VISÃO DO CORREIO

Um feliz ano-novo

2020 não será uma travessia tranquila, é certo. Por isso, mais do que nunca, o país precisará de união. O Brasil já perdeu tempo demais com uma divisão que inviabilizou o andamento de projetos importantes para que a população possa desfrutar de dias melhores

Correio Braziliense
postado em 31/12/2020 06:00
 (crédito: Julio Lapagesse/CB/D.A Press)
(crédito: Julio Lapagesse/CB/D.A Press)

O ano de 2020 termina hoje, com um saldo negativo e muitos desafios, mas carregado de esperança. Quase 200 mil brasileiros perderam a vida para a covid-19, contudo, o início de um processo de imunização está mais próximo dos brasileiros. No mercado de trabalho, são 14 milhões de desempregados, porém, ainda que lentamente, o número de vagas formais começa a aumentar. A pobreza, por sua vez, arreganhou os dentes e explicitou todo o seu horror. A perspectiva, no entanto, é a de que o Brasil retome um crescimento econômico mais vigoroso, o melhor caminho para a distribuição de renda.

Não será uma travessia tranquila, é certo. Por isso, mais do que nunca, o país precisará de união. O Brasil já perdeu tempo demais com uma divisão que inviabilizou o andamento de projetos importantes para que a população possa desfrutar de dias melhores. Os políticos responsáveis pela condução desse transatlântico ocupado por 210 milhões de pessoas precisam deixar de lado divergências miúdas e entregar o que o povo espera deles. Afinal, foi para isso que receberam mandatos. Pontos de vistas diferentes fazem parte do jogo democrático, mas priorizar projetos pessoais é um acinte ante os problemas a serem enfrentados.

O Brasil ainda é um país de jovens, e são eles os que mais precisam de esperança num futuro que insiste em não chegar. Um em cada três brasileiros de 17 a 24 anos está desempregado. Pior: boa parte deles não estuda e nem trabalha. Como falar em dias melhores se justamente aqueles que vão tocar o país mais à frente não têm qualquer perspectiva de ascenderem socialmente? Ainda há tempo para se recrutar esse contingente desesperanço e engajá-lo em um projeto de crescimento econômico inclusivo, com educação e saúde de qualidades. São anseios mais do que justos. O Brasil não tem mais o direito de falhar com as novas gerações.

O ano-novo é um período especial para se rever erros e priorizar acertos. Os governantes não podem, entretanto, apegarem-se a promessas que não serão cumpridas. O Brasil, todos sabem, tem um potencial enorme. É, hoje, um dos maiores produtores de alimentos do mundo. O campo, ressalte-se, só tem dado boas notícias. A indústria, que sofreu muito com a pandemia do novo coronavírus, está conseguido dar a volta por cima, reabrindo vagas e retomando investimentos. Para esse movimento ser mantido, porém, é necessário um ponto-chave: confiança. E ela só virá por meio de compromissos concretos com a estabilidade política e sem aventuras na economia.

O ano de 2021 será o começo de uma nova década. Desde os anos 1980, as frustrações têm sido constantes. Nos últimos 10 anos, de 2011 a 2020, o Brasil cresceu, em média, menos de 0,5% ao ano. É nada para um país com tantas demandas, sobretudo sociais. Que as portas que se abrem sejam sustentadas pelo bom senso, pelo respeito ao próximo, pela preservação da vida, por mais confiança na ciência, por menos negacionismo. As cartas estão nas mesas. O aprendizado com o duro ano que se encerra deve ser o norte para a certeza de que teremos o privilégio de habitar uma nação mais justa e de oportunidade para todos. Feliz ano-novo!

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