Com o empate em 1 a 1 diante da Suécia, o Japão garantiu a segunda colocação do Grupo F e vai enfrentar o Brasil na primeira fase do mata-mata da Copa do Mundo de 2026.
A partida acontece na próxima segunda-feira (29/6), às 14h (horário de Brasília), no estádio de Houston, no Texas.
A seleção japonesa chega ao Mundial deste ano com uma geração considerada a mais talentosa de sua história, e apresenta um futebol organizado, de alta intensidade e com muita velocidade.
Esta será a oitava participação consecutiva do Japão em Copas do Mundo, uma sequência iniciada justamente em sua estreia em Mundiais, na França em 1998.
No Catar, em 2022, a seleção surpreendeu ao vencer Espanha e Alemanha na fase de grupos e avançar às oitavas de final, mas acabou eliminada pela Croácia nos pênaltis.
Confira os principais pontos sobre a seleção japonesa.
O que esperar do Japão?
O Japão mostrou seu potencial com vitórias expressivas em amistosos recentes. Além de ter derrotado o Brasil por 3 a 2 em outubro do ano passado, a seleção japonesa venceu a Inglaterra por 1 a 0 em Wembley, em março deste ano, tornando-se a primeira seleção asiática a superar os ingleses, com gol de Kaoru Mitoma.
O atacante, porém, foi cortado da Copa do Mundo por lesão na coxa, o que, segundo o técnico Hajime Moriyasu, deixou a equipe com "um pouco menos de força". Ainda assim, o elenco mantém o otimismo.
Talvez o maior obstáculo da equipe seja mental. Apesar de boas campanhas na fase de grupos, o Japão ainda não venceu uma partida de mata-mata em Copas do Mundo, tendo sido eliminado nas oitavas de final nas quatro ocasiões em que chegou a essa fase.
A seleção também detém o recorde de maior número de jogos disputados em Copas do Mundo sem nunca ter alcançado as quartas de final: 25 partidas.
Quais são os pontos fortes do Japão?
O Japão demonstra conforto tanto com quanto sem a posse de bola, tendo vencido Inglaterra e Brasil mesmo com cerca de 30% de posse em algumas partidas.
A equipe costuma atuar no esquema 3-4-2-1, explorando bem os laterais como peças-chave tanto na construção ofensiva quanto na recomposição defensiva.
No ataque, o centro das atenções é o atacante Ayase Ueda, em boa fase pelo Feyenoord, da Holanda, onde atua como referência dentro da área.
Além das questões táticas e individuais, muitos analistas esportivos destacam que a principal força da seleção japonesa está no forte espírito coletivo, profundamente enraizado na cultura do país, o que se reflete na disciplina e na organização em campo.
E as fraquezas?
Apesar da evolução recente, o Japão desembarcou no Mundial com desfalques importantes. Jogadores como Wataru Endo (Liverpool), Takumi Minamino (Mônaco) e Kaoru Mitoma (Brighton) foram cortados da competição por lesão.
Outro ponto de atenção é a vulnerabilidade em jogadas aéreas, já que parte dos gols sofridos na fase de grupos veio em finalizações de cabeça, especialmente em bolas paradas.
Quais jogadores ficar de olho
Ayase Ueda: O atacante de 27 anos, que atua sob o comando de Robin van Persie no Feyenoord, chega em grande fase. Ele foi o artilheiro isolado da liga holandesa nesta temporada e marcou o gol da vitória histórica do Japão sobre o Brasil, em outubro do ano passado.
Daizen Maeda: Atacante do Celtic, também é uma das principais apostas da seleção japonesa. Depois de passar 17 jogos sem marcar entre janeiro e abril, ele reagiu no fim da temporada e anotou nove gols em sete partidas, sendo peça importante na conquista de uma improvável dobradinha nacional.
Takefusa Kubo: Considerado um dos jogadores mais talentosos de sua geração no Japão, atua no Real Sociedad, da Espanha, e é visto como uma das principais promessas do futebol japonês desde que foi apelidado de "Messi japonês" ao se transferir para o Barcelona ainda aos 10 anos. Com a lesão de Kaoru Mitoma, o meia deve ganhar ainda mais protagonismo nesta Copa do Mundo.
Quem é o técnico do Japão?
Hajime Moriyasu, de 57 anos, assumiu o comando da seleção japonesa em julho de 2018 e se tornou o primeiro treinador a dirigir o Japão em duas Copas do Mundo consecutivas. Ele afirma ter "o trabalho mais feliz do mundo".
Como jogador, o ex-meio-campista defendeu a seleção japonesa e construiu carreira no Sanfrecce Hiroshima, clube que mais tarde também comandou, levando à conquista de três títulos da J-League.
Reconhecido por sua versatilidade tática e pela capacidade de gestão de elenco, Moriyasu conseguiu manter a competitividade da equipe enquanto promove jovens talentos e conduz a transição entre gerações.
Como o Japão se classificou para a Copa?
O Japão foi a primeira seleção, fora os três países-sede, a garantir vaga na Copa do Mundo, confirmando a classificação em 20 de março de 2025, com três rodadas de antecedência nas Eliminatórias.
Na segunda fase das eliminatórias asiáticas, o Japão caiu em um grupo com Coreia do Norte, Síria e Mianmar e não encontrou resistência: foram seis vitórias em seis jogos, 24 gols marcados e nenhum sofrido, assegurando o primeiro lugar.
Na terceira fase, manteve o ritmo ao superar China, Bahrein e Arábia Saudita. Após empatar com a Austrália, retomou a sequência de triunfos diante da Indonésia e voltou a vencer China e Bahrein.
Jogador com cinco Copas
Yuto Nagatomo, de 39 anos, é o primeiro jogador da seleção japonesa a disputar cinco Copas do Mundo. Ele participou nas edições de 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.
Em 2010, foi titular nos quatro jogos da campanha encerrada nas oitavas de final. Ele voltou a atuar em todas as partidas nas edições de 2014 e 2018, consolidando-se como peça-chave na lateral esquerda. Em 2022, já como um dos jogadores mais experientes do grupo, foi fundamental nas vitórias contra Alemanha e Espanha.
O veterano atuou na partida desta quinta-feira contra a Suécia.
Campeã até 2050
Em 2005, a Federação Japonesa de Futebol lançou o projeto "JFA 2050 Dream" com a meta de tornar a seleção masculina campeã mundial até 2050. A ideia era ir além dos resultados imediatos e investir na formação de jogadores, na profissionalização das categorias de base e no fortalecimento da liga doméstica, a J-League.
O projeto também refletia a ambição de aproveitar o crescimento do futebol no país desde a criação da J-League, em 1993, e a primeira participação do Japão em Copas do Mundo, em 1998. A meta de longo prazo ajudou a consolidar uma cultura de desenvolvimento contínuo, com foco em técnica, disciplina tática e exportação de jogadores para o futebol europeu.
Embora o objetivo ainda esteja distante, o impacto do plano é visível: o Japão passou a ser presença constante em Copas do Mundo, evoluiu em competitividade e conseguiu vitórias marcantes contra seleções tradicionais, como Alemanha, Espanha, Brasil e Inglaterra.
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