O presidente Emmanuel Macron pede "calma", mas amanhã será testado mais uma vez pela contestação das ruas. Ao fim de um mês de protestos contra a crise social, que partiram das escolas secundárias e agora incluem praticamente todos os setores da sociedade, a França caminha para mais uma jornada de protestos, no sábado. E, mais importante, para a greve geral convocada para 5 de novembro para colocar nas cordas Macron e seu governo de centro-direita, contestado pela esquerda radical e pela extrema-direita, a seis meses da eleição presidencial, em que o atual governante não poderá concorrer.
"Queremos um retorno à calma", afirmou Macronn, dois dias antes de novos protestos, acusando em especial a França Insubmissa (LFI, esquerda radical) de tentar "derrubar a República". O presidente, impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato, anunciou que, no sábado, serão permitidas apenas manifestações organizadas por sindicatos, e que serão oferecidos trajetos alternativos para proteger os "centros urbanos", assim como "o comércio e os edifícios".
"Tivemos atos políticos e até mesmo sediciosos, realizados por grupos organizados da extrema-esquerda, cujo objetivo é derrubar a República", afirmou Macron ao fim de uma reunião no Palácio do Eliseu com os serviços de inteligência, acusados de não terem previsto a magnitude das manifestações do último sábado.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu dirigentes políticos, na presença dos ministros do Interior, Laurent Nuñez, e da Justiça, Gérald Darmanin, assim como dos responsáveis pelos serviços de inteligência e pelas forças de segurança. A maioria dos partidos enviou os principais líderes, mas o Reagrupamento Nacional (RN), de extrema-direita, foi representado por um integrante de escalão inferior.
Protestos proibidos
Após os atos violentos, as autoridades determinaram um toque de recolher por três noites em áreas de várias cidades, como Paris e Lyon, a terceira maior do país. Na capital, centenas de pessoas participaram ontem de uma manifestação estudantil cuja proibição pela polícia foi anulada no último momento, por um juiz.
A revolta abala o governo a seis meses das eleições presidenciais de abril (primeiro turno) e maio, nas quais Macron não pode concorrer. A ultradireitista Marine Le Pen aparece como favorita, segundo as pesquisas, possivelmente para enfrentar no tira-teima Jen-Luc Mélenchon, da França Insubmissa (esquerda radical). As organizações estudantis e centrais sindicais apostam no sucesso da greve geral nacional convocada para 5 de novembro.
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Neste fim de semana, o governo mobilizará veículos blindados e unidades de elite da polícia e da gendarmeria. Também será acionada a missão Sentinelle, composta por militares que, habitualmente, ficam encarregados de vigiar locais movimentados e monumentos. Cidades como Lyon, Marselha, Rouen e Toulon proibiram os protestos, decisão considerada pela oposição uma restrição às liberdades constitucionais.
Os museus parisienses do Louvre, Orsay e Picasso permanecerão fechados no sábado, e os organizadores da feira de arte contemporânea Art Basel Paris decidiram, por precaução, encerrar o evento hoje, dois dias antes do previsto.
