Visão do Correio

Insurreição condena Trump

''No momento mais crucial da nação, com o avanço da pandemia do novo coronavírus, ele tentou minimizar o impacto em defesa da economia. Foi obrigado a recuar quando o país se tornou epicentro da crise e, hoje, têm o maior número de infectados e mortos do planeta''

Correio Braziliense
postado em 14/01/2021 06:00 / atualizado em 14/01/2021 08:38

A seis dias de deixar a Casa Branca, Donald Trump, avaliado como o pior presidente dos Estados Unidos, teve o segundo pedido impeachment aprovado pela Câmara dos Representantes, por 232 a 197 votos, sendo 10 votos de republicanos. Ele é acusado de “incitar uma insurreição”, que resultou, há uma semana, na invasão do Capitólio por centenas de seguidores radicais, que vandalizaram as instalações, entraram em confronto com seguranças e policiais, o que ocasionou a morte de cinco pessoas, entre elas, a de um guarda do Legislativo.

A agressão contra o Congresso ocorreu durante a sessão marcada para parlamentares chancelarem o resultado do Colégio Eleitoral que confirmou a vitória do democrata Joe Biden como o novo presidente dos Estados Unidos, por 306 votos contra 232 dados a Trump. Em fevereiro de 2020, o primeiro impedimento de Trump foi aprovado pela Câmara, mas ele acabou absolvido pelo Senado. Na época, uma investigação da Câmara revelou que o presidente norte-americano havia solicitado ajuda da Ucrânia para interferir nas eleições, acusando o filho de corrupção.

O segundo processo de impeachment de Trump, agora, será julgado pelo Senado. A Alta Câmara está, literalmente, dividida entre republicanos e democratas — cada um dos partidos ocupa 50 cadeiras. Serão necessários 67 votos (2/3 dos senadores) para que a decisão dos deputados seja confirmada. Ou seja, além dos votos de todos os democratas, serão precisos mais 17 apoios de republicanos para que Trump seja o primeiro presidente impedido dos EUA, em 232 anos de República.

Ainda que o impeachment do quase ex-presidente se confirme, isso não significa que o mundo estará livre de seu retorno ao poder. Para tirá-lo do mapa político, será preciso que o Senado, numa segunda votação, reafirme a decisão contrária a ele, com base em um dos artigos da 14ª Emenda à Constituição, que veda a ocupação de cargos na administração pública por pessoas que tenham participado de insurreições ou rebeliões. Restará a Trump apelar à Justiça e aproveitar a ausência de lei que regulamenta o dispositivo constitucional.

Em quatro anos de mandato, Trump usou e abusou de fake news, revelou-se autoritário, demonstrou total e absoluta falta de empatia com os menos favorecidos, estimulou a violência contra os negros, dividiu a sociedade norte-americana com discursos e atitudes de ódio. Com a derrota nas urnas, depreciou o Judiciário e apelou para mais mentiras, ao alegar que houve fraude.

No momento mais crucial da nação, com o avanço da pandemia do novo coronavírus, ele tentou minimizar o impacto em defesa da economia. Foi obrigado a recuar quando o país se tornou epicentro da crise e, hoje, têm o maior número de infectados e mortos do planeta. Ele não só foi considerado um péssimo governante, mas se fragilizou ainda mais com os seus últimos atos contra a democracia norte-americana, até então, um ícone entre as nações que têm igual regime de governo. Trump partirá sem deixar saudades, e entra para a história como um desastrado.

Proteção a criminosos

A barbárie aconteceu em 2017, em Jarinu (SP): um covarde assassinou brutalmente a mulher, com nove facadas. Os relatos são de que houve uma briga entre o casal, e ele segurou a esposa pelos cabelos, a prensou contra a parede e começou a golpeá-la. A violência foi presenciada pelos três filhos da vítima, de 7, 9 e 12 anos. As crianças perderam a mãe de forma cruel e ficaram com um trauma que pode durar a vida toda.

O canalha foi condenado a 21 anos de detenção — uma pena extremamente branda para algo tão perverso. Mas ficou pior. No início deste mês, a 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu o tempo de reclusão para 16 anos. Ou seja, com todas as benesses do nosso Código “Penal” — que tanto protege bandidos —, em breve, as crianças vão se deparar com o ex-padrasto andando livremente pelas ruas, aproveitando a vida como quiser. É muito revoltante.

O caso de Jarinu, assim como um sem-número de outros, mostra a urgência de o Congresso aprovar leis rígidas contra a criminalidade violenta. Hoje, o máximo que um condenado pode ficar atrás das grades é 40 anos. E esse limite é ilusório. Ninguém chega nem perto de cumprir uma sentença dessa, justamente pelas regalias da lei.

Infelizmente, a Constituição proíbe penas de caráter perpétuo, porém, é possível mudá-la, ou, ao menos, prever detenções mais longas e determinar a obrigatoriedade de cumprimento delas na totalidade. Há uma infinidade de críticas — pertinentes — à superlotação dos presídios brasileiros. Mas, por que isso acontece? Porque, entre outros múltiplos problemas, deixam encarcerados condenados com nível de periculosidade baixo, que não perpetraram crimes violentos. Para esses, poderiam ser aplicadas penas alternativas. O importante é deixar longe da sociedade, o máximo de tempo possível, os mais perigosos, os mais violentos. Aí, dizem: “Ah, mas prisões não são eficientes para reduzir a criminalidade”. E eu pergunto: é mais eficaz devolver rapidamente às ruas os seres abjetos?

