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postado em 17/12/2020 21:07

Hortas
Quero apresentar minha gratidão ao Correio Brasiliense. No início da primavera de 2007, minha família e eu recebemos a equipe de reportagem para entrevista sobre a nossa pequena e ainda incipiente horta na frente da casa. A matéria, publicada em 27/9, repercutiu tanto que vimos ocorrer uma verdadeira peregrinação de curiosos ao local. Daí em diante, implementamos várias atividades correlatas e complementares. O espaço reduzido — apenas 50m² — não é empecilho para o cultivo de mais de 100 espécies de ervas medicinais, condimentos e verduras orgânicas; acolhimento de pequenos animais silvestres, doação de folhagens à comunidade, produção de mudas, atividades infantis e culturais, atendimento a pessoas carentes. Hoje, somos o modelo embrionário do governo para a implantação de centenas de hortas semelhantes no DF.
Sandra Fayad, Asa Norte


Vacinas
O Brasil está em uma turbulência cruel e tenebrosa com essa terrível pandemia. O presidente Bolsonaro recentemente disse: “Estamos no finalzinho”, só se for no finalzinho do poço sobre a covid-19. Primeiro, foi uma “gripezinha”, depois, um “resfriadinho”, que já causou mais de 180 mil óbitos. Sobre as vacinas: cada um puxa a farinha para seu lado. João Doria parece um lobista dos chineses. Pensando em 2022, ele quer direcionar tudo para ser o salvador da pátria. Acontece que toda logística tem que ser por intermédio do Ministério da Saúde, apático e inoperante. O ministro da Saúde está mais perdido do que cachorro quando cai de um caminhão de mudança. Até o momento, quem direcionou o assunto com seriedade foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se pronunciou corretamente, não como político, mas como médico. Essas balbúrdias todas fazem-nos lembrar de Didi, Dedé, Mussun e Zacarias: os trapalhões.
Saulo Siqueira, Asa Norte


Em um dia, o presidente participa de cerimônia para anunciar um plano de vacinação contra a covid-19. Fala amigavelmente com todos os governadores, sem excluir o governador de São Paulo, João Doria, o inimigo eleitoral de 2022. Em outro, anuncia a liberação de R$ 20 bilhões para compra de vacinas, mas, ao mesmo tempo, reafirma que a adesão à campanha do governo deve ser voluntária. Diante de tamanha crise, ele opta por reforçar o discurso dos antivacinas, quando deveria estimular que todos os brasileiros se vacinassem tão logo o remédio esteja à disposição da sociedade brasileira. Faz um discurso contrário ao do Supremo Tribunal Federal, onde a tendência é pela obrigatoriedade da imunização. Ainda que os anticiência se recusem à imunização, há muitas formas de pressioná-los, como vetar o ingresso dos não vacinados em locais públicos ou em instituições públicas e privadas, como medida sanitária para evitar a proliferação do vírus. Possivelmente, o presidente ainda não compreendeu que é preciso vacinar o maior número de pessoas para conter a circulação do vetor da covid-19 — também, isso seria exigir muito dele. Ao reafirmar que não tomará a vacina, ele só colabora para criar um clima de insegurança e desconfiança contra os benefícios das vacinas e para a produção de fake news criminosas, produzidas pelos antivacinas e seus seguidores, que invadem as redes sociais.
Afonso Guimarães, Noroeste


Mudanças
O comportamento atual do povo brasileiro é indecifrável. Com mais de oito décadas vividas, sou sempre arguto observador de nosso perfil. Mudou para pior. Sou saudosista, não me envergonho de tempos mais afetivos e amenos. Não havia o desrespeito nem o ódio entre as pessoas. Atualmente, na nossa prepotência, ainda não percebemos que não somos o povo mais cordial do mundo, do melhor futebol e do carnaval (hoje, é só pagar que vira samba-enredo). O louvável é ser truculento e destemido no mau sentido. O povo está ferrado. Os que conseguem trabalhar vivem da nefasta comissão, sem carteira assinada. Agora, os donos do poder, culpando a crise, os empresários humanistas colocaram os preços nas nuvens. As tevês nos empanturram de produtos duvidosos (principalmente, medicamentos) com a complacência da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Só o Moacyr Franco me ligou três vezes tentando me empurrar o tal do ômega 3. Outros formadores de opinião, despudoradamente, propagam remédios fajutos. Não sei se é um consolo, mas é mundial a picaretagem. Quando não estiver nauseado, mostrarei exemplos deploráveis em outras plagas. Aguardem.
Renato Vivacqua, Asa Norte

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