MARADONA

Homenagens em vida

''Não vale apenas para ídolos. Mas, para toda a sociedade, especialmente, parentes e amigos. Pense nisso''

Roberto Fonseca
postado em 27/11/2020 06:00 / atualizado em 27/11/2020 07:10
 (crédito: Arquivo/CB)
(crédito: Arquivo/CB)

As imagens com a comoção coletiva dos argentinos em torno da morte de Diego Armando Maradona nos remetem à primeira semana de maio de 1994. Tivemos tragédias com grande consternação nacional depois disso, como os acidentes aéreos da TAM, da Gol e os que vitimaram o grupo Mamonas Assassinas e a delegação da Chapecoense, mas as cenas de lágrimas, tristeza, saudades e admiração dos nossos vizinhos pelo jogador lembram demais a despedida dos brasileiros a Ayrton Senna. Dias que ficarão para sempre na memória.

A compaixão em torno de Maradona, no entanto, reúne características únicas. Primeiro, pelo momento em que ocorre, em meio à mais grave crise sanitária do século. Os efeitos do novo coronavírus ainda serão sentidos por muitos anos na economia e no emocional da população. Tanto que, apesar da recomendação para os argentinos manterem o distanciamento durante o velório do craque, a tarefa era árdua, inclusive com confronto com policiais. Muitos encontravam no desconhecido ao lado o colo amigo.

Segundo, porque Maradona demonstrava em vida ser um humano como todos nós. Ao contrário dos grandes ídolos, que muitas vezes carregam consigo o símbolo da imortalidade ao só serem ressaltadas as virtudes, o craque argentino deixava transparecer todos os seus problemas e defeitos. E, em tempos de smartphones por todos os lados, não faltaram filmagens nos últimos anos mostrando um pouco da vida fora de campo de Don Diego.

Em vida, recebeu dezenas de homenagens. Era reverenciado em cada estádio que pisava na Argentina. Em outubro do ano passado, teve, inclusive, direito a um trono quando se reencontrou com o Newell’s Old Boys, clube de Rosário pelo qual jogou sem brilho nos anos 1990. E continuará sendo venerado. Tanto que o Napoli, da Itália, anunciou que mudará o nome do estádio San Paolo para Diego Armando Maradona. Justo demais.

Por sua vez, fico vislumbrando o tanto que gratificante seria receber a homenagem em vida. Imagina saber que passaria a dar nome a um estádio. Só poderia fazer bem a ele. Por isso, penso que todas as celebrações são merecidas, principalmente, se o homenageado conseguir participar. É uma regra universal. Não vale apenas para ídolos. Mas, para toda a sociedade, especialmente, parentes e amigos. Pense nisso.

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