ARTIGO

No ar, diversidade, negritude e universo gay

Rádio Web Manawa completa quatro anos de existência transmitindo diversidade e resistência

Oscar Henrique Marques Cardoso*
postado em 20/11/2020 22:40 / atualizado em 21/11/2020 08:55
 (crédito: Gomez)
(crédito: Gomez)

Palavra que vem de um dialeto havaiano, manawa quer dizer “o poder do hoje e do agora”. Manawa (pronuncia-se Manaua) também pode ser considerado como o poder da diversidade. Assim é a Rádio Web Manawa — emissora gaúcha que completou quatro anos de existência este ano. A iniciativa nasce do desejo da radialista Beatriz Fagundes em consolidar um projeto editorial que levasse a verdade e a resistência para o projeto de esquerda que era duramente atacado pelo golpe político que levou à queda da então presidente Dilma Rousseff. Beatriz, que esteve à frente de emissoras locais, entre elas, a Rádio Pampa, na qual construiu uma audiência sólida ao comandar programas nas manhãs, não encontrava mais espaço para opinar, algo que sempre foi sua característica mais forte no rádio.

Assim, a emissora tem produtos únicos e inéditos, jamais vistos na história do rádio gaúcho. Alguns destaques vão para a presença de comunicadores negros. Sem medo de errar, considero a emissora — que funciona sem sede própria, mas que existe de forma remota nos computadores de seus apresentadores, espalhados pelo Brasil e até no exterior — como a que mais tem negros e negras na produção e apresentação de programas. As caras pretas também podem ser conferidas nas lives dos programas, disponíveis pelas redes sociais Facebook e YouTube da emissora gaúcha.

A nova programação da Rádio Web Manawa entrou no ar no último dia 5 de setembro. Além do Programa Beatriz Fagundes, que leva o nome da criadora e diretora do projeto e vai ao ar todas as manhãs, de segunda a sábado, temos outras atrações, somadas ao Programa Horizontes, que é apresentado todas as tardes, ao vivo, às 15h em live pelo Facebok com transmissão simultânea pelo site da rádio, sob o comando da apresentadora Vera Lúcia Santos, mulher negra e também uma ouvinte que se tornou apresentadora. Vale destacar, ainda, as estreias de Revista Manawa, Roda de Niaras e Conversa às Escuras.

Além de marcar a volta do jornalista e radialista Oscar Henrique Cardoso, que apresenta o Revista Manawa todos os sábados, ao vivo, a partir do meio dia, podendo ser ouvido pelo site da rádio e também pelo aplicativo RadiosNet, duas novidades chamam a atenção. É o caso do programa Roda de Niaras, apresentado pelas jornalistas Renata Rodrigues Lopes, Simone Ramos, Clarissa Colares e Luciane Ferreiras. Todas mulheres negras, jovens e militantes, que levam temas relacionados à presença negra e ao combate ao racismo para a pauta do programa, exibido, ao vivo, em uma live no Facebook, toda quinta-feira, às 20 horas com transmissão simultânea pela rádio.

Conversa às Escuras, que pode ser visto toda sexta-feira, às 20h, pelo Facebook da rádio, traz, também em uma live, com formato semelhante ao programa Roda de Niaras, a presença do bailarino e modelo drag Sacha La Crey. Homem negro e homossexual, leva ao público o debate sobre os temas do universo LGBTQIA+, com um olhar todo especial para negros e negras. Ao assistir aos novos programas da emissora, nota-se a seriedade com a qual os temas são abordados, com conhecimento de causa pelos apresentadores, a qualidade dos entrevistados e a participação dos ouvintes.

A Manawa conta, ainda, com o programa Poder das Periferias, toda segunda-feira, às 18h. Apresentado diretamente de Ceilândia (DF), é comandado por Vivi Mikally da Silva, integrante da rede Emancipa — um movimento social pela educação, que organiza, desde 2007, cursos pré-vestibulares em 19 cidades de sete estados brasileiros. A pauta dá voz e vez à cultura popular e a lideranças sociais.

O poder da resistência sustenta-se pelo financiamento coletivo. São os recursos que garantem a manutenção da parte técnica do projeto, que é de responsabilidade do profissional de TI Jefferson Sampaio, também apresentador de programas na emissora. O cardápio da Manawa tem música e a participação de colaboradores, espalhados pelo Brasil. O que começou como uma alternativa para Beatriz Fagundes se manter no rádio, ofício que ama e no qual encanta a todos que a ouvem, nas manhãs gaúchas, torna-se um case de comunicação democrática, livre e resistente, diante de um sistema que cada vez mais tenta invisibilizar segmentos sociais.

Você pode acessar a Rádio Web Manawa pelo site www.manawa.com.br, também pelo aplicativo RadiosNet, digitando na lupa de busca por “Radio Web Manawa”. No Facebook e no YouTube, o interessado pode acessar e ver as lives dos programas pelo endereço “Manawa Radio Web”.

* Jornalista, radialista e escritor. É editor na Agbara Edições e apresentador na Rádio Web Manawa, em Porto Alegre

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