Visão do Correio

A saúde mental pede socorro

''A pandemia vai passar. E a sua saúde mental? Como fica?''

Correio Braziliense
postado em 29/01/2021 06:00 / atualizado em 29/01/2021 09:06

A pandemia de covid-19 tem provocado efeitos perversos que vão muito além da contaminação pelo novo coronavírus. O fantasma da doença impacta fortemente a saúde mental, que fica muito fragilizada diante de uma ameaça invisível e mortal. Isolados em casa, afastados da família ou internados longe de entes queridos, muitos desenvolvem ou têm agravados quadros de depressão, ansiedade ou síndrome de Burnout (esgotamento físico e mental intenso), entre outras patologias mentais.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o segundo país com maior número de pessoas com depressão nas Américas, com 5,8% da população acometida pela doença, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos. É também o país com maior prevalência de ansiedade: 9,3%. E o suicídio, tema ainda tabu, mas que precisa ser encarado de frente, representou 12,5 mil vidas perdidas em 2017, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, a cada 46 minutos uma pessoa tira a própria vida, sendo mais observada na parcela de jovens entre 15 e 29 anos e relacionada a alguma doença mental, principalmente a depressão.

Esses dados sinalizam para a situação epidêmica e o grave problema de saúde pública, que tende a piorar ainda mais com a covid-19. Estudos preveem um aumento expressivo do número de quadros ligados ao sofrimento mental pós-pandemia. Em 2000, já se previa que a depressão seria uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo até 2030, mas a pandemia antecipou esse quadro catastrófico.

Um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no ano passado, apontou que 55% dos trabalhadores brasileiros que atuam nos serviços essenciais desenvolveram sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia da covid-19. O efeito da pandemia na saúde individual e na sociedade, na economia e no custo para o sistema de saúde público e privado é enorme, constituindo causa de afastamento de trabalho. Muitas empresas, inclusive, estão adotando programas de prevenção para evitar o aumento do absenteísmo e a queda de produtividade que são muito frequentes nas doenças mentais, exacerbadas neste contexto do novo coronavírus.

E o que fazer diante desse cenário? Mais do que nunca, é fundamental procurar ajuda profissional, entender que nem sempre é possível resolver os problemas sozinho. Especialistas alertam que quadros de ansiedade e depressão podem levar a distúrbios do sono, agressividade, baixo nível de tolerância, abuso de substâncias psicoativas e ideação suicida, além do agravamento de transtornos mentais preexistentes.

É importante que haja uma intervenção por parte de especialistas e campanhas públicas para conscientizar sobre a importância de cuidar da saúde mental. Conversar com familiares e amigos, ainda que por meios digitais neste momento de pandemia, médicos psiquiatras e psicólogos pode ajudar a entender os gatilhos dos quadros de estresse, ansiedade ou depressão.

Mudar hábitos de vida, procurar uma alimentação saudável e equilibrada, fazer atividades físicas, meditação, exercícios de relaxamento, procurar um hobby e manter uma rede socioafetiva são estratégias que ajudam no enfrentamento dos desafios e na busca por uma melhor qualidade de vida. Este deve ser o investimento de todos. A pandemia vai passar. E a sua saúde mental? Como fica?

Atendimento escasso

Os relatos estão diariamente nas redes sociais: tirar a carteira de identidade, no Distrito Federal, tornou-se um verdadeiro calvário. A queixa mais comum é de que demora de 10 dias a até um mês para conseguir o simples agendamento no site da Polícia Civil. Os horários são abertos quatro vezes ao dia (8h30, 10h30, 14h30 e 16h30), só que logo expiram as “vagas disponíveis”. O problema atinge a todos de forma universal, mas a demora provoca ainda mais inquietação em quem precisa de uma segunda via ou em quem acabou de fazer 18 anos e necessita do documento atualizado para prestar vestibular ou conseguir o primeiro emprego.

Outra queixa bastante comum dos brasilienses, neste começo de ano, é com o atendimento prestado em centrais telefônicas vinculadas a serviços públicos. A CEB, recentemente privatizada, é uma delas, por exemplo. O temporal da última terça-feira deixou um rastro de destruição pelo Distrito Federal, o que provocou falta de luz em diversos pontos. E uma reclamação bem comum naquela noite foi a dificuldade (e a demora) em conseguir um atendimento. Tenho a consciência de que foi um dia atípico, com muitos chamados simultâneos, mas aflige a falta de informação sobre previsão de retorno à normalidade e a extensão das áreas atingidas. E era isso que provocava a inquietação em muita gente no Twitter e no Facebook.

A burocracia é uma marca do serviço público no Brasil. Somando-se ao despreparo para a prestação de um bom atendimento ao cidadão e à falta de planejamento tão corriqueira (é bom deixar claro que também ocorre em empresas privadas), a situação, muitas vezes, torna-se insustentável. A pandemia desencadeada pelo novo coronavírus mostrou a necessidade de muitas mudanças na sociedade. E a intensificação do uso da tecnologia foi uma delas. Empresas tiveram que se adaptar em questão de dias. Não seria o caso também do serviço público?

É difícil compreender por que as vagas disponíveis expiram tão rapidamente para tirar ou renovar o RG no Distrito Federal. Escassez de pessoal? Alta demanda? Ineficiência no atendimento eletrônico ou presencial? Ou uma mescla de todos esses problemas? Dar respostas rápidas e garantir um atendimento contínuo e seguro precisam ser o norte do trabalho. Isso é o que a sociedade precisa. E cobra.

