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Assembleia da Petrobras vai decidir presidente e salário dos diretores

Além de confirmar indicados, assembleia da empresa vai votar a aprovação de R$ 37 milhões para o salário dos diretores

Rosana Hessel
postado em 08/04/2022 05:57 / atualizado em 08/04/2022 05:58
 (crédito: Mauro Pimentel/AFP)
(crédito: Mauro Pimentel/AFP)

Após a bagunça do governo na escolha dos novos indicados às presidências da Petrobras e do Conselho de Administração da estatal, a expectativa é de que a votação na Assembleia Geral Ordinária, marcada para o dia 13, seja tranquila, porque os indicados não apresentaram mais restrições às regras de governança da estatal.

Além dos nomes do químico José Mauro Ferreira Soares, que comandará a estatal no lugar do general Joaquim Silva e Luna; e do engenheiro Márcio Weber, para a chefia do Conselho (ele já integra o colegiado), os demais integrantes dos Conselhos de Administração (11 ao todo) e Fiscal (com cinco), foram previamente aprovados pelo comitê de elegibilidade.

Mas a pauta da AGO é extensa. Estão previstos itens importantes, como a aprovação do balanço de 2021 e da reserva de R$ 37 milhões para os salários da diretoria e de conselheiros neste ano, um reajuste de 0,5% em relação a 2021. No ano passado, a remuneração média anual da diretoria saltou 43,4%, para R$ 3,9 milhões.

Conforme o plano estratégico 2022-2026 aprovado em novembro de 2021, os dividendos que devem ser pagos aos acionistas variam entre US$ 60 e US$ 70 bilhões nos próximos cinco anos. Enquanto isso, a previsão de investimentos no plano quinquenal é de US$ 68 bilhões, mas há estimativas de que não deve passar de US$ 60 bilhões. "A política de remuneração dos administradores e dos acionistas se tornou prioridade diante da política de investimentos", lamentou William Nozaki, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

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PRI-0804-PETROBRAS.jpg (foto: Thiago Fagundes)

O futuro presidente da Petrobras já defendeu a política de paridade de preços da companhia, a PPI, implementada em 2016 e bastante criticada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Apesar de fontes do Planalto negarem, especialistas não descartam que políticos do PP influenciaram diretamente o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na escolha de Coelho.

Servidor de carreira e especialista na área energética, o químico é visto como um técnico com traquejo político, pois conseguiu transitar em vários governos, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Bolsonaro. "Ele se especializou na área de petróleo e gás, mas não costuma peitar as ordens de seus superiores", comentou o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. O sindicalista não poupou críticas à PPI e ao discurso do governo e da ala política em defender a privatização da estatal.

Leon Norking Rangel, coordenador de Energia da BMJ, avaliou que, apesar de Coelho ter feito declarações recentes a favor da PPI, não há garantias de que não haverá mudanças na Petrobras, dependendo da evolução do preço do petróleo no mercado internacional e do dólar. "Se o PPI vai ser mantido ou não, vai depender do tamanho da pressão que Bolsonaro vai sofrer do eleitorado insatisfeito com a alta dos preços ao longo do ano", avaliou.

O mercado reagiu positivamente às indicações de Coelho e Weber. As ações da Petrobras encerraram o dia com valorização acima de 5%, evitando nova queda na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que fechou com alta de 0,54%, a 118.862 pontos. "Os nomes foram bem recebidos, ainda mais pelo fato de serem técnicos e seguirem a mesma linha anterior", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

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