Vacine-se!

Órgãos públicos de saúde registraram baixa taxa de imunização no país

Roberto Fonseca
postado em 11/09/2020 08:01
 (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
(foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O submundo da internet está com uma campanha a todo vapor. Por meio de textos apócrifos, fotomontagens e vídeos curtos, grupos distribuem no WhatsApp informações sem pé nem cabeça, com zero dado científico, sobre os efeitos que vacinas produzem no ser humano. Não consigo encontrar um outro adjetivo melhor do que esse para classificar tal movimento: criminoso. Sim, ao repassar informações como essas adiante, estão praticando um atentado contra a vida em sociedade.

Veja bem, caro leitor, o nível de desinformação que tentam repassar. Desde a madrugada de quarta-feira, para aproveitar repercussão da suspensão dos testes da “vacina de Oxford” após a detecção do surgimento de um caso grave em um dos voluntários, passou a circular um texto sem autoria com a seguinte informação: “Há um pico de ‘corona’ em muitos países porque eles passaram a testar a vacina em muitas pessoas”. Hã? Como assim? Qual a base científica? E a pergunta que fica é: o que leva uma pessoa a distribuir uma informação como essa?

É a típica fake news que mata. E pode ajudar a explicar a baixa taxa de imunização registrada por órgãos públicos de saúde. Vamos pegar, como exemplo, a campanha de vacinação contra o sarampo para adultos no Distrito Federal. Era para terminar em 31 de agosto, mas precisou ser prorrogada por dois meses porque apenas 5,6% do público-alvo havia recebido a dose. Isso mesmo: uma em cada 20 pessoas entre 20 e 49 anos foi ao posto de saúde mais próximo. É um índice muito baixo.

Entre as crianças, o cenário de queda na imunização também se repete. O DF não atingiu nenhuma meta de imunização do calendário infantil de 2020. Entre as 11 vacinas que devem ser tomadas por menores de 2 anos de idade, nenhuma ultrapassou os 78% de cobertura. Todas tiveram redução em relação a 2019. Infectologistas alertam que o ideal, para o bem comum de todos, é que o índice fique na faixa de 90% a 95%. Rúbeola, caxumba e varicela estão entre doenças que podem ser evitadas.

Ao longo de décadas, a pesquisa acadêmica tem nos mostrado (e comprovado) que a vacinação é a forma mais segura de conter e eliminar enfermidades do planeta. Acredite na ciência. Desconfie de postagens em redes sociais, principalmente as apócrifas. Opte por fontes confiáveis. E não se esqueça: vacine-se!

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