Visão do Correio: Boas notícias na economia

Correio Braziliense
postado em 03/10/2020 22:46 / atualizado em 04/10/2020 09:15
 (crédito: Divulgação/Agência Brasil)
(crédito: Divulgação/Agência Brasil)

“Raro como viúvo na praça” é comparação repetida por gerações de brasileiros. De tão longeva, parecia inabalável na vida nacional. Sai ano, entra ano, ela ressurge sempre que algum produto escasseia no mercado em decorrência de acontecimento inesperado — pragas, quebras de safra, fenômenos meteorológicos violentos.

Este ano, excepcional em todos os sentidos, destronou a antiga dona do ranking. A existência de viúvo disponível perdeu a importância diante da pandemia da covid-19, que roubou mais de 1 milhão de vidas, derrubou o PIB, fechou a economia, quebrou empresas, atrasou estudantes, empurrou milhões para a extrema pobreza e lançou nuvem de incerteza sobre o futuro.

“Raro como boa notícia” se impôs pela contemporaneidade. A crise sanitária tornou-se o assunto quase único em jornais, rádios, tevês. Em meio à tragédia cujo enredo e desenlace eram inéditos até para cientistas, o noticiário tóxico imperava. Como a mídia não produz fatos, apenas os divulga, tornou-se a voz e os olhos dos dramas que se desenrolavam na cidade, no país e no mundo.


Novos ares, porém, começaram a soprar. Em agosto, a arrecadação subiu 1,33%, a primeira alta desde o começo da pandemia e a melhor para o mês desde 2014. As receitas federais somaram R$ 124,505 bilhões. A criação de vagas de trabalho chegou a 249 mil postos com carteira assinada.

A produção industrial cresceu 3,2%, no quarto mês consecutivo de recuperação. Melhor: o incremento observou-se para todas as grandes categorias econômicas e 16 dos 26 ramos pesquisados. As vendas do comércio varejista aumentaram 0,1%, na comparação com o mês anterior, alavancadas sobretudo pelos supermercados. Foi a terceira alta mensal seguida.

A balança comercial contabilizou superavit de US$ 6,6 bilhões — salto de 68,9% em relação ao saldo de agosto de 2019. Em bom português: no período, o país exportou mais do que importou. As vendas somaram US$ 17,7 bilhões; e as compras, US$ 11,1. Trata-se do melhor resultado da série histórica, segundo o Ministério da Economia.

Há que lembrar também o leilão de saneamento, a concessão de terminais portuários, vendas da Petrobras autorizadas pelo STF. Bons cenários que, para serem sustentáveis, precisam da confiança do mercado.
É essencial, para manter o voo de águia, que se avance nas questões que emperram a economia. Entre elas, as reformas administrativa e tributária e as grandes privatizações. Titubeios neste momento crucial podem condenar o país a voo de galinha. De novo.

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