Desde 1960

Visto, lido e ouvido

Calar e ser cúmplice

Circe Cunha (interina) // circecunha.df@dabr.com.br
postado em 29/09/2020 20:39

Proposta de Emenda Constitucional (PEC), aprovada pelo Congresso, prevê primeiro turno das eleições em 15 de novembro, e o segundo, em 29 de novembro neste ano. O avivamento das discussões sobre os escândalos da Lava-Jato e suas consequências para a vida política do país estão, até o momento, completamente apagadas. Não se vê ou ouve, por parte dos postulantes, qualquer menção a esses crimes, seus personagens e, principalmente, às nefastas consequências decorrentes dessa sucessão de delitos que arrastaram o Brasil para a mais profunda crise econômica e política de toda a sua história.
O mutismo em relação a esse mega fato se explica, em parte, porque ficou constatado que, além do Partido dos Trabalhadores, que organizou com método todo esse esquema, praticamente todos os partidos estiveram direta ou indiretamente envolvidos na maracutaia. Custa a crer que os candidatos não façam qualquer referência, até mesmo para mostrar que esses fatos não irão mais se repetir.
O silêncio sepulcral sobre os mais graves crimes de corrupção precisam vir à tona e ser debatidos à exaustão, até que não sobre mais a mínima chance de que venham a ocorrer. A razão ensina que não se pode falar em projetos futuros, quando um assunto dessa gravidade, enredando os principais personagens e dirigentes do Estado, jogando o nome e o prestígio do país na lama e gerando mais miséria e insegurança, não for devidamente discutido e encerrado.
Não chega a ser surpresa para ninguém que esse silêncio obsequioso faz parte de uma manobra que visa, sobretudo, reeleger os principais personagens desses crimes, na busca desesperada por prerrogativa de foro. Outros acreditam, e com boas razões, que haverá um grande acordo, que será denominado de pacificação nacional em que todos esses crimes serão esquecidos em nome de uma pressuposta união do país.
O que esse silêncio ou branco na memória em torno desses crimes revela, aos ouvidos daqueles que sabem escutar, é que o que está em marcha não apenas as eleições de outubro sem voto impresso, auditável, mas um amplo movimento que visa construir uma falsa nova república, erguida sobre os mesmos pilares corroídos pela ética.
O que se está a fazer nessas eleições é a reforma de fachada de um velho prédio condenado a ruir. O estrondo provocado pelo colapso desse enorme edifício que ameaça em breve vir a baixo será a resposta natural à esse silêncio dos cúmplices.


A frase que foi pronunciada
“Há silêncios que são mentiras”
De Vogue


Social

» Toma posse da diretoria da Ação Social Caminheiros Antônio de Pádua, Salvelina Pereira Roldão Cabral. O projeto M + H: jovens contra a violência é o maior desafio.


Quem pode? Quem não pode?

» Está bem estranha a divulgação de forma negativa de autoridades recebendo amigos em jantares ou churrascos e a mesma origem divulga fotos de verdadeira multidão nas praias pelo país. Em Brasília, o piscinão é um exemplo de que todos estão cansados do assunto coronavírus. Cervejinha gelada, sem máscara, churrasco e muita alegria.


Efeitos

» Literalmente surdos. O barulho no plenário é tanto que funcionários antigos, principalmente da Câmara dos Deputados, começam a sentir os efeitos do trabalho naquele local. Seria interessante uma pesquisa mais profunda sobre esse assunto.


Pedido

» Basta uma volta pelas superquadras da cidade para ver o perigo constante que são os botijões de gás do comércio em áreas públicas. A comercial da 213 Norte, bloco D.


Carinho

» Foi Erica Coelho quem esteve presente no evento dedicado ao pai, o plantador de árvores em Brasília, Ozanan Coelho. Inaugurada no CA1, a praça Francisco Ozanan, com o busto do homenageado.


Engordou?

» Um estudo feito pelo farmacologista clínico e farmaco-nutricionista Dr. Paul Clayton, da Universidade de Middlesex, discorre sobre a relação do estado de espírito e a comida. Ele diz que optar por alimentos ricos em carboidratos deixam o indivíduo mais feliz e a opção por alimentos ricos em proteínas trazem mais foco e atenção.


Participe

» Estou velho demais para isso. Se essa frase foi pronunciada por você, não perca a live de hoje às 19h. O psicólogo clinico Gregório de Sordi vai conversar com a psicóloga do trabalho Juliana Seidl, consultora da Aposentadoria Plena e parceira da Maturi, sobre preconceito etário: o que é, como se manifesta, como combatê-lo. Veja no Blog do Ari Cunha mais detalhes sobre esse bate papo.


História de Brasília
Quem fez a gente respirar no aeroporto não foi o sr. Bressan,
coisa nenhuma. Foi o novo prefeito, foi sua esposa, que passaram a olhar para um logradouro que estava abandonado, empoeirado, com postes se acender (ainda está) e com poltronas acochadas.
(Publicada em 17/1/1962)

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