Visão do Correio

Visão do Correio: Fique em casa no feriado

Com o colapso na rede de saúde pública e privada — com a falta de leitos nas UTIs e sem medicamentos para intubação —, o temor é de que as pessoas aproveitem o recesso para viajar para praias, sítios, cachoeiras ou promovam aglomerações em festas e almoços de famílias e grupos de amigos

No momento em que a pandemia da covid-19 recrudesce com força total no Brasil, que já conta mais de 320 mil mortos e mais de 12,7 milhões de infectados, o feriado da Semana Santa que começa hoje é motivo de preocupação em todo o país. Com o colapso na rede de saúde pública e privada — com a falta de leitos nas UTIs e sem medicamentos para intubação —, o temor é de que as pessoas aproveitem o recesso para viajar para praias, sítios, cachoeiras ou promovam aglomerações em festas e almoços de famílias e grupos de amigos.

São Paulo, capital, e o estado do Rio de Janeiro decretaram, desde o último dia 26, um superferiado que vai até o domingo de Páscoa, e já foram flagrados aglomerações e desrespeito às regras de distanciamento. Em Minas Gerais, a Assembleia Legislativa e o governo do estado recuaram da implementação de um feriado prolongado que iria até quarta-feira, dia 7, na tentativa de conter o avanço do novo coronavírus.

O alerta de especialistas da área de saúde é de que a folga prolongada poderia aumentar a disseminação da covid-19, fato que ocorreu nas festas de fim de ano e no carnaval, explicando a explosão de novos casos de contaminação e mortes pelo vírus, especialmente entre jovens. Professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o infectologista Unaí Tupinambás defende que a saída é o lockdown e justifica que, ao antecipar um feriado, a ideia que se passa para as pessoas é a de aproveitar o feriado e viajar para a praia, hotel-fazenda, cachoeiras ou visitar parentes no interior.

Na última terça-feira, inclusive, o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte divulgou uma carta aberta ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, pedindo a instauração de um lockdown na cidade com regras mais duras, incluindo paralisação total do transporte coletivo, ampliação do toque de recolher e fechamento das indústrias para evitar uma tragédia com proporções ainda maiores.

Diante deste cenário de crescimento da pandemia, o momento não é para viajar e aproveitar o feriado. Muito menos de se reunir com familiares que não moram na mesma casa para o tradicional almoço de Páscoa ou grupos de amigos em sítios para um churrasco. É fundamental que a população tenha consciência dos riscos que o descumprimento das regras de distanciamento social impõem.

A vacinação no país ainda caminha a passos lentos e não há outra forma de impedir o avanço da pandemia da covid-19 que não passe pelo isolamento social, uso de máscaras cobrindo o nariz e a boca e a higienização correta das mãos. Mesmo quem já foi vacinado ou teve o vírus e tem anticorpos para a doença precisa manter as regras de distanciamento neste momento, até porque a imunização não garante a transmissão nem a infecção por novas cepas.

Cuidar de si e dos outros. Essa responsabilidade é de cada um. Se as pessoas fizerem a sua parte, mantendo o isolamento social, é possível reverter as taxas de crescimento da covid-19. Caso contrário, como preveem especialistas da área de saúde, vamos continuar perdendo vidas sem sequer poder fazer uma última despedida de um ente querido. Adiar encontros e aproveitar o feriado em casa é a única saída para diminuir os casos de contaminação e mortes pelo novo coronavírus. Por você e pelos outros: fique em casa.

Sr. Redator

Cartas ao Sr. Redator devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome e endereço completo, fotocópia de identidade e telefone para contato. E-mail: sredat.df@dabr.com.br

Bolsonaro
A pergunta que não quer calar: Destituição ou golpe? os recentes acontecimentos colocam o presidente Jair Bolsonaro na berlinda. A possibilidade de golpe está longe de acontecer, quando as Forças Armadas o repudiam. Resta a destituição, a qual, quem sabe, não será influenciada pelos próprios militares. O Congresso talvez se sensibilize com a postura dos defensores da pátria, os quais se mostram coesos em defesa da Constituição. 31 de março marca uma fase triste da história do país.
Enedino Corrêa da Silva, SQS 107


» Ao ler sobre o assunto na Revista do Correio de domingo, lembrei-me de apenas uma pessoa que se enquadra totalmente em todos os tópicos ali mencionados: nosso presidente da República, Jair Bolsonaro. Sem maiores comentários, pois o que está ali contido o descreve com toda a segurança.
Joanir Serafim Weirich, Asa Sul


