ESTADOS UNIDOS

Republicana moderada é derrotada e perde cadeira no Senado após quase 30 anos

Susan Collins tentou se distanciar do presidente Donald Trump durante sua campanha em disputa marcada por controvérsias.

O democrata Troy Jackson derrotou a senadora republicana Susan Collins, que ocupava o cargo há quase 30 anos, no Maine, em uma disputa marcada por controvérsias.

Jackson entrou na disputa após substituir Graham Platner, o candidato democrata que desistiu após uma série de escândalos.

Eleita pela primeira vez em 1996, Collins foi a única senadora republicana representando um Estado que votou consistentemente no Partido Democrata nas eleições presidenciais desde 1992.

Ela cultivou uma reputação de moderada e procurou se distanciar do presidente Donald Trump durante sua campanha. Jackson, ex-lenhador, fez campanha com base nos direitos dos trabalhadores e acusou Collins de ceder à pressão do presidente.

Collins e Jackson se enfrentaram em debates na TV, com Jackson ganhando destaque nacional ao mandar a senadora de 73 anos "calar a boca".

Ele entrou na campanha no final da temporada, depois que Planter se retirou em decorrência de uma série de polêmicas, incluindo alegações de agressão sexual. Platner negou as alegações.

Jackson não conseguiu vencer as primárias democratas para governador, mas conquistou a indicação ao Senado em uma convenção extraordinária. Ele se posicionou como um candidato da classe trabalhadora e apoiou políticas progressistas, como a abolição do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

Sua vitória sobre Collins permite aos democratas uma maioria ainda mais ampla no Senado dos EUA, após vitórias em vários Estados-chave — incluindo Texas e Carolina do Sul — que lhes deram o controle da câmara.

Os democratas também conquistaram o controle da Câmara dos Representantes dos EUA, o que significa que controlarão todo o Congresso americano durante os dois últimos anos da Presidência de Donald Trump.

Reuters
Troy Jackson era lenhador antes de se candidatar ao cargo.

Collins, por vezes, caminhou na corda bamba com Trump. Republicana moderada, em um Estado que historicamente apoiava os democratas, ela frequentemente criticava as políticas do presidente.

Ela era vista por muitos como um possível "voto decisivo" durante legislações controversas, capaz de inclinar a balança para qualquer lado.

Ela votou a favor da condenação de Donald Trump em seu segundo processo de impeachment, em janeiro de 2021. O processo ocorreu após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro daquele ano, quando apoiadores do então presidente (que deixaria o cargo no dia 20 de janeiro) invadiram a sede do Congresso americano, em Washington, em uma tentativa de impedir a confirmação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. Trump foi acusado de incitar a insurreição, mas acabou absolvido pelo Senado.

Ela também votou contra o chamado One Big Beautiful Bill, um amplo pacote legislativo de Trump que reúne cortes de impostos, mudanças em programas sociais, como o Medicaid, e aumento de recursos para segurança nas fronteiras e imigração. O projeto foi aprovado pelo Congresso em julho de 2025 e sancionado por Trump no dia 4 daquele mês.

E ela votou contra a revogação da Lei de Acesso à Saúde (Affordable Care Act), ajudando a salvar a política de saúde conhecida como Obamacare.

No entanto, ela apoiou o presidente em muitas votações cruciais, incluindo o voto a favor da nomeação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte e a confirmação de Robert Kennedy Jr., um cético em relação às vacinas, como Secretário de Saúde.

Nos debates, Jackson procurou associar Collins ao legado de Trump, citando o histórico de votações dela e argumentando que ela poderia ter usado — mas não usou — sua posição como um voto decisivo no Senado para influenciar o presidente.

Collins, por sua vez, afirmou que usou sua posição à frente da Comissão de Apropriações do Senado, responsável pela elaboração dos projetos de lei que destinam recursos federais a Estados e programas em todo o país, para gerar resultados concretos para o Maine e seus moradores.

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