Visão do Correio

A balança comercial

''A previsão da equipe econômica é que, neste ano, o volume será um pouco maior, de US$ 53 bilhões, o que representa elevação de 3,9% ante 2020, contribuindo, assim, para melhorar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB)''

Correio Braziliense
postado em 06/01/2021 06:00 / atualizado em 06/01/2021 09:11

Mesmo com as atividades econômicas sendo impactadas pela pandemia do novo coronavírus, o que levou vários setores a amargar resultados negativos no ano passado, a balança comercial brasileira registrou superavit de US$ 51 bilhões em 2020, sobretudo por causa da desvalorização do real frente ao dólar e à queda das importações — as exportações também diminuíram, mas em menor escala. A alta nas contas externas foi de 7% em relação ao ano anterior, cujo saldo foi de US$ 48 bilhões, desempenho que já tinha sido comemorado pelo governo.

A previsão da equipe econômica é que, neste ano, o volume será um pouco maior, de US$ 53 bilhões, o que representa elevação de 3,9% ante 2020, contribuindo, assim, para melhorar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Ano passado, as importações custaram ao país US$ 158,9 bilhões, queda de 9,7% em relação a 2019, quando foram de US$ 177,3 bilhões. As exportações, por seu lado, tiveram declínio menor, de 6,1%, e somaram US$ 209,9 bilhões, contra US$ 225,4 bilhões em 2019.

Economistas acreditam que o bom resultado das trocas comerciais externas, no ano passado, deve-se ao ritmo de recuperação das economias da Ásia, notadamente a China, dos Estados Unidos e dos países da União Europeia (UE), principais parceiros do Brasil no comércio exterior, além da Argentina. O saldo das vendas internacionais só foi positivo com a China, que registrou alta de 7,3% no ano que terminou.

Com isso, a participação do gigante asiático na balança comercial saltou para 33,4%. Antes, representava 29,2%. As vendas externas para os Estados Unidos retraíram 27,2%, para a zona do euro, 13,5%, e, para a América do Sul, 18,3%. Mesmo com essa contração, especialistas apostam numa retomada vigorosa das maiores economias do mundo após a vacinação em massa contra a covid-19.

Mais uma vez, o agronegócio se sobressai nos indicadores do Ministério da Economia. O setor foi o único a apresentar crescimento, entre todos os itens da pauta. As exportações foram de US$ 45,3 bilhões, contra US$ 43 bilhões em 2019. Em sua conta, o governo não considera toda a cadeia do agronegócio. Quando inclui produtos processados, as vendas para o exterior podem chegar a US$ 112,9 bilhões em 2021.

As expectativas do governo são de um cenário mais positivo, mas insuficiente para recuperar as perdas de 2020. A projeção indica alta de 5,3% das exportações e de 5,8% das importações. Apesar disso, a equipe econômica aposta que a balança comercial irá ajudar na formação positiva do PIB deste ano.

Certo é que o Brasil precisa investir na diversificação de seus produtos no mercado mundial, priorizando os de maior valor agregado, pois, só assim, ficará livre das incertezas proporcionadas pelos preços das commodities, principais itens de sua pauta de exportações.

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