VISÃO DO CORREIO

O Brasil é de todos

''O Brasil deve rumar para o desenvolvimento social e econômico e fazer jus à sua importância como a maior nação latino-americana e nona economia do planeta. A hora é agora''

Definidas as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, é hora de virar a página das disputas e tocar o projeto de país. São muitas as demandas da sociedade, que clama por dias melhores, depois de enfrentar um ano da pandemia do novo coronavírus, de ver a economia se desmanchar, o desemprego disparar e a pobreza explodir. Não há mais espaço para projetos individuais. O Brasil é um só e precisa de todos, independentemente da coloração política.

O governo fez o que pode para sair vitorioso na briga pelo comando do Legislativo. Mas, agora, precisa focar nas medidas que permitirão a retomada da confiança de empresários e investidores, a volta do crescimento econômico, mais empregos e renda. Isso passa pelo destravamento das reformas que levarão ao equilíbrio das contas públicas. Desviar desse caminho, para priorizar a agenda de costumes, será empurrar o país para o precipício.

Felizmente, os discursos da vitória, tanto o novo presidente do Senado quanto o da Câmara assumiram compromissos claros com o ajuste fiscal, sem abrir mão de mecanismos que serão construídos pelo Congresso e pelo governo para socorrer os milhões de brasileiros que mergulharam na miséria. Não há como desempará-los. Tudo, no entanto, exige responsabilidade. De medidas populistas, o país está cheio. É fracasso na certa.

Com o novo desenho do Legislativo, o presidente Jair Bolsonaro terá ao seu lado o Centrão, grupo extremamente fisiológico. Portanto, todos precisam ficar atentos para que desvios não aconteçam. Faz parte do jogo democrático que forças políticas se unam, mas isso não quer dizer sobrepor os interesses pessoais aos coletivos. A conhecida gula dos integrantes do Centrão terá de ser contida para o bem do Brasil. E o governo terá papel central para impor limites aos aliados.

O compromisso maior de todos é com o país e não deve focar apenas 2022. Até lá, há um longo e tortuoso caminho a ser percorrido. A crise sanitária empurrou 14 milhões de brasileiros para o desemprego e 13,5 milhões para a miséria. Da noite para o dia, 68 milhões ficaram sem meios de se sustentar com o fim do auxílio emergencial. A fome grassa em todos os quadrantes do Brasil.

A situação torna-se mais complicada diante do deficit fiscal, que ultrapassou os R$ 700 bilhões em 2020. Especialistas dizem que é possível superar as barreiras, pois a atividade econômica dá sinais de que pode reagir a depender as escolhas que forem feitas. Não se pode esquecer que a segunda onda da pandemia começa a dar as caras e mais de mil brasileiros estão morrendo por dia vítimas da covid-19.

Diante de tanta calamidade, o Congresso deve fazer prevalecer a independência entre os Poderes, como estabelece a Constituição de 1988, o que não significa conflito. O melhor parceiro é aquele que diz o que precisa ser dito, não aquilo que o interlocutor deseja ouvir. Cabe aos novos dirigentes do Legislativo buscar meios políticos para soerguer o Brasil, um país altivo, capaz de responder à altura às necessidades da sociedade brasileira.

Há muito a ser feito para que 2021 não seja mais um ano perdido, como foi 2020. O bom senso e o bem comum devem prevalecer acima de interesses menores, atracados no passado. O Brasil deve rumar para o desenvolvimento social e econômico e fazer jus à sua importância como a maior nação latino-americana e nona economia do planeta. A hora é agora.