OPINIÃO

Artigo: Verdade acima de tudo

Rodrigo Craveiro
postado em 07/04/2021 06:00

Nunca antes a sociedade foi tão bombardeada pelas fake news. No WhatsApp, notícias falaciosas se reproduzem com virulência, quase sempre apostando em um título chamativo ou bombástico. Nunca antes inverdades propagadas a torto e a direito colocaram tantas vidas em risco. Se o jornalismo sempre foi considerado essencial, o que dirá em tempos de epidemia e na obscuridade da ameaça à democracia? Hoje, 7 de abril, comemora-se o Dia do Jornalista. É dia de primar pela verdade. Dia de valorizar o trabalho incansável de profissionais que batalham pela apuração dos fatos. Nas trincheiras das guerras, nas ruas da indiferença social, nos meandros do poder jogado à sarjeta da corrupção, nas denúncias das mazelas e das injustiças.

Uma nação sem jornalismo se torna refém do Estado. Está fadada à tirania. Durante a ditadura, tentaram calar e matar a imprensa. Não conseguiram. É essencial o trabalho da mídia para garantir a estabilidade da democracia. Um dos pilares do Estado de direito, é a imprensa quem faz o papel de fiscalizar os Poderes e denunciar malfeitos. Não fosse a imprensa, escândalos de corrupção jamais seriam trazidos à tona, e a impunidade reinaria absoluta. Desprezar o trabalho do jornalista equivale a caminhar pelas searas da mentira e dar brecha para injustiças.

Informação também é poder. E o povo a detém por meio da imprensa. Ela lhe fornece o termômetro de como os gestores públicos conduzem uma nação, especialmente em tempos de crise. Com base nesses dados, o cidadão obtém subsídios para exercer o sagrado direito do voto de forma consciente e sensata. Ao disseminar a ciência, em época de pandemia e de terraplanismo, a imprensa salva vidas, alerta sobre tratamentos ineficazes e fornece conhecimento de base empírica. A imprensa pode precipitar o fim das guerras — aconteceu no Vietnã —, divulgar genocídios e exigir o máximo rigor da Justiça.

Neste 7 de abril, rendo homenagens a tantos colegas que se arriscam para informar. Também presto um tributo aos repórteres mortos nos calabouços da ditadura, nos campos de batalha, nas mãos de terroristas e de algozes que temem a imprensa. Hoje é dia de reconhecer e valorizar o trabalho jornalístico, tão espezinhado nessa época sombria. É preciso sempre que a sociedade tenha compromisso com os fatos. A verdade, sempre. Acima de tudo e de todos.

 

 

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