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Quo vadis Brasil?

Circe Cunha (interina) // circecunha.df@dabr.com.br
postado em 16/01/2021 20:29

Um olhar, mesmo que superficial, sobre as manchetes que estampam os principais jornais do país e mesmo aqueles disponíveis em português, pode fornecer uma dimensão ampla e resumida dos problemas atuais vividos pela população brasileira e a visão que o mundo exterior vai fazendo de nós, e da nossa capacidade de resiliência, diante de uma pandemia que parece recrudescer através de uma variante ainda mais mortífera.
Obviamente que o que ocorre conosco, é fruto de um conjunto formado por ações e inércias tanto do governo, como por parte da sociedade. O pouco empenho das autoridades, desmotivadas pelo insistente negacionismo das ciências médicas, feitas pelo próprio chefe do Executivo e, por tabela, da população, que parece ter relaxado demasiadamente nas medidas protetivas e nos protocolos que orientam o distanciamento físico entre as pessoas, vão mostrando seus resultados macabros de curto prazo.
Ainda assim, em meio ao pânico instalado há mais de um ano, e que já ceifou mais de 200 mil cidadãos internamente e 10 vezes mais em todo o mundo, o que se vê, por parte das principais lideranças do país, é uma total e cínica indiferença com as agruras experimentadas pelos brasileiros. O que se vê, lê e é ouvido, na maioria das reportagens publicadas nesses dias recentes, mostram nossos homens públicos imersos e devotados exclusivamente aos assuntos que lhes dizem respeito direto e que podem render dividendos imediatos.
Discutem, suas excelências, em debates acalorados e com mútuas acusações e impropérios diversos, assuntos “urgentes” como as próximas eleições para a Mesa das duas Casas Legislativas e outros temas correlatos e distantes da dura realidade enfrentada pela nação.
O presidente da República, que em momento algum se mostrou presente fisicamente nos hospitais do país, como recomenda o cargo e a ética pública, para oferecer seu apoio moral aos combalidos pela covid, resume e gasta seu curto expediente diário com discussões vazias, com temas impróprios, como é caso de sua rusga pessoal contra adversários políticos e a imprensa em geral.
Só para colocar em termos comparativos, o que trouxe grande prestígio, junto aos britânicos e que perdura até hoje, foi a demonstração de coragem da realeza ao permanecer numa Londres, assolada por um intenso bombardeio e consumida pelas chamas. Pessoalmente a própria rainha Elizabeth II, conduzia uma ambulância do Exército no socorro às vítimas, numa demonstração de desprendimento e patriotismo coragem, mostrando-se sempre e atuante durante o sofrimento de seus súditos. Igual denoto jamais foi visto por essas bandas. Ao invés disso, o que se observa por essas bandas, são as férias, fora de contexto, desfrutadas em praias badaladas e outras atividades lúdicas, e mesmo afrontosas, diante do morticínio de muitos compatriotas, esquecidos em hospitais mal equipados e enterrados em covas rasas às centenas diariamente.

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