OPINIÃO

Questão de bom senso

Correio Braziliense
postado em 14/03/2021 06:00

Por Robério Negreiros — Deputado distrital do PSD/DF, 2º Secretário da CLDF e vice-líder de governo

O dicionário dá ao termo bom senso, sentido descartiano, metódico: por ele se entende que é possível chegar, de forma abstrata, ao conhecimento da realidade. É aplicação perfeita da razão para julgar e raciocinar em cada caso particular da vida e, assim, encontrar solução mais adequada.
Ok. Mas independente do termo, a pergunta recorrente nesses dias de pandemia é: por onde andará o bom senso das pessoas. Parece haver uma histeria conspiratória e xenofóbica que coloca as pessoas em estado de transe e incapazes de um raciocínio linear básico ou até mesmo inaptos para reagir ao sentimento mais primitivo, como o medo da morte.

Nesse debate desvairado, abre-se mão do bom senso e das máscaras que protegem contra o coronavírus. Manifestações contrárias às vacinas e ao isolamento social, muito bem ordenado pelo governador Ibaneis Rocha, ganharam estúpidos ares de normalidade. Enquanto o bom senso some das prateleiras da razão, as UTIs enchem de pessoas tentando sobreviver a falta de ar provocado pela doença e o número de mortes se aproxima a passos largos daqueles vistos apenas em guerras.

O debate político tem de ceder lugar ao espírito humanitário. O Distrito Federal tem expressivos números de vacinações e adotou medidas de socorro às famílias que sofrem os efeitos financeiros da pandemia. Mas os estados vizinhos parecem chafurdados no obscurantismo malsão e infundado e o entorno da nossa capital é um navio à deriva, puxando tudo ao redor para o turbilhão da ignorância que está dizimando vidas.
É um caso novo na história moderna: a morte pela ignomínia. O ultraje vem do exemplo ruim de quem deveria zelar pelas vidas dessa imensa nação. Criticar as ações do GDF é deixar evidente o desprezo total pelo direito à vida, principalmente dos mais vulneráveis, posto que estão obrigados a se espremer em ônibus urbanos lotados, sem a possibilidade de se defender do vírus, tendo de se expor para ganhar a vida. Quem age assim deixa cair a máscara e mostra que governa para salvar apenas os seus, contaminados pelo vírus da mosca azul e da corrupção.

Governantes assim vivem do passado e resgatam de lá a falta de bom senso. Parece que vivemos de novo a revolta da vacina, quando políticos, militares de oposição e parte população se opuseram à vacina, no início dos anos 1900, preferindo a morte pela varíola e pela peste. Foram contrários a campanha de saneamento e de higiene impostas pelo combate àquela epidemia.

Pensando bem, será que a verdadeira pandemia não será falta de bom senso, ressuscitada de tempos em tempos pelo populismo? É verdade que o impacto da pandemia de coronavírus na economia brasileira é expressivo. As perdas financeiras também são um problema socioeconômico sério e mais um fator de risco para os sintomas de distúrbios psicológicos. Mas mesmo diante da vulnerabilidade social que a pandemia tem gerado, jamais podemos perder o foco no bom senso. O isolamento social, o uso de máscaras, a vacinação são pontos chave para o enfrentamento à covid 19. Antes de tudo, é preciso salvar a vida das pessoas, o maior bem jurídico tutelado pelo Estado, as consequências (...) bem, esse é um debate urgente e que deve ser feito paralelo as ações de combate ao vírus, mas o bom senso deve prevalecer sempre: vida primeiro, o resto vai se acertando se o governo fizer a sua parte, com muito bom senso.

Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação