleição, a variação foi de apenas 0,06%. E considerando que a diferença agora está próxima de um ponto percentual, é muito improvável que isso mude", disse o analista político Ricardo Ruiz ao jornal El Colombiano.

"Vamos supor que nesta eleição haja uma variação de 0,2%, o que seria bastante. Mesmo assim, isso não reverteria o resultado", acrescentou.

Reações

A decisão do candidato Cepeda de aguardar os resultados da contagem e não aceitar integralmente a apuração preliminar não tem precedentes recentes na Colômbia.

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Abelardo de la Espriella obteve a maioria dos votos na contagem eleitoral preliminar realizada após o encerramento da votação neste domingo

Na maioria dos pleitos, a contagem preliminar foi utilizada para declarar a vitória de rivais políticos. Talvez o único caso de suposta fraude eleitoral date de 1970, quando o conservador Misael Pastrana venceu a presidência por uma margem estreita de 60 mil votos em uma eleição marcada por inúmeras irregularidades.

Em relação às eleições de domingo, Frey Muñoz, vice-diretor da Missão de Observação Eleitoral (MOE), disse à imprensa que "os resultados estão sendo consolidados nos níveis municipal, departamental e nacional. A melhor conduta é manter a calma."

Tudo isso ocorreu em um novo contexto eleitoral: não foi somente a eleição mais acirrada desde a introdução do segundo turno na Colômbia, como também teve a menor taxa de abstenção desde as eleições presidenciais de 1998. De acordo com dados do Registro Nacional, a abstenção foi de cerca de 38%, significativamente menor do que em outras eleições no país.

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