Críticas
Quando Pazuelo se manifestou aos jornalistas e à nação (11 de janeiro) sobre o dia D e a hora H das entregas de vacinas, gerou-se uma repercussão cômica sobre o assunto. Dias depois, o grande jornalista Alexandre Garcia, neste mesmo Correio Brasiliense, tentou explicar melhor o que o ministro queria dizer com dia D e hora H. Foi risível e muito triste ver um grande jornalista tentar explicar o inexplicável. Na edição da última quarta-feira, ele voltou a explicar a atitude imponderável do Palácio do Planalto na substituição de um punhado de ministros, argumentando que houve um “Ajuste de Coalizão”. Com todo respeito, Alexandre, no meu dicionário e no de grande parte das pessoas razoavelmente bem-informadas, houve uma ruptura de um general que não engoliu o “um manda, o outro obedece” e, no caso da ministra Flávia Arruda, é um dos muitos sapos cascudos que o presidente vai ter que engolir. O que você chama de ajuste eu chamo de “toma lá dá cá”. Você, como grande jornalista, pode até usar uma camisa, mas nunca vestir uma camisa, no sentido lato da frase, tomar partido absurdamente escancarado. Eu, que não sou jornalista, usei a camisa do Lula até o dia que fedeu, aí pulei fora, usei a do Bolsonaro no segundo turno. Fedeu também, tô fora, aguardando uma terceira via com pessoas probas, nenhuma com camisa fedida, que vá respeitar o povo de verdade, não vai me chamar de maricas e nem mandar eu pedir vacina à minha mãe. Acho que não deixou de ser o grande jornalista que é, precisa somente acordar e não querer tapar o sol com peneira, o discurso que elegeu Bolsonaro ficou lá atrás, vamos acreditar que apareça uma camisa mais limpa.
Valter Eleutério da Silva, Taguatinga


Lockdown
Se o nobre defensor público Alexandre Cabral tivesse suspensos os seus vencimentos, rápido, rapidinho, ele mudaria de opinião sobre a reabertura do comércio. O dele está garantido, à custa daqueles que estão fechando suas empresas, sofrendo prejuízos incalculáveis, perdendo empregos, passando fome etc. É muito “nobre” ficar em casa... e continuar recebendo seus gordos vencimentos.
Joares Antônio Caovilla, Asa Norte


Primeiro de abril
Deve ser primeiro de abril. Um soldado, que ocupa o maior cargo em todas as Forças Armadas, perde tempo e energia para louvar o golpe de 31 de março no mesmo dia em que o Brasil bate o recorde de mortos pela covid e de estupidez do governo federal. Defender a tortura, o assassinato e a censura, entre outros crimes, não deveria ser coisa de um militar. Mas com certeza é coisa de milico.
Ludovico Ribondi, Setor Noroeste


Encenação
Não tem jeito, não há vacina nem remédio. O presidente insiste em sabotar as recomendações da ciência, da saúde e, principalmente, as orientações do Ministério da Saúde. Ficou, como sabíamos, no plano da encenação, a reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, da qual saiu o compromisso do governo com a criação de um comitê para enfrentamento da crise sanitária. São revoltantes o descaso do presidente com a tragédia e o seu comportamento como aliado da morte. Enquanto o ministro Queiroga e os parlamentares apelam à população para que mantenha distanciamento social, o presidente incita os brasileiros à insurgência contra a lógica da ciência, quer “vida normal”, com quase 4 mil óbitos por dia, para salvar a economia. A economia foi pro beleléu e lá permanecerá, pois os trabalhadores foram a óbito ou estão morrendo na porta dos hospitais sem leitos, sem remédios. A política econômica do Posto Ipiranga é um fracasso, com ou sem pandemia. Mas o negacionista-mor insiste em promover aglomerações, dar declarações estapafúrdias e criar crises políticas para criar cortina de fumaça, a fim de escamotear sua inoperância, insensibilidade e incompetência para lidar com a maior crise sanitária em 100 anos. O presidente pedala, de forma acelerada, contra a vida e ainda há gente que diz que não há clima para o seu impeachment.
Wilson Cosme, Asa Sul

Desabafo

Pode até não mudar a situação, mas altera sua disposição

Trezentos e vinte mil mortos e o Palácio do Planalto não quis se pronunciar...
Vital Ramos de Vasconcelos Júnior — Jardim Botânico


Não merecemos que uma pessoa que agride alguém, assuma a vaga de suplente de deputado federal. A lei precisa ser mudada. Vergonhoso issosebastiao!
Machado Aragão – Asa Sul


No Brasil, quando não se quer resolver uma coisa, cria-se uma “comissão”. Precisamos de vacina e, agora, foi criada a “comissão do covid”.
José Eustáquio dos Reis - Asa Sul


China confina cidade na fronteira com Mianmar por temor de covid-19. Tempos difíceis.
José Matias-Pereira – Park Way

 

 

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