Visto, lido e ouvido

Desde 1960 Circe Cunha (interina) // circecunha.df@dabr.com.br

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 02/09/2020 22:21

Desmonte

Aos poucos e sem muito alarde, para não melindrar a opinião pública, a Lava-Jato, ou seja, a mais importante operação contra a corrupção e lavagem de dinheiro feita em toda a história do nosso país, vai, como alguns haviam prevenido, sendo desmontada, peça por peça, graças à ação de forças poderosas dentro e fora da máquina do Estado. Esse desmanche nas esperanças de muitos brasileiros de bem vai sendo seguido, pari passu com uma sequência de vitórias nos tribunais superiores, inclusive no Supremo Tribunal Federal, de ações impetradas pela defesa do ex-presidente Lula, o mais vistoso e implicado dos personagens dessa que foi a mais exitosa operação do Ministério Público e da Polícia Federal em todos os tempos. Trata-se, aqui, de autoflagelação imposta por parte de agentes da Justiça à própria Justiça e às leis, tornando letra morta a maioria dos artigos que compõem os códigos civis e criminais.
Nesse processo que vai comendo pelas beiradas o que parecia ser o nascimento de um novo Estado, livre, depois de séculos de desmandos e privilégios dos poderosos, a mais surrealista das cenas parece estar prestes a acontecer, com a punição não dos criminosos, mas com a condenação daqueles corajosos juízes e promotores que ousaram peitar de frente e à luz das leis os delinquentes de colarinho-branco. Na rabeira da reabilitação forçada do ex-presidente, outros criminosos, tão daninhos quanto ele, vão sendo libertados um a um, o que só faz confirmar a visão popular de que a aplicação e o rigor das leis, em nosso país, só é adotada contra os pobres, os pretos e a outros brasileiros menos favorecidos.
Depois da abdução do juiz Sergio Moro, enganado pelo canto das sereias, com a promessa de que poderia, no Ministério da Justiça, dar continuidade no combate ao crime, chega a vez, agora, do procurador da República Deltan Dallagnol, desgastado e cansado de tanta perseguição vinda de todos os lados, sobretudo de próceres da própria Justiça.
Trata-se aqui, à semelhança de Moro, de um dos mais sérios e probos profissionais da Justiça, lançado aos leões e à sanha de personagens como o próprio procurador-geral da República, Augusto Aras. São contra o que chamam de lavajatismo que esses personagens, saídos da sombra, insurgem-se, mesmo sabendo serem contra a vontade da maioria dos cidadãos.
Não por outra razão, manifestações populares começam a ser agendadas em todo o país, num esforço desesperado, genuíno e apartidário, em favor da continuidade da Lava-Jato e da punição desses maus brasileiros, que hoje todos reconhecem como responsáveis diretos pelas mazelas geradas pelo subdesenvolvimento crônico do Brasil.
A esse cenário de desesperança generalizada, soma-se a decisão tomada, agora, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, por 5 votos a 2, autorizou políticos declaradamente fichas-suja a disputar as eleições municipais deste ano. Além do fim da identidade biométrica durante as eleições, que continha um fio de controle sobre os eleitores, agora, milhares de corruptos, condenados, poderão voltar à cena e, com isso, dar continuidade aos seus delitos, sob as bênçãos da Justiça e, pior, com imunidade para, mais uma vez, delinquir em paz. Esse é o Brasil que, por certo, não queremos, mas que nos é imposto por circunstâncias contrárias à vontade da maioria. Lamento dos representados e júbilo dos representantes do povo.

» A frase que foi pronunciada

“Poucas vezes, o homem se mostra
grande quando se trata de grandezas.”

Élie Saurin , teólogo protestante francês.

 

Cuidados com o pulmão

» Como os prédios administrativos de Brasília não costumam ter janelas abertas para ventilação, é fundamental que todo ar-condicionado passe por manutenção e higienização para a retirada de partículas poluentes, fungos e bactérias.


Defesa

» Moradores do Lago Norte exercem a cidadania de forma exemplar. Um grupo nominado Caesb providencia a adoção da via judicial para revisão dos aumentos injustificados nas contas de água dos últimos meses naquela localidade. Oitenta e três por cento dos consultados votaram pela petição.


Solidariedade

» Hemocentro pede doação de sangue. A demanda por sangue aumenta, enquanto as doações não correspondem à necessidade. O problema é que os telefones disponíveis aos voluntários demoram demais a atender ou parecem ocupados durante todo o dia. São eles: o 160 opção 2, 0800 644 0160, 3327-4413 ou pelo site agenda.df.gov.br.


Ouvidoria

» Não há razão para agências do Banco do Brasil interromperem atendimento aos clientes. Se o distanciamento for respeitado e os cuidados que todos conhecemos forem rotineiros, não justifica essa ausência na prestação de serviços.

» História de Brasília

É acintoso o terrorismo do MAC num país habitualmente pacato.
E as autoridades não dão a conhecer o andamento do inquérito. (Publicado em 16/01/1962)

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