CONJUNTURA

Bolsa zera perdas da pandemia

B3 chega aos 116.149 pontos e acumula alta de 0,44% no ano, superando a queda histórica que sofreu em 2020 com a chegada da covid-19. Avanço das vacinas contra a doença mantém investidores otimistas, mas deficit público é visto como problema

» Israel Medeiros*
postado em 15/12/2020 23:39
 (crédito: Nelson Almeida/AFP - 18/5/17)
(crédito: Nelson Almeida/AFP - 18/5/17)

Principal indicador da lucratividade da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Ibovespa zerou as perdas provocadas pela pandemia durante o ano, ao registrar alta de 1,34% e alcançar 116.149 pontos. Com o resultado, o índice passou a acumular alta de 0,44% em 2020. Em meio ao clima de bom humor no mercado financeiro, o dólar caiu 0,66% e fechou cotado a R$ 5,08 para venda.

No fim do ano passado, quando a B3 atingiu a histórica marca dos 120 mil pontos, a expectativa para 2020 era de ainda mais ganhos. Em fevereiro, algumas casas de análise renomadas, como o Bank of America, ainda falavam em um patamar próximo de 130 mil pontos ao fim deste ano. O resto da história é conhecida: o novo coronavírus chegou ao Brasil e o Ibovespa desabou para 62 mil pontos em março.

Os bancos centrais ao redor do globo fizeram a parte deles e injetaram dinheiro na economia, em forma de estímulos monetários, o que animou investidores no mercado financeiro. Por aqui, a taxa básica de juros (Selic) recuou à mínima histórica de 2% e deve ser mantida pelo menos até o início do ano que vem.

Otimismo
Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, explica que o mercado está de olho nos Estados Unidos, onde um pacote de estímulos é discutido há meses entre republicanos e democratas, ainda sem acordo. A expectativa do pacote, somadas ao otimismo com o avanço das vacinas contra a covid-19, animou os investidores. “Aparentemente, os parlamentares americanos estão fechando um acordo que deve sair esta semana ou na semana que vem. Isso é importante, porque gera fluxo e liquidez no mundo inteiro e aumenta o apetite por risco”, comentou Ribeiro.

Para ele, o fluxo de compra de ações deve continuar. Mas o velho problema das contas públicas, especialmente diante dos gastos com a pandemia, pode desanimar investidores. “O mercado está comprador e deve seguir nesse ritmo, embora, talvez, sem o ímpeto de antes. Se, eventualmente, o governo der sinais de que está voltando atrás com relação ao compromisso fiscal, pode haver uma realização, mas o mercado agora está comprador. E nós não podemos ir contra isso, temos que surfar a onda”, diz o especialista.

Renan Silva, Bluemetrix Ativos, também destaca a tendência de alta e fala que é possível que ela se mantenha pelo menos no primeiro semestre de 2021, com a forte entrada de capital estrangeiro — que registrou recordes em novembro, com ingresso de R$ 33,3 bilhões na bolsa. “Fica claro que os investidores, principalmente os profissionais, já enxergam um cenário pós-covid, com a volta da atividade econômica após o início da vacinação. Há a percepção de que algumas empresas ainda estão com o preço muito atrativo. É uma oportunidade para aqueles investidores que pensam no longo prazo”, avaliou.

* Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

Gasolina sobe 3% na refinaria

A Petrobras anunciou, ontem, novo reajuste no preço dos combustíveis. A gasolina sofrerá aumento de 3% e o diesel, de 4%. O Dmar (combustível marítimo) também terá elevação, de 4,1%. Os novos valores entram em vigor hoje. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o efeito nas bombas será de R$ 0,0518 na gasolina A, e de R$ 0,0749, no diesel.

Este é o 40º reajuste da gasolina este ano, sendo 21 reduções e 19 aumentos. No diesel, é o 31º reajuste, 16 elevações e 15 quedas. “Com isso, o preço médio do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras passa a ser de R$ 1,95 por litro. No ano, o valor do litro do combustível acumula redução de 16,6%. Já o preço médio da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras passa a ser de R$ 1,75 por litro. No ano, acumula redução de 8,7%”, informou a estatal. Segundo a Petrobras, os valores acompanham as cotações do mercado internacional e a taxa de câmbio.

Seja como for, o consumidor final é quem paga a conta e tem de driblar as altas. A nutricionista Raquel Gomes, 34 anos, moradora da Fercal, relata que adotou uma medida para economizar. “ Para quem tem de trabalhar de carro todo dia, o preço está elevado. Com isso, a gasolina pesou muito esse ano e tive que dividir o carro com o marido”, contou.

Já a analista de TI Deise Abreu, moradora do Lago Norte, 30 anos, não precisou usar o carro para ir trabalhar durante alguns meses. Porém voltando agora ao trabalho presencial, vai ter de economizar na alimentação para conseguir abastecer o automóvel. “Pesou muito este ano, mas tive a sorte de trabalhar em casa. Agora como estou de volta ao presencial, terei que reduzir na alimentação evitando comprar comida por aplicativo”, afirmou.

* Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

Confiança em alta

Empresários dos 30 setores analisados no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) continuam confiantes em dezembro. É o que mostra pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Icei varia de 0 a 100 pontos, e valores acima de 50 pontos indicam confiança. Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, os índices de todos os setores industriais estão bem acima dos 50 pontos, sinalizando otimismo elevado. “Estamos em patamares de confiança do período anterior à pandemia. Isso é positivo porque indica propensão a aumento dos investimentos no próximo ano”, analisou.

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