OPINIÃO

Artigo: Música com sotaque

Irlam Rocha Lima
postado em 04/05/2021 06:00

Ao longo dos anos, Brasília, como boa anfitriã, vem acolhendo brasileiros de diferentes regiões, ligados às mais diversas áreas de atuação. Muitos desses migrantes, integrados à nova realidade, têm contribuído para um desenvolvimento ainda maior da capital federal em segmentos específicos. No da música, por exemplo, tornou-se relevante a atuação de agentes culturais que, aqui, fundaram escolas, criaram grupos e desenvolveram trabalhos reconhecidos nacional e internacionalmente.

O maestro Levino de Alcântara, pernambucano de Recife, deixou como legado a Escola de Música de Brasília (EMB), fundada por ele em 1974, responsável, desde então, pela formação de renomados instrumentistas. Cinco anos depois, outro maestro, o amazonense Cláudio Santoro, criou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, orgulho dos brasilienses. Aliás, com inteira justiça, o nome dele foi dado a este que é um dos monumentos arquitetônicos da cidade.

Louvor deve ser atribuído também ao baiano Henrique Santos Filho, o Reco do Bandolim, um dos fundadores e, há alguns anos, presidente do Clube do Choro, referência nacional e internacional do gênero e detentor do título de patrimônio imaterial da cultura do DF. Sob o comando dele, a instituição cresceu e, desde 1998, passou a contar com a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, outro importante centro formador de músicos.

Vindo de Goiás, o guitarrista e violonista Sebastião Rodrigues, o Tiãozinho, criou o mais antigo e festejado conjunto de baile da capital, que, desde a década de 1970, anima festas variadas em clubes, casas noturnas e eventos corporativos. Já tocou no Copacabana Palace, tradicional e requintado hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Minas Gerais é o estado de origem de Renato Vasconcellos, consagrado pianista de formação jazzística, que liderou alguns grupos instrumentais nos anos 1970/1980, e é autor de Suíte Brasília, um clássico da música candanga. Atualmente, ele atua na formação de novos profissionais, enquanto mestre do Departamento de Música da UnB. Já os cariocas Jaime Ernest Dias e Paulo André Tavares destacaram-se como professores da Escola de Música e criadores da Orquestra de Violões de Brasília.

Clodo, Climério e Clésio Ferreira trouxeram o sotaque e elementos da cultura piauiense para a música brasiliense. Os três criaram um coletivo musical, responsável por canções registradas em três discos que lançaram e outras gravadas por nomes consagrados da MPB, entre os quais, Nara Leão, Simone, Fagner, Ednardo, Dominguinhos e o MPB-4. Climério e Clodo também pertenceram ao quadro docente da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. No currículo do curso de jornalismo, Clodo incluiu a disciplina comunicação e música voltada para a história da MPB.

Natural do sertão da Bahia, Walmar Montenegro,o Baianinho, não toca nenhum instrumento, nunca compôs uma canção e não canta nem debaixo do chuveiro. Entra neste texto porque, além de ser figurinha carimbada da cidade, é leitor assíduo e atento do Correio!

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