O democrata Abdul El-Sayed venceu a eleição para o Senado dos Estados Unidos em Michigan, derrotando o republicano Mike Rogers. Com o resultado, ele se tornou o primeiro muçulmano eleito para a Casa, em uma vitória histórica para a ala progressista do Partido Democrata.
A Associated Press projetou a vitória de El-Sayed na madrugada desta quarta-feira (4/11), após a votação realizada na terça-feira. A disputa era uma das mais acompanhadas do pleito e também tinha importância para os planos dos democratas de recuperar o controle do Senado.
El-Sayed, médico que nunca ocupou um cargo eletivo, esteve no centro de uma das disputas eleitorais mais polarizadas do país.
A tensão aumentou ainda mais nos últimos dias de campanha, depois que sua colega de partido Haley Stevens, que havia sido derrotada por uma pequena margem por ele na disputa pela indicação democrata, declarou apoio ao candidato republicano, Mike Rogers.
El-Sayed reagiu no domingo (1º de novembro), dizendo a jornalistas: "Este é um Estado de 10 milhões de pessoas que merecem muito mais de seu governo. Estou muito mais concentrado nos outros 9.999.998 sobre os quais vocês não estão falando."
Nascido em 1984, no subúrbio de Rochester Hills, em Detroit, El-Sayed foi criado pelo pai e pela madrasta, Jacqueline Johnson, depois que seus pais se divorciaram quando ele tinha três anos. Estudou medicina na Universidade de Michigan e na Universidade Columbia e se especializou em epidemiologia.
Sua nomeação para o cargo de diretor-executivo do Departamento de Saúde de Detroit, em 2015, ganhou destaque nacional. Três anos depois, El-Sayed concorreu ao governo de Michigan. Ele terminou em segundo lugar nas primárias democratas, perdendo por mais de 20 pontos percentuais para Gretchen Whitmer, que posteriormente foi eleita e conquistou dois mandatos como governadora.
Whitmer apoiou Stevens nas primárias democratas para o Senado em 2026, mas declarou apoio público à campanha de El-Sayed depois que ele venceu a disputa pela indicação do partido.
Ele contou com o apoio de nomes da ala progressista, como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Mas democratas mais moderados, incluindo o ex-presidente americano Barack Obama, também manifestaram apoio à sua candidatura. A vitória em Michigan era considerada fundamental para os planos do partido de assumir o controle do Senado dos Estados Unidos.
El-Sayed fez campanha com uma plataforma de esquerda, na qual as críticas à ajuda militar dos Estados Unidos a Israel ocupavam lugar de destaque, ao lado de propostas como a taxação de bilionários para financiar um sistema de saúde universal.
"Não deveria ser tão difícil pagar seus impostos e saber que esse dinheiro será usado em benefício de você e de seus filhos, em vez de ser usado para lançar bombas sobre outras pessoas e seus filhos", disse El-Sayed a apoiadores em um comício na quinta-feira (29 de outubro).
Ele também classificou como genocídio a operação militar de Israel na Faixa de Gaza após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, acusação que Israel rejeita veementemente. El-Sayed também afirmou que o país pratica apartheid na Cisjordânia ocupada.
A oposição de El-Sayed à ajuda militar americana vai além de Israel. O candidato, de 42 anos, frequentemente afirmou que queria que as receitas com os impostos pagos pelos americanos fossem usadas para "construir escolas e criar oportunidades, em vez de serem enviados para o exterior para lançar bombas sobre outras pessoas".
"Não acho que devamos financiar forças militares estrangeiras em geral", disse El-Sayed na quarta-feira (28 de outubro). "Isso inclui Israel. Também inclui Egito, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos."
O presidente americano Donald Trump, no entanto, acusou El-Sayed, filho de imigrantes egípcios, de estar "do lado dos terroristas".
O vice-presidente J.D. Vance disse em um comício de campanha de Rogers, em 15 de outubro: "Vocês merecem coisa melhor do que um pequeno covarde que deveria ficar de boca fechada e demonstrar um pouco de gratidão ao país que lhe deu tudo".
Rogers, embora tenha se distanciado dos comentários de Trump, acusou a campanha de El-Sayed de receber apoio financeiro de doadores ligados a organizações radicais e extremistas.
Durante a campanha, o presidente Donald Trump fez ataques verbais frequentes contra El-Sayed.
Republicanos também acusaram El-Sayed de ter ligações com a Irmandade Muçulmana, a maior e mais antiga organização islamista do Egito, que chegou brevemente ao poder no país africano após o levante da Primavera Árabe de 2011. Embora negue qualquer ligação com o grupo, seus adversários apontaram que ele assinou uma carta aberta em 2012 que pedia ao então presidente islamista Mohamed Morsi que "purgasse a mídia e a polícia o mais rápido possível".
El-Sayed também recebeu críticas por suas ligações com o comentarista de esquerda Hasan Piker, que afirmou que os Estados Unidos "mereceram" os ataques de 11 de setembro. Em agosto passado, El-Sayed pediu desculpas à comunidade judaica de Michigan por comentários sobre as motivações por trás de um ataque violento contra uma sinagoga em Detroit, cometido por um americano de origem árabe.
Sua candidatura dividiu o eleitorado judaico de Michigan, que historicamente tende a apoiar os democratas, segundo avaliação do site Jewish Insider. Citando lideranças comunitárias, o veículo previu uma migração de votos para o candidato republicano.
Durante a campanha, porém, El-Sayed afirmou que sua lealdade está com a Constituição dos Estados Unidos e pediu aos eleitores que avaliassem suas propostas, e não sua origem ou religião.
"Meu nome e minha fé não são a razão pela qual as pessoas não conseguem pagar pela gasolina ou pelas compras no supermercado, não conseguem consultar um médico ou estão preocupadas com o ar que respiram e a água que bebem", afirmou.
"Embora eu possa rezar de uma maneira um pouco diferente da maioria dos americanos, rezamos pelas mesmas coisas."
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
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