Mulheres e negros na disputa municipal

Correio Braziliense
postado em 29/09/2020 07:42 / atualizado em 29/09/2020 08:07

Dos 209,2 milhões de brasileiros, 51,8% são mulheres e 56,10% negros e pardos, cuja soma o IBGE classifica de negros. A lógica simplista levaria a crer que o percentual corresponderia à representação política. Não é, porém, o que ocorre tanto no âmbito federal quanto no estadual e no municipal.
Em novembro haverá eleições municipais. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) causaram agradável surpresa. Dos 523 mil pedidos de registro de candidaturas computados, sobressaíram dois recordes. Um deles: o de postulantes e candidaturas do sexo feminino. O outro: o de postulantes e candidaturas de negros.

O número de mulheres concorrentes soma 176 mil (34% do total). Houve aumento em relação aos três últimos pleitos, em que a cifra não passou de 32%. Os negros, por sua vez, deram salto maior. Pela primeira vez, mais negros disputam cadeiras que brancos. São 263 mil (51%) contra 248 mil (48%). O índice corresponde a 45 mil candidatos a mais que em 2016.

Ampliar o número de candidaturas é o primeiro passo para que os brasileiros sejam mais bem representados em gênero e etnia. Em 2016, as urnas dos 5.570 municípios elegeram 12% de prefeitas e 13% de vereadoras. Os negros, só 29% dos prefeitos e 42,1% dos vereadores.

O segundo passo é angariar votos. Em eleição — com menos tempo de campanha, proibição de aglomerações e restrição do corpo a corpo —, as pessoas mais conhecidas devem levar vantagem. As novatas precisam multiplicar esforços para divulgar a plataforma, conquistar o eleitor e motivá-lo a sair de casa para cumprir a obrigação cívica.

Pesquisa Datafolha da semana passada mostrou que 34% dos eleitores não se sentem nada seguros para ir às urnas e 42% consideram que terão alguma segurança. Só 24% se declararam muito seguros para se dirigir às zonas eleitorais.

Espera-se que, mesmo com as limitações, a campanha entusiasme adultos e adolescentes. O programa eleitoral e os debates desempenham papel importante no processo. Também o TSE, que promete divulgar ações tranquilizadoras no tocante aos riscos sanitários.
O mais importante: mulheres e negros têm de apresentar propostas que venham ao encontro das urgências do município. O eleitor consciente não deposita a confiança neste ou naquele candidato por causa do sexo ou da cor da pele. A escolha decorre da certeza de que será bem representado.

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