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postado em 06/10/2020 21:48


Peregrinação
Uma coisa que não entendo, por não fazer o menor sentido, data vênia, é essa peregrinação que faz pelos gabinetes dos Senadores um candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), antes de ser sabatinado. É uma visita que constrange tanto o Senador quanto o candidato, pois, em última análise, trata-se de alguém que vai ser sabatinado. Isto é, que vai fazer uma prova, e que se dirige à sala do “professor” antes de ser questionado. A troco de quê? Saber os quesitos da prova? Cabalar pontos para passar na prova? Se dizer quem é, onde foi formado, os títulos que possui e quem o indicou para cargo? E não prospera essa ideia de que é uma visita protocolar e de boa vizinhança, para que senadores conheçam melhor o candidato ao cargo. Seria muito melhor, mais elegante, mais ético e muito menos constrangedor, se a AGU encaminhasse, por cortesia, ao gabinete dos senhores senadores o currículo do candidato ao cargo de ministro do STF, fazendo uma exposição das razões que levaram o presidente da República a indicá-lo para tão relevante cargo. Repito, isso evitaria que o candidato passasse por essa humilhação, por essa atitude vexatória de ter de cabalar votos para passar numa sabatina.
Paulo Molina Prates, Asa Norte

 

Justiça e direito
Para o público leigo, diga-se para a população em geral, ficou incompreensível a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de libertar um homem, agressor confesso da mulher, por ter sido absolvido por um júri popular em Minas Gerais. Parece que nesse caso, mais do que a discussão entre “garantistas” e “punitivistas”, ficou caracterizada a imensa diferença entre justiça e direito.
Sylvain Levy, Asa Norte

 

Lava-Jato
O ministro Gilmar Mendes impôs mais uma derrota à Lava-Jato do Rio e determinou que a investigação envolvendo o secretário de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy, deixe de ser apurada pela força tarefa e pelo juiz Marcelo Bretas. De acordo com o ministro, houve “constrangimento ilegal” durante a investigação uma vez que, segundo Gilmar Mendes, o foro adequado para a investigação é a Justiça Eleitoral de Goiás. Mais uma vez, fica claro a benevolência do garantista ministro do STF. Será que a cervejada patrocinada na residência de Gilmar Mendes, com a presença do presidente Bolsonaro, Davi Alcolumbre e o recém indicado Kassio Marques para aquela Suprema Corte, não foi pautada essa chicana jurídica estapafúrdia? Absurdo! Afinal, o senhor Alexandre Baldy é filiado ao Partido Progressistas (PP), tendo como presidente do partido o senador Ciro Nogueira, do Piauí, também denunciado por organização criminosa em Operação da Lava-Jato. Partido este, integrante do Centrão, base de apoio ao presidente Bolsonaro. Presidente, sua excelência desconfigurou seu discurso de campanha. Cadê a extinção do “toma lá dá cá”? Quanto ao procedimento do ministro Gilmar Mendes, era de se esperar. É conhecido como “garantista fraterno” dos locupletadores do erário. E a bebedeira continua...
Renato Mendes Prestes, Águas Claras

 

Reeleição
Observa-se, pela mídia, movimentações na Câmara e no Senado com o objetivo de se viabilizar a reeleição dos seus presidentes. Os eleitores que os colocaram ali, possivelmente, se fossem perguntados, não concordariam pelo simples fato de que, numa democracia, a alternância de poder é muito salutar. Num momento como este, suponho, o que a população almeja é que eles se preocupem com assuntos de interesse da maioria e que estão ao seu alcances. Tais como a prisão após a condenação em segunda instância e que esses corruptos que saquearam o país, sejam devidamente punidos e que ressarçam de forma integral, pagando com os próprios bens, se for o caso, os desvios de dinheiro público de forma ilícita
Vilmar Oliva de Salles,Taguatinga

 

Maus exemplos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mesmo combalido pelo novo coronavírus, sai do hospital ainda sem estar recuperado e, quase em fôlego, faz um discurso em que aconselha os norte-americanos a não temerem a covid-19. Guardadas as devidas singularidades, Trump repetiu o mesmo comportamento do seu idólatra, presidente Jair Bolsonaro. Mesmo infectado pelo vírus, o capitão afirmou que as pessoas não se acovardassem, não fossem fracas e voltassem ao trabalho, à vida normal. Incompreensível que, diante de milhares de cadávares, esses chefes de nação ainda tenham comportamento e discurso negacionistas. Acham normal a morte a milhares de pessoas por um vírus? Banalizam a vida, como se pudéssemos tirar outra do bolso do colete. A meu ver, ambos agem como déspotas do passado, que forçavam a ida de seus soldados para a guerra sem armas ou munição. Resguardados em seus palácios, com acesso ao que de melhor a medicina pode oferecer empurram o povo para que seja imolado pela doença. Em resumo, não são só negacionistas, mas irresponsáveis.
Alfredo Gonzaga, Jardim Botânico

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