Desde 1960

Visto, lido e ouvido

Circe Cunha (interina)
postado em 17/10/2020 23:40

Esperando D. Sebastião ou Godot

Uma das muitas evidências a demonstrar que a democracia brasileira ainda não atingiu a maioridade política, capaz de torná-la menos suscetível às más influências de governos autoritários e poucos esclarecidos, foi dada pelas eleições de 2018. Naquela ocasião, restou aos cidadãos, como alternativa na undécima hora, a opção entre uma esquerda decadente e flagrantemente corrupta e um candidato, que por seu longo e obscuro passado no Legislativo, apontava para a chegada ao poder, e de uma trupe de radicais e revanchistas de direita, sem estofo político-ideológico e, pior, sem compromissos claros com o processo democrático.

A bem dos fatos, desde a retomada da democracia nos anos 1980, o país ainda demanda por governos realmente sérios e hábeis política e administrativamente para levar o Brasil à posição que lhe cabe entre as nações desenvolvidas. O retorno à democracia não se fez acompanhar, como se esperava e esperançava, por democratas civis capazes de conduzir o país bom termo.

Fora o que acreditam os místicos, quando afirmam que o retorno dos civis ao poder seria seguido de imprecações por parte de uma ala de militares, o fato é que á população, de modo geral, ainda está, como na peça de Samuel Beckett, Esperando Godot. No nosso caso serviria, com mais precisão, a imagem profética do sebastianismo, que fez com que os portugueses congelassem no tempo, permanecendo, desde 1578, aguardando o retorno do rei D. Sebastião, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir.

A tão festejada democracia, se por um lado pôs termo a uma guerra civil não declarada oficialmente, não disse a que veio. A sequência ininterrupta de escândalos políticos que se seguiram, mesmo que não confiram legitimidade a março de 1964, empresta algumas razões àquele fato histórico, sobretudo, quando se conhece o caráter dos atuais políticos e a insistência como se laçam famintos aos recursos do erário.

Esses fatos nos levam ao terreno das incertezas, fazendo-nos acreditar que mais do que democracia, o que se requer primeiramente é uma educação para a democracia. Obviamente que esse caminho não será apontado, de forma alguma, pelas lideranças políticas que aí estão. Quem realmente poderia desempenhar esse papel seriam os professores, dentro das salas de aula. Mas, como a prioridade à educação neste país ainda é uma meta que não saltou do papel para a prática, continuaremos no aguardo. O que se sabe é que não pode haver plena democracia sem plena cidadania.

Por sua vez, o sentido de cidadania plena só pode ser atingido quando um Estado investe boa parte de seus esforços e de forma absoluta e sincera em educação. O mês de outubro é particularmente dedicado, em todo o mundo, a comemorações pela tarefa primordial desempenhada pelos professores. Mais do que um reconhecimento pela importância desses profissionais no desenvolvimento dos países, essas comemorações celebram, de forma universal, o único meio encontrado, até hoje, pela humanidade para progredir material e espiritualmente.

Tivessem frequentado escolas com qualidade de ensino e que muito mais que conteúdos, cuidassem da formação moral e cidadã, por certo a maioria de nossos políticos de ontem e de hoje, saberiam que esconder dinheiro sujo em cuecas e meias, mais do que uma forma sem higiene de camuflar bens alheios, é um atentado e crime contra todos aqueles que acreditaram em seus compromissos de campanha.

Da mesma forma, evitariam mentir sobre seus reais propósitos, assim como refutariam a obtenção de vantagens para si e seu grupo, seja de que tipo for. Se esse papel, desempenhado pelos profissionais de ensino, não é importante para o processo democrático, então nenhum outro também o é , restando a todos nós esperar pelo retorno dos nossos D. Sebastião e Godot, para nos livrar desta imensa confusão que temos em mãos.


A frase que foi pronunciada

“Prevejo a felicidade futura para os americanos se eles puderem evitar que o governo desperdice o trabalho do povo sob o pretexto de cuidar deles.”

Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos e o principal autor da declaração de independência dos Estados


Reconhecimento

» Cabe à Mayara Rocha defender a nomeação dos aprovados no último concurso da SEDESTMIDH. Com o quadro de funcionários superdefasado, principalmente na pandemia, os moradores de rua, crianças vulneráveis e idosos precisam de atenção e políticas públicas. Em 21 de outubro, às 10h, em frente ao Palácio do Buriti, seria simpático se a secretária fosse conhecer quem dedicou anos estudando e abdicando de diversões para fazer mais pela comunidade brasiliense.
Cá entre nós

» Fake não é. A China quer a vacina da Suécia. A relação entre os dois países não estava lá essas coisas desde a prisão do editor sueco de origem chinesa Gui Minhai.


Consome dor

» No Setor de Mansões do Lago Norte, durante toda a semana, os picos de luz foram constantes. Quem trabalha em home office sofreu com as quedas dos provedores de Internet. O atendimento da NET foi perfeito. Do diagnóstico ao compartilhamento da solução.

 

História de Brasília

O interessante do assunto, é que a polícia recebe dos cofres da União, desconta para o IPASE, e é auxiliar na Justiça, que recebe a “dobradinha”.(Publicado em 18/01/1962)

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