Sr. Redator

Cartas ao Sr. Redator devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome e endereço completo, fotocópia de identidade e telefone para contato. E-mail: sredat.df@dabr.com.br

Vacinação
O Editorial do Correio (28/1) comenta que o Brasil é o 12º país no ranking da vacinação contra a covid 19 e chama a atenção para o enorme aumento de gastos da União no combate da pandemia, o que gera um rombo de R$ 700 bilhões. Segundo dados oficiais, foram vacinados 1.275.185 brasileiros. No ranking da vacinação, em primeiro lugar, estão os Estados Unidos, que já vacinaram 23,5 milhões, o que corresponde a 7% da sua população; em seguida, a China, com 15,1 milhões, menos de meio por cento da população, e Reino Unido, com 7,3 milhões de imunizados. Seguem Israel, Itália, Alemanha, Índia, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e Espanha. Entre 193 países filiados à Organização das Nações Unidas (ONU), somos o 12º colocado. Há que se considerar que somos a quinta maior população do mundo e o quinto maior território, o que dificulta muito a campanha de vacinação em massa, principalmente, em razão das distâncias entre os núcleos populacionais e a precariedade da rede viária, excessivamente desgastada pela inércia dos governos anteriores, nas últimas duas décadas. Enfim, 12º lugar, em um universo de 193 países, é sinônimo de sucesso. Quanto ao aumento do gasto público no combate à pandemia, está muito bem empregado, pois receita de impostos é para proporcionar prioritariamente saúde, educação e segurança para a população. A lamentar os desvios criminosos cometidos por alguns governadores e prefeitos de bilhões de recursos financeiros repassados pela União. De um modo geral, apesar dos óbitos, das dores e dos incômodos dos infectados, do desemprego provocado pelos exageros dos lockdowns arbitrariamente impostos por governadores e prefeitos, o Brasil vai vencendo, passo a passo, essa dura guerra contra a covid-19. Estamos entre os 12 melhores.
Cid Lopes, Lago Sul


Leite condensado
Em vez de estarem preocupados com os gastos em leite condensado, sobremesa simples para militares das Forças Armadas, hospitais e universidades públicos, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Associação Contas Abertas deveriam prestar maior atenção para os desmesurados gastos em lagostas e vinhos caríssimos para o Supremo Tribunal Federal (STF), funcionários em demasia e salários absurdos no Judiciário, no Legislativo e no próprio TCU, mordomias para os ex-presidentes, férias de dois meses para membros do Judiciário e do Ministério Público e outros desperdícios. Segundo a revista Exame, somente os gastos com férias de 60 dias do Judiciário e do MP custam R$ 4 bilhões por ano, quantia suficiente para adquirir 800 milhões de latas de leite condensado.
Marcus A. Minervino, Lago Sul


Retratação
Venho aqui, pública e humildemente, pedir desculpas pelo mau juízo que fiz do governo federal nessa história do leite condensado e chicletes. Agradeço a todos que, prontamente, assim como fez o Ministério da Defesa, me enviaram dezenas de mensagens para esclarecer que esse gasto foi destinado aos milhares de soldados a serviço das Forças Armadas em todo o Brasil. Longe de mim querer que nossos bravos e valorosos combatentes fiquem sem suas merecidas sobremesas. Inocentemente, imaginei que, como estamos em guerra contra um vírus, a prioridade seria investir esses e outros recursos em hospitais, vacinas, oxigênio e afins. Como pude ser tão ingênuo? Em tempo, peço escusas também por não ter reconhecido, no devido momento, a importância dos milhões de reais que o governo investiu em cloroquina, medicamento miraculoso que poderia ter salvado milhares de vidas não fosse pela sórdida campanha negacionista perpetrada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela imprensa golpista que domina este país com suas fake news. Fico, agora, no aguardo de que alguém me explique também os gastos com vinhos, frutos do mar, chantilly e alfafa. Gratidão!
Marcelo Guedes, Sudoeste


Insultos
Na semana passada, na esteira da posse de Biden, o New York Times publicou uma extensa lista dos insultos que o ex-presidente postou, desde a sua campanha, na hoje banida conta do Twitter: “The complete list of Trump’s Twitter insult (2015-2021)”. É uma lista imensa, dividida por assuntos e nomes de desafetos, que pode ser consultada cronologicamente ou em ordem alfabética, e é um documento histórico inestimável, não tanto pela espantosa capacidade de um único homem em produzir desaforos, mas pela não menos espantosa paciência do corpo político de os tolerar. Há de se perguntar como um país do tamanho e da grandeza dos Estados Unidos aceitou tanta besteira, tanta estupidez e tanto ódio, mais ou menos como hoje nos indagamos como os romanos toleraram figuras como Calígula, Nero e Domiciano. No momento, a melhor coisa a fazer é aproveitar a sensação de alívio que reina nas redes sociais livres da presença nefasta do ex-presidente. Essa ausência me lembra o momento em que eu era feliz com o silêncio dentro do meu apartamento em Águas Claras, sem os ensurdecedores sons dos escapamentos das motos. Hoje, não há mais silêncio real, nos deparamos com a constância do barulho estrondoso e insuportável dessas motos, por meio de alguns condutores insensatos. No fundo, só estou pensando em voz alta, sonhando com o dia em que as autoridades competentes vão se posicionar e agir com o que determina a lei.
Renato Mendes Prestes, Águas Claras

 

Desabafo

Pode até não mudar a situação, mas altera sua disposição

China avisa que passou a usar testes retais para detectar covid-19. Salve-se quem puder!
José Matias-Pereira — Park Way


Não sabia que almirante e general, assim como brigadeiro, são feitos à base de leite condensado.
Ludovico Ribondi — Noroeste


Ainda prefiro o leite condensado do que chorar pelo leite derramado.
Ivan T. de Pinho e Silva — Águas Claras

Charge

 (crédito: Kleber)
crédito: Kleber
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE