Victor Willis, vocalista do grupo de disco Village People, sucesso dos anos 1970, morreu aos 74 anos. O anúncio foi feito na página oficial da banda nas redes sociais.
O músico, natural do Texas, foi o vocalista e coautor dos maiores sucessos do grupo, incluindo YMCA, Go West e In The Navy.
O grupo alcançou fama internacional nos anos 70 ao se apresentar caracterizado como arquétipos de masculinidade. Willis interpretava, alternadamente, um policial e um oficial da Marinha.
Ele deixou a banda em 1980 e passou anos em uma batalha judicial pelos direitos autorais das músicas que havia composto. No entanto, retornou ao grupo em 2017 e apresentou YMCA no comício pré-posse do presidente americano Donald Trump, em janeiro de 2025.
"É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Victor Willis, vocalista do Village People", afirmou o grupo em um breve comunicado. "Ele morreu na segunda-feira, 30 de junho de 2026, vítima de uma doença breve, porém agressiva. Pede-se privacidade."
Sua mulher, Karen-Huff Willis, publicou uma nota semelhante na página do próprio músico no Facebook.
Willis cresceu em São Francisco, cantando música gospel na igreja de seu pai — um pastor batista — antes de se voltar para o jazz e o soul.
Sua banda de ensino médio, The Ballads, fez shows de abertura para o grupo The Temptations, e Willis participou de sessões musicais com Dizzy Gillespie, entre outros.
Após a faculdade, ele conseguiu um papel na montagem do musical Hair em Las Vegas, o que posteriormente lhe rendeu participações nas produções da Broadway de Two Gentlemen of Verona e The Wiz.
Foi nesta última que ele conheceu sua primeira esposa, Phylicia Rashad, que viria a estrelar a série The Cosby Show. Mais tarde, Willis a ajudou a compor e gravar o álbum de disco music Josephine Disco.
Em 1977, ele conheceu o produtor francês Jacques Morali, que o contratou para fazer vocais de apoio em uma nova série de músicas disco que havia composto.
A demo de quatro faixas, intitulada The Village People, garantiu ao grupo um contrato com uma gravadora, e Morali convidou Willis para ser o vocalista principal.
"Sonhei que você cantava como solista no meu álbum e que ele fazia um sucesso enorme", disse ele ao músico.
O grupo lançou na sequência os álbuns Cruisin' (1978), que trazia YMCA, e Macho Man (também de 1978), que incluía a faixa-título e Key West.
Após um álbum ao vivo, Live and Sleazy, eles lançaram Go West (1979), cuja faixa-título tornou-se um hino gay — mais tarde regravado pelos Pet Shop Boys. O álbum também incluía In the Navy e I Wanna Shake Your Hand.
A revista americana Billboard, especializada em música, descreveu o trabalho da banda como detentor de "alguns dos ritmos mais irresistíveis do gênero pop e disco da atualidade". O jornal The New York Times destacou Willis por seus "vocais roucos e suados".
No entanto, ele deixou o grupo em 1979, durante a pré-produção de um filme do Village People, Can't Stop the Music. A decisão acabou sendo acertada: o filme foi um fracasso financeiro desastroso que levou ao fim da banda.
Apesar disso, Willis teve dificuldade em se desvincular da imagem exagerada e teatral da banda e em ser levado a sério como artista solo. Um álbum solo de 1979, Solo Man, permaneceu inédito por três décadas antes de ser finalmente lançado em 2015. A situação deixou o músico em seu momento de maior desânimo.
Problemas com drogas
"Fiquei muito deprimido ao longo dos anos e decidi simplesmente desaparecer do mapa. Então, entrei para o mundo das drogas", disse ele ao jornal San Diego Union-Tribune em 2015.
"Passei as décadas de 1980 e 1990... bem, fiquei meio entregue às drogas, porque estava decepcionado com a situação e frustrado; desisti por um tempo e decidi que não queria fazer parte daquilo.
"Tanta coisa havia sido tirada de mim que acabei recorrendo às drogas."
Ele começou a dar a volta por cima em 2006, após passar por um tratamento para dependência química determinado pela Justiça e cumprir três anos de liberdade condicional.
Na mesma época, conheceu sua segunda esposa, uma advogada que o ajudou na disputa judicial sobre direitos autorais contra as empresas que controlavam os sucessos do Village People — a Can't Stop Productions e a Scorpio Music.
Em 2015, um júri federal decidiu que ele tinha direito a 50% da propriedade de 13 músicas do grupo nos Estados Unidos, incluindo YMCA. Essa decisão abriu caminho para o seu retorno ao grupo em 2017.
Naquela altura, o presidente Trump havia adotado YMCA como música-tema em seus comícios políticos. Willis não aprovava a escolha e tentou, sem sucesso, impedir o uso da canção.
"Eu não apoio Trump, nunca apoiei Trump, e o Village People também não", disse ele à BBC em 2020. "Mas, devido às leis de direitos autorais dos Estados Unidos, ele pode tocar nossa música sempre que quiser."
No entanto, ele surpreendeu os fãs no ano passado ao concordar em participar da segunda cerimônia de posse do político.
"Sabemos que alguns de vocês não ficarão felizes em ouvir isso; no entanto, acreditamos que a música deve ser apresentada independentemente de política", escreveu ele no Facebook.
"Nossa música é um hino global que, esperamos, ajude a unir o país após uma campanha tumultuada e marcada por divisões, na qual nosso candidato preferido perdeu."
Ao mesmo tempo, Willis ameaçou processar veículos de imprensa que descreviam a faixa como um hino gay.
"Como já disse inúmeras vezes no passado, essa é uma suposição falsa baseada no fato de que meu parceiro de composição era gay, alguns (não todos) integrantes do Village People eram gays e o primeiro álbum do grupo tratava inteiramente da vida gay", disse ele.
Em vez disso, Willis afirmou que a letra da música foi inspirada por suas observações nos centros YMCA em "áreas urbanas de São Francisco", onde jovens participavam de atividades como "natação, basquete e atletismo", além de terem acesso a "comida e quartos baratos".
"Essa foi a minha interpretação", disse ele à BBC em 2019. "Eu não sabia nada sobre o estilo de vida das outras pessoas que frequentavam o local."
"Para mim, a YMCA representava — como diz o último verso — a ideia de que 'eles podem ajudar você a retomar o seu caminho'. Uma pessoa poderia se hospedar no Ritz-Carlton, no Hilton ou em hotéis caros como esses. Mas, se você não tem esse dinheiro todo, talvez tenha que ir para a Y."
Independentemente de suas origens, YMCA continua sendo o maior sucesso de Willis — alcançando o primeiro lugar em 17 países após seu lançamento, em outubro de 1978, e dando origem a uma coreografia que é presença obrigatória em festas de casamento ao redor do mundo.
Em 2020, a música foi preservada para a posteridade pelo Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos por ser considerada "cultural, histórica ou esteticamente significativa", além de ter sido incluída no Hall da Fama do Grammy, o maior prêmio da indústria musical.
