INTERNACIONAL

Marrocos e Estados Unidos, parceria promissora para África

''Em conclusão, Marrocos e os Estados Unidos estão implementando uma parceria pioneira em benefício da África e mais particularmente do Atlântico Sul; uma parceria que abordará os desafios de segurança enfrentados pela África e investirá no enorme potencial econômico do continente''

postado em 14/01/2021 06:00 / atualizado em 14/01/2021 08:36

Nabil Adghoghi
Embaixador do Marrocos no Brasil 


A inauguração, no último domingo (10/1), pelos Estados Unidos de um Consulado-Geral na cidade de Dakhla, no extremo sul do Reino de Marrocos, foi um evento simbólico bem peculiar (acontece exatamente 200 anos após a abertura, em 1821, da primeira legação norte-americana em Tânger, localizada no extremo norte do país). Também celebra o caráter excepcional da relação entre o Marrocos e os Estados Unidos.

Recordando que o Marrocos foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência e a soberania dos Estados Unidos em 1777. Washington sempre considerou Marrocos como um aliado chave e um parceiro de referência na África e no Oriente Médio.

Além de ser um grande aliado não nato (com o Brasil), assim como o único país africano a dispor de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, o Marrocos está desenvolvendo uma cooperação militar robusta e ambiciosa com o país norte-americano; o exercício conjunto “African Lion”, que reúne anualmente a Marinha dos EUA e as Forças Armadas Reais, é considerado um dos exercícios conjuntos mais importantes do mundo, com a participação de mais de 5.000 homens. Este exercício anual consolida a interoperabilidade entre as forças armadas dos dois países, especialmente na área de segurança marítima.

Na mesma linha, em outubro de 2020, os dois países assinaram uma “Road map para a Cooperação em Defesa 2020-2030”, cuja implementação permitirá a Rabat e Washington enfrentar os desafios de um ambiente de segurança complexo (terrorismo, ameaças transnacionais, fragilidades em segurança no Sahel e no Sahara...). Nesse sentido, a coordenação operacional entre os serviços de inteligência dos dois países na luta contra o terrorismo é bem exemplar, tanto a nível bilateral quanto no âmbito de várias iniciativas internacionais.

Além da dimensão bilateral, a inauguração do Consulado Geral dos Estados Unidos, na cidade de Dakhla, reafirma o reconhecimento oficial pelos Estados Unidos da plena e legítima soberania do Marrocos sobre o território do Sahara. Este reconhecimento, que já foi comunicado por Washington ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e aos membros do Conselho de Segurança, permitirá uma mudança de paradigma na maneira como o Conselho de Segurança lida com a questão do Sahara marroquino, e abrirá uma nova dinâmica para a aceitação da autonomia sob a soberania marroquina como a única base para alcançar uma solução política pacífica e consensual para um conflito regional herdado da Guerra Fria.

Em terceiro lugar, a inauguração do Consulado-Geral norte-americano em Dakhla, que incluirá o escritório regional da iniciativa “Proposer Africa”, abre um horizonte ambicioso para África. Prosper Africa é uma iniciativa que reúne 17 agências americanas (Exim Bank, OPIC -Overseas Private Investment Corporation, USAID, Millennium Challenge Corporation...), cujo objetivo é conectar as empresas americanas com a economia africana emergente, particularmente, em setores de energia, de agrobusiness, de defesa e de saúde.

A Prosper Africa está, portanto, fazendo do Marrocos seu hub para a África, como apontou o CEO da Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA (DFC), Adam Boehler, que prometeu aumentar os investimentos dos EUA no Marrocos para US$ 5 bilhões, a fim de fortalecer a posição do Marrocos como um polo econômico na África. Em conclusão, Marrocos e os Estados Unidos estão implementando uma parceria pioneira em benefício da África e mais particularmente do Atlântico Sul; uma parceria que abordará os desafios de segurança enfrentados pela África e investirá no enorme potencial econômico do continente.

Tendo em vista a grande convergência de postura entre as três capitais (Brasília, Rabat e Washington) sobre uma série de questões internacionais (o terrorismo e o crime organizado; Irã; Venezuela; a luta contra o extremismo...), elas têm todo o potencial para serem protagonistas de uma visão inovadora, que combine maior coordenação dos seus esforços em segurança regional e potencialização das oportunidades de negócios entre os seus setores privados, com o objetivo de tornar o Atlântico Sul numa área segura, próspera e unida.

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