Opinião

Artigo: Parabéns, JK

Mesmo a geração que não conviveu com ele, sente saudade do homem que redescobriu o Brasil

Flávia Arruda*
postado em 14/09/2020 08:51
 (crédito: José Varella/CB/D.A Press/CB/Reprodução/D.A Press - 25/3/05)
(crédito: José Varella/CB/D.A Press/CB/Reprodução/D.A Press - 25/3/05)

Dia 12 de setembro se comemora o aniversário do presidente Juscelino Kubitscheck. E mesmo a minha geração, que não conviveu com ele, sente saudade do homem que redescobriu o Brasil.


JK nasceu de família humilde, em Diamantina. Perdeu o pai aos dois anos de idade e foi criado pela mãe, dona Júlia, com todas as dificuldades de uma professora primária, pobre e viúva no interior de Minas Gerais.
Foi sozinho para Belo Horizonte e trabalhava como telegrafista à noite para estudar medicina durante o dia. Como um predestinado, foi deputado federal, prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente da República.


Elegeu-se presidente com programa de governo de 30 metas e desenvolveu o Brasil 50 anos em cinco. Com a meta síntese, construiu Brasília em apenas mil dias e, com a ousadia, mudou o mapa econômico e social do país.


Ele não sabia que era impossível, não deu ouvidos aos que tinham certeza de que era impossível, calou a boca dos pessimistas e, numa jornada épica, ergueu a nova capital.


Com a construção de Brasília, de usinas, de estradas, o presidente Juscelino Kubitscheck desenvolveu todos os setores produtivos e interiorizou o desenvolvimento, unindo, pela primeira vez, as antes distantes regiões do Brasil.


E fez tudo isso com profundo sentimento democrático, respeitando as instituições e os adversários, sem radicalismos estéreis, sem bravatas.


O Brasil de JK era otimista, e o otimismo é contagioso.


Na esteira do seu entusiasmo, o Brasil perdeu o velho complexo de inferioridade diante do mundo desenvolvido e, na frase célebre de Nelson Rodrigues, perdeu o “complexo de vira-lata”. O Brasil se desencantava.


O meu avô foi um dos milhares de pioneiros que, contagiados pela fala de JK pelo rádio, mudou-se de armas e bagagens para Brasília. Impregnados pelo momento mágico da nossa história, vieram mineiros e pernambucanos, cariocas e piauienses, gaúchos e goianos, e se juntaram aqui todas as culturas regionais para criar um modelo de civilização.


E eis que o entusiasmo de JK cria uma onda revolucionária, modernizadora e desenvolvimentista. Surge a música popular brasileira, com João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes. Surge o cinema novo, com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Aparecem Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que reinventam o conceito de cidade e traçam os novos parâmetros do urbanismo e da arquitetura moderna. E ainda surge Éder Jofre no boxe, Maria Ester Bueno no tênis, Pelé e Garrincha no futebol, que voltam da Suécia, em 58, como campeões mundiais.


O Brasil de JK era moderno, otimista, alegre, confiante. Era o Brasil da bossa nova, que parecia enterrar os demônios do atraso, do preconceito, do comodismo, para inaugurar uma era.


Mas, infelizmente, depois de JK vieram os vanguardistas do atraso que, incapazes de construir, destroem. Primeiro, tentaram destruir JK. Afinal, ele era o símbolo e o líder de uma era.


Nos últimos 16 anos de vida, depois que deixou a Presidência, JK foi humilhado, exilado, preso. Teve os direitos políticos cassados. Foi proibido até de visitar a cidade que construíra. Sofreu tudo o que um grande homem pode sofrer. Foi acusado de ser a sétima fortuna do mundo e morreu pobre. Para a última e fatídica viagem, tomou emprestados 5 mil cruzeiros do seu primo Ildeu de Oliveira.


Mas mal sabiam os detratores: ele já tinha conquistado seu lugar na história e no coração dos brasileiros. Hoje comemora-se o aniversário de JK. E ele está entre nós pela sua obra. Pela força do seu exemplo. Pela grandeza do seu legado.


Relembrar JK não é apenas homenagem ao grande brasileiro, certamente o maior da nossa história. Relembrar JK é gritar aos quatro cantos um sonoro não à mediocridade. É acreditar num futuro melhor. É ter orgulho da Brasília que ele construiu e onde a minha geração teve a ventura de nascer.


Relembrar JK é olhar para o futuro. E, nas palavras que ele imortalizou, lançar os olhos mais uma vez sobre o amanhã do nosso país e acreditar, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites, no seu grande destino. Parabéns, presidente Juscelino Kubitschek pelo aniversário.

*Deputada federal (PL-DF)

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