O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se ontem, à margem da Assembleia-Geral da ONU, com o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff. O encontro foi confirmado pelo presidente Donald Trump, falando à imprensa ao lado do colega da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao fim de um encontro bilateral. "Foi uma reunião de três horas", disse Trump, que classificou o diálogo como muito bom e acenou com uma nova rodada de conversações "em um futuro muito próximo". Além de Witkoff, estava presente na coletiva o outro enviado especial, Jared Kushner, que é genro do presidente.
A reunião na sede da ONU se seguiu a sinais contraditórios emitidos por ambos os lados, nos últimos dias. A Guarda Revolucionária Isâmica, unidade militar de elite, afirmou ter recebido informações de que os EUA estariam próximos de lançar uma nova e mais ampla rodada de ataques militares. O Comando Militar Central iraniano prometeu "retaliar sem qualquer limitação" contra as bases norte-americanas no Oriente Médio. No início da semana, em Washington, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que entram hoje em vigor sanções contra empresas de qualquer país que prestarem serviços de apoio de qualquer tipo às companhias aéreas iranianas que voam para o exterior.
Falando à agência de notícias Reuters, um funcionário de Teerã enviado a Nova York para a Assembleia-Geral admitiu que o país aceitaria reabrir para o tráfego naval o Estreito de Ormuz, via marítima estratégica e centro do atual impasse militar no Oriente Médio, em troca da suspensão do bloqueio norte-americano contra seus portos. De acordo com essa fonte, a delegação enviada aos EUA teria plena autoridade para retomar o diálogo, desde que o outro lado "oficializem o desejo por uma solução diplomática e acertem um cronograma" para o processo.
A possibilidade de retornar à mesa de negociações tinha sido admitida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em entrevista para a rede NBC. "Estamos abertos a isso, se houver perspectiva de alcançar o objetivo: o Irã não poderá, jamais, ter uma arma nuclear", resumiu Rubio. Assim como a parte iraniana, o secretário de Estado desautorizou versões sobre uma possível conversa entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que partiu ontem de Teerã com destino a Nova York.
Bloqueio aéreo
Passa a vigorar hoje o bloqueio total dos EUA às companhias aéreas do Irã, anunciado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. "A partir de 23 de setembro, os aviões iranianos ficaram parados no solo no mundo inteiro", afirmou o funcionário norte-americano. Empresas de quaisquer países estão proibidas de prestar serviços de apoio, explicou: "Se eles pousarem em um aeroporto, não se pode fornecer combustível, nem operações de terra, nem a venda de passagens". Em caso de violação das medidas, o fornecedor dos serviços "ficará fora do sistema internacional do dólar".
O bloqueio aéreo é parte de um conjunto de iniciativas para sufocar a economia iraniana, apresentadas por Trump como um "Dia D econômico. Restrições anteriores já tinha obrigado a principal companhia do país, a Mahan Air, a suspender voos com origem ou destino na Turquia e em Omã. A Mahan Air opera também para cidades de Iraque, Paquistão China, Índia, Tailândia e Emirados Árabes Unidos.