EUA

Trump vai tarde

''Desde que ascendeu ao poder, em 20 de janeiro de 2017, o republicano semeou discórdia, promoveu a intolerância racial, disseminou fake news pelas redes sociais e zombou da imprensa''

Rodrigo Craveiro
postado em 13/01/2021 06:00 / atualizado em 13/01/2021 08:43

“A democracia é preciosa e, como todas as coisas preciosas, é frágil.” A declaração foi feita ao Correio por Allan Lichtman, historiador político da American University que previu a derrota de Donald Trump nas eleições de 3 de novembro. A covarde e absurda invasão ao Capitólio foi uma agressão não apenas ao Legislativo e a um dos símbolos do poder nos Estados Unidos. Sob a incitação de Trump, trogloditas, supremacistas brancos e fanáticos da extrema-direita — que confiam e vomitam teorias da conspiração e fake news — colocaram uma faca contra o pescoço da democracia norte-americana. O ataque ao Congresso foi um desastre político, mas, sobretudo, uma tragédia humana. Cinco pessoas perderam a vida nesse arroubo estúpido e irracional. Se alguém saiu derrotado nessa imbecilidade, foram o próprio Trump e seus asseclas.

O 6 de janeiro de 2021 entra para a história como um dos dias mais sombrios da história dos Estados Unidos. Mas, também, como a descida do homem mais poderoso do mundo à ultrajante posição de golpista. Trump tem as mãos manchadas de sangue e deveria ter sido imediatamente afastado do cargo e retirado da Casa Branca pela polícia. Acuado, Trump ganha um lugar na história como um presidente mau perdedor, que caiu na própria armadilha do ego. Em exatamente uma semana, caso não ocorra nenhuma intercorrência antes disso (a invocação da 25ª Emenda pelo vice, Mike Pence, ou um improvável impeachment sumário), Trump terá virado passado.

Preocupa o fato de que seu rebanho de seguidores possa tratá-lo como mártir e iniciar uma onda de protestos violentos em resposta ao resultado de uma eleição que julgam fraudada. A própria vida do democrata Joe Biden corre risco. A invasão ao Capitólio foi uma demonstração do alcance da polarização política e da irracionalidade. A sina de Trump é apenas daquele que agora colhe o que plantou.

Desde que ascendeu ao poder, em 20 de janeiro de 2017, o republicano semeou discórdia, promoveu a intolerância racial, disseminou fake news pelas redes sociais e zombou da imprensa. A extirpação de Trump das redes sociais é resposta à truculência e à exortação da divisão. Quem aponta suposta afronta à liberdade de expressão deplora a verdade ou corteja o radicalismo. Que o fim merecido de Trump sirva de lição para outros líderes que colocam seus projetos políticos acima do bem-estar do povo e aviltam a democracia, desprezando a própria nação.

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