Na aba do chapéu

ORLANDO THOMÉ CORDEIRO
postado em 16/10/2020 07:26 / atualizado em 16/10/2020 08:40

“Na Aba do meu chapéu, você não pode ficar, Porque meu chapéu, tem aba curta Você vai cair e vai se machucar”

Os versos do genial Martinho da Vila são apropriados para caracterizar situação bastante comum em campanhas eleitorais. São candidatos que buscam pegar carona na popularidade de lideranças locais, regionais ou nacionais. Em geral, o dono do chapéu costuma ser consultado previamente para autorizar a utilização da ligação política. Porém, em muitas ocasiões, o que se vê é o uso de imagens na base do se colar, colou. Na atual campanha, não está sendo diferente. E o chapéu com a aba mais disputada é o do presidente Bolsonaro.

Devido à crescente aprovação, o presidente se tornou apoiador cobiçado. Não à toa, a ampla maioria das candidaturas a prefeituras e câmaras municipais concentra-se nos partidos de sua base de sustentação. E há até mesmo casos de quem não comunga de seu ideário, mas procura um jeitinho de surfar na onda. Será que vai dar certo a tática?

Para responder, vale a pena analisar aspectos da última pesquisa CNI/Ibope, que avaliou a aprovação do governo federal bem como a expectativa em relação aos próximos dois anos. Foram 2 mil entrevistas, em 127 municípios, entre 17 e 20 de setembro. Considerando os percentuais de bom/ótimo e ruim/péssimo, nessa ordem, encontramos os seguintes dados para a avaliação do governo:

Por faixa etária: de 16 a 24 anos — 32% e 34%; 25 a 34 anos – 38% e 29%; 35 a 44 anos — 42% e 30%; 45 a 54 anos — 44% e 27%; a partir de 55 anos — 41% e 26%.

Por grau de instrução: até a 4ª série do Ensino Fundamental (EF) — 44% e 22%; 5ª a 8ª série (EF) — 40% e 27%; Ensino Médio — 41% e 29%; Ensino Superior — 33% e 36%.

Por condição do município: Capitais – 32% e 39%; Periferia — 41% e 29%; Interior – 43% e 26%.

Por número de habitantes: até 50 mil — 44% e 24%; mais de 50 mil até 500 mil — 42% e 28%; mais de 500 mil — 33% e 35%.

Por região: Norte/Centro-Oeste — 45% e 24%; Nordeste – 33% e 33%; Sudeste — 38% e 30%; Sul — 42% e 22%.

Por renda familiar (salários mínimos): até 1sm — 35% e 31%; mais de 1 até 2sm — 39% e 29%; mais de 2 até 5sm — 43% e 27%; mais de 5sm — 39% a 34%

Mantendo-se o critério para os percentuais de bom/ótimo e ruim/péssimo, nessa ordem, os dados quanto à expectativa em relação ao restante do governo são os seguintes:

Por faixa etária: 16 a 24 anos — 26% e 32%; 25 a 34 anos — 33% e 32%; 35 a 44 anos — 39% e 28%; 45 a 54 anos — 42% e 30%; de 55 anos em diante — 39% e 28%.

Por grau de instrução: até a 4ª série do ensino fundamental (EF) — 40% e 25%; 5ª a 8ª série (EF) — 38% e 30%; ensino médio — 35% e 29%; ensino superior — 32% e 35%.

Por condição do município: Capitais — 30% e 37%; Periferia — 40% e 28%; Interior — 38% e 27%.

Por número de habitantes: até 50 mil — 37% e 25%; mais de 50 até 500 mil — 40% e 28%; mais de 500 mil — 31% e 35%.

Por região: Norte/Centro-Oeste — 42% e 27%; Nordeste – 28% e 33%; Sudeste — 35% e 31%; Sul — 49% e 22%.

Por renda familiar (salários mínimos): até 1sm — 30% e 34%; mais de 1 até 2sm — 36% e 28%; mais de 2 até 5sm — 40% e 25%; mais de 5sm — 36% e 36%.

Ao observar o perfil das candidaturas, quase 60% delas têm entre 35 e 54 anos de idade, segmento da população em que o presidente apresenta os melhores índices de aprovação. Seria possível supor que venha se estabelecer algum nível de empatia entre eleitores e candidatos com base no cruzamento de identificação política e faixa etária? Creio que sim.

Outra questão interessante é verificar que, tanto na avaliação do presente quanto na expectativa em relação ao futuro do governo, os índices de desaprovação são praticamente os mesmos. Isso pode representar a tendência de uma parcela da população estar consolidando um sentimento de rejeição ao presidente. Porém, ainda não se pode afirmar que tal percepção seja irreversível.

Por seu lado, se é verdade que o auxílio emergencial contribuiu bastante para o aumento da popularidade presidencial junto aos segmentos mais pobres, é significativo ver que os 39% de aprovação do governo entre pessoas com renda familiar de 1 a 2 salários mínimos é exatamente o mesmo para as pessoas com renda familiar superior a 5 salários mínimos.

Com base nos dados, ouso afirmar que, na maioria dos municípios, o resultado das urnas em 15 de novembro indicará vitória eleitoral de candidaturas associadas ao campo bolsonarista, ajudando a criar base sólida com vista às eleições presidenciais de 2022. Vai vendo...

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação