Os novos patrícios da bola

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 12/09/2020 11:43
 (crédito:  Lucas Pacífico/CB/D.A Press)
(crédito: Lucas Pacífico/CB/D.A Press)

Há quem use como régua para medir a qualidade do futebol português os cinco prêmios de melhor do mundo de Cristiano Ronaldo; o sucesso de treinadores como José Mourinho, na Europa, e Jorge Jesus, na América do Sul; os superpoderes do agente Jorge Mendes; a influência do badalado diretor esportivo Antero Henrique em transferências como a de Neymar, do Barcelona para o PSG; as quatro taças conquistadas por Benfica e Porto — dois de cada — na Champions League; o título lusitano na Euro-2016, o terceiro lugar na Copa de 1966 na era Eusébio, sob a batuta do brasileiro Otto Glória, ou a quarta posição em 2006, com Figo e CR7 nos papéis de protagonista e coadjuvante, respectivamente, de Luiz Felipe Scolari.

Todos os argumentos são válidos, mas convido você a enxergar além-mar. Portugal tem, hoje, uma das seleções mais promissoras do Velho Mundo. Em curto prazo, os atuais campeões da Euro e da recém-criada Nations League podem ser bi. Daqui a 26 meses, deve ancorar no Catar como um dos favoritos à conquista da Copa 2022. Não despreze nem faça piada com eles.

A atual esquadra lusitana deixou de ser a seleção do Cristiano Ronaldo. Aos 35 anos, ele continua sendo o cara, óbvio. Tem 101 gols em 163 jogos pelo país. A máquina está a nove de quebrar o recorde de Ali Daei, autor de 109 pelo Irã. O admirável e competente trabalho de renovação aliado à ousadia do outrora retranqueiro Fernando Santos fortaleceram o entorno do gênio.

O time usado na vitória por 2 x 0 sobre a Suécia, na última terça-feira, impõe respeito no papel e na prática. Ostenta jogadores de alto nível em clubes de ponta. O lateral-direito Cancelo, de 26 anos, é uma das peças de Guardiola no Manchester City. O esquerdo, Raphael Guerreiro, 26, atua no Borussia Dortmund. Um dos titulares da zaga, Rúben Dias, 23, defende o Benfica. Bruno Fernandes, 26, do Manchester United, virou referência no meio. Na frente, Bernardo Silva, 26, do Manchester City, e o diamante João Félix, 20, do Atlético de Madrid, assessoram CR7.

Forte na base, Portugal ganhou a Euro Sub-19 em 2018. Reforço do Barcelona, Trincão foi um dos artilheiros do torneio com cinco gols. A seleção também foi vice em 2017 e 2019. Chegou à final da Euro Sub-21 em 2015, e conquistou a Euro Sub-17 em 2016. A mistura da nova geração aos veteranos Cristiano Ronaldo, João Moutinho e Pep deu química. Até Fernando Santos virou ofensivo. Escalou Bernardo Silva, João Félix e Cristiano Ronaldo no ataque contra a Suécia!

Os últimos quatro campeões da Copa são europeus: Itália (2006), Espanha (2010), Alemanha (2014) e França (2018). Brasil, Argentina e Uruguai estão fragilizados. Portugal sonha alto. Planejou o salto. Penso cá com meus botões: imagine esse elenco nas mãos de Jorge Jesus...

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