Acredito, sim, em penas alternativas e em iniciativas de ressocialização para condenados por outros tipos de delitos. Mas infames capazes de atrocidades como a de Jarinu e as cometidas contra crianças deveriam apodrecer na cadeia — na falta de prisão perpétua, ficar trancafiados por longos anos. É uma questão de segurança pública. Não há que se falar em ressocialização dessa escória.

Sr. Redator

Maguito Vilela
Muito triste a morte do prefeito de Goiânia. O caso, entretanto, expõe a falta de informações sobre o real estado de saúde física e mental de candidatos a cargos eletivos — especialmente os de administração — e traz à tona a falta de exposição de vices de candidatos, que não participam, ao menos, de debates. A refletir: candidatos mais idosos deveriam considerar os riscos de contraírem doenças graves, em vez de se iludirem com a picada da mosca azul do poder. Fica aí uma dica para mudanças — para melhor — no sistema eleitoral brasileiro.
Marcos Paulino, Águas Claras


Voto impresso
Não sei ainda o porquê da fobia do voto impresso. Não se está discutindo a falta de confiabilidade nem a lisura da urna eletrônica, apenas a tornando, sob todos os pontos de vista, mais confiável. Os hackers, comprovadamente, já invadiram sistemas tão ou mais seguros, como bancos, tribunais superiores e instituições que se acreditavam cem por cento seguras. Por que não teriam condições de acessar e manipular essas urnas? O que se pede é justamente o contrário do que se propaga. O voto impresso seria, ou será então, a comprovabilidade de sua lisura: o eleitor vota, digitando os números de seus candidatos e aparecerá, além do mostrado na tela, também no comprovante impresso digitado. O que faz o eleitor, após a leitura de seu voto é, vendo que o mesmo foi corretamente impresso, deposita-o na urna que, ao final da votação será lacrada, com assinatura de todos os mesários e fiscais de partido credenciados naquela seção eleitoral. Não haverá, portanto, como se prega, a interminável leitura e contagem do voto a voto, pois a urna só será aberta em caso de contestação, como eleitores que tenham certeza de terem votados em algum candidato, mesmo seguindo todo esse procedimento, não tenha encontrado naquela seção eleitoral seu voto contabilizado em favor do seu ou dos seus candidatos. Portanto, repito, não entendo o pavor do voto impresso, como caro e inviável, mesmo e porque sua implantação seria um atestado de confiabilidade, lisura e honestidade à urna eletrônica.
Humberto Aquino, Asa Norte


Vacina
Imagens que causam inveja aos apreensivos e sofridos brasileiros, ansiosos pela vacina milagosa: médico dançando e cantando, no hall do hospital, em Israel, com grupo de profissionais de saúde, depois de mais uma etapa vitoriosa de vacinação contra a covid-19.
Vicente Limongi Netto, Lago Norte


Descrédito
A mídia tem procurado de todas as formas fazer com que as pessoas desacreditem no governo Bolsonaro, usando meias palavras, notícias alarmantes, falas mal interpretadas, e por aí vai. Tenho acompanhado quase todas as declarações, discursos e conversas do presidente Bolsonaro com seus apoiadores; não consegui depreender nenhuma manifestação dele que pudesse indicar uma ação dirigida ao não uso das vacinas, ou mesmo intenção de retardar o andamento pelos órgãos responsáveis. Dizem que ele “atrapalha o início da vacinação em nosso país, quando mais de 50 países já começaram o processo”... De onde podemos inferir tal atitude? Gostaria que me indicassem uma fonte fidedigna para confirmar como Bolsonaro teria agido para atrapalhar o início da vacinação!
José de Mattos Souza, Lago Sul


Rádio
A extinção da rádio Brasília Super FM foi uma perda considerável para o meio cultural da cidade. Hoje, para muitas pessoas, não há emissora com um mínimo de qualidade, que dê para se ouvir em Brasília. Em geral, só se ouve “músicas” ruidosas, que perturbam a mente e o espírito, e enervando ainda mais as pessoas, que já andam tão agitadas. Precisamos de sons que acalmam e tragam paz e sossego.
Humberto Pellizzaro, SCLRN

Desabafo

Pode até não mudar a situação, mas altera sua disposição

Montadoras em pânico pelos efeitos das inovações tecnológicas. Quem não produzir híbridos e elétricos pode fazer as malas!
José Matias-Pereira — Park Way


Depois da Ford, qual será a próxima montadora a puxar o carro?
Vital Ramos de V. Júnior — Jardim Botânico


O presidente falou que o Brasil está quebrado, porém, o português da padaria contesta: “O país está
uma maravilha”.
Eriston Cartaxo —Setor Noroeste.


Bolsonaro quer manter sob sigilo sua caderneta de vacinação por 100 anos. E quem se importa com isso? Ele não é antivacinas?
Maria do Carmo Vieira — Octogonal


O título da seção Mercado S/A, de ontem, “Devemos tolerar o intolerável?”, invocando Voltaire, embora aparentemente dedicado ao caos trumpiano, teria alguma coisa a ver com o nosso intragável similar brasileiro?
Lauro A. C. Pinheiro – Asa Sul

Erramos

Diferentemente do que foi publicado na reportagem “Amor (e som) de filho”, na página 20 da edição de 13/1, o cantor Moraes Moreira não morreu de covid-19, mas, sim, de causas naturais.

 

Charge

 (crédito: Kleber)
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