>> Sr. Redator

postado em 02/10/2020 22:45

Ressaca

Celso de Mello aposenta-se. Um novo ministro virá. O presidente Jair Bolsonaro, o apontador da vez, teria definido o critério, a linhagem, o perfil para o substituto do decano. Alguém, que sente à mesma mesa, um sujeito com quem tome cerveja. Bolsonaro não será o primeiro a pretender aparelhar o Supremo. A história, inclusive a recente, está aí para contar. O STF está cheio de ministros que bebiam cerveja com os presidentes que os indicaram. Esse é, precisamente, um dos maiores problemas da Suprema Corte: o grande volume de juízes que topavam e topam happy hours com políticos. A sociedade almeja que o STF saia da mesa do bar. Precisa ser menos confidente. Precisa propor menos acordos. Precisa parar com o malte único no balcão de poderes políticos. Precisa largar o WhatsApp e os microfones. A sociedade sabe que Bolsonaro poderia contribuir para um Supremo abstêmio. Cervejada puro malte, patrocinada pelo ministro do STF Gilmar Mendes, foi a chancela do indicado à Suprema Corte, o desembargador Kassio Nunes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF). Tudo indica, porém, que a bebedeira continuará, talvez mesmo aumentando. A ressaca irá para o cidadão trabalhador!
» Renato Mendes Prestes,
Águas Claras


Garantistas

Traduzem como virtude os juízes garantista. A fim e ao cabo, eles tomam decisões que favorecem os criminosos, alargando as brechas das leis que levam à impunidade. Tem sido assim com os políticos e grande empresários pilhados pelas operações especiais de combate à corrupção. Os danos e as vítimas dos corruptos fazem parte da parcela invisível para os poderes. Não são ouvidas nem ressarcidas dos danos que os desvios do dinheiro público causaram em suas vidas: morrem na filas dos hospitais, não têm acesso à água potável, seus filhos são excluídos das escolas e por aí vão os prejuízos sociais e econômicos que os criminosos deixam como legado. Mas, eles conseguem se safar das sanções penais e desfrutar do dinheiro obtido criminosamente. O provável futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, que ocupará a vaga deixada pelo ministro Celso de Mello, o piauiense Kássio Nunes, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundos meios da comunicação, Nunes seria mais um garantista na Alta Corte. O perfil ideal para o clã Bolsonaro. Três dos filhos trilharam a carreira do líder da família. O trio vive no fio da navalha pelos seus embróglios nada decentes ou republicanos no exercício do cargo para os quais foram eleitos. Todos são personagens de investigações policiais ou de processos judiciais. Será que o futuro ministro poderá salvá-los?
» Euzébio Queiroz,
Octogonal


Meio ambiente

O Brasil, há uns 20 ou 30 anos, vive um novo ciclo na economia, o do agronegócio, que se intensifica e parte para áreas do país antes preservadas como a Amazônia e o Pantanal. Com o atual governo, este ciclo que traz desmatamento, queimadas e destruição do que resta da floresta tem se intensificado de uma maneira exponencial. Em poucos anos, meses mesmo, fazendeiros ávidos por lucros estão acabando com as matas nativas e transformando o que antes era verde em deserto. Se nada for feito pelo Judiciário e pelo Legislativo, estaremos a viver e a presenciar a maior destruição do meio ambiente que o planeta já passou e que está ocorrendo aqui mesmo, em nosso solo! A triste pergunta que fica é o que vai sobrar para da natueza para futuras gerações, antes exuberante e que agora arde nas chamas das queimadas !
» Washington Luiz Souza Costa,
Samambaia


Boa surpresa

Ironia do futebol: graças ao pavoroso covid-19, que contaminou dezenas de jogadores importantes do Flamengo, é que os torcedores puderam conhecer a excelente safra dos meninos da base do clube carioca. Mostram em campo que têm futuro. Pena que não demora e serão assediados por clubes estrangeiros e vão embora.
» Vicente Limongi Netto,
Lago Norte


Insensibilidade

Susan Sontag chamou atenção para a insensibilidade alheia aos sofrimentos fora do alcance da visão dos sobreviventes. Após a guerra, ou após o 11 de setembro, ou na atual pandemia, mortos nos chegam de montão, pelos jornais ou pelos canais midiáticos. Não passam de números, ou de corpos invisíveis, enrolados em plástico ou jogados em valas comuns. Nada que um bom café da manhã não nos faça esquecer aquelas imagens ou aquelas notícias incômodas. Não causam pena nem nos tiram o apetite.
» Thelma B. Oliveira,
Asa Norte

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