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''De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem hoje, no mundo,10 vacinas para o coronavírus sendo pesquisadas na fase três de testes com seres humanos''

Correio Braziliense
postado em 18/11/2020 06:00 / atualizado em 18/11/2020 08:48
 (crédito: JOEL SAGET / AFP)
(crédito: JOEL SAGET / AFP)

Enquanto os brasileiros acompanham, assustados, o recrudescimento da pandemia do novo coronavírus na Europa e o número de contagiados e mortos subirem a cada dia no país, também aumenta a esperança do surgimento de uma vacina contra a covid-19. Uma semana depois de a empresa americana Pfizer (em parceria com a alemã Biotech) anunciar resultados promissores com o imunizante que vem desenvolvendo (mais de 90% de eficiência), a farmacêutica Moderna, também dos Estados Unidos, divulgou análise preliminar em que sua vacina apresentou 94,5% de eficácia contra o vírus. A divulgação surpreendeu os meios científicos, que já comemoravam o comunicado da Pfizer e do Instituto Gamaleya, da Rússia, que garantiu ter alcançado eficácia acima de 90%.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem hoje, no mundo,10 vacinas para o coronavírus sendo pesquisadas na fase três de testes com seres humanos. Algumas delas prometem resultados preliminares até o fim do ano, no mais tardar, em janeiro. Inclusive, as duas com as quais o Brasil tem acordo de compra e transferência de tecnologia de produção: a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan — o presidente Jair Bolsonaro desautorizou a compra de 45 milhões de doses pelo Ministério da Saúde e politizou a questão com o governador João Doria, de São Paulo — e a do Reino Unido, desenvolvida pela Universidade de Oxford e a AstraZenaca, em cooperação com a Fiocruz/Manguinhos.

Atualmente, os dois imunizantes mais auspiciosos são justamente os da Moderna e da Pfizer, que usam a mesma e inovadora tecnologia. A empresa de biotecnologia Moderna, com a colaboração do Centro de Estudos em Vacinas do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, acompanha 30 mil voluntários. Até agora, o estudo apontou 95 casos de infecção pela covid-19, sendo apenas cinco dos que receberam duas doses da vacina e 90 dos que receberam o placebo (grupo de controle). Mais: dos 11 casos graves, nenhum foi do grupo dos que tomaram o imunizante. Assim, os pesquisadores concluíram que a eficácia é de 94,5%.

Os resultados são animadores, mas vários problemas têm de ser resolvidos antes que a vacina possa chegar a todos. A começar pela capacidade de produção. A Moderna informou que terá 20 milhões de doses disponíveis em dezembro e a Pfizer 50 milhões em prazo parecido. Os preços anunciados pelos dois laboratórios são altos, variando de US$ 60 a US$ 40, o que exigirá política arrojada do governo para a aquisição do imunizante. A expectativa é de que as farmacêuticas que têm acordo de produção com o Brasil apresentem, brevemente, desempenho semelhante. Com isso, o país teria independência na fabricação e na vacinação em massa da população.

Indiscutível que a comunidade científica se superou ao conseguir apresentar resultados tão promissores em tão pouco tempo, apenas 11 meses, recorde histórico para a produção de uma vacina. Isso contra um vírus totalmente desconhecido. Fica cada vez mais claro que o caminho certo para enfrentar crises sanitárias como a atual é investir pesado na ciência, na inovação e no desenvolvimento de novas tecnologias. 

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