Visão do Correio

Baixa adesão à vacina da gripe

Mais que nunca, defender e cobrar a vacinação contra gripe e covid-19 é crucial para reverter esse quadro

Correio Braziliense
postado em 21/05/2021 06:00

A proximidade do inverno no Brasil acende o alerta para o aumento dos casos de gripe diante de um cenário marcado pela pandemia de covid-19, que vem sobrecarregando o sistema público e privado de saúde no país. Para evitar as doenças respiratórias que, muitas vezes, evoluem para quadros graves e fatais, a campanha nacional de vacinação contra o vírus influenza este ano começou em 12 de abril e segue até 9 de julho com o objetivo de vacinar pelo menos 90% dos grupos elegíveis, o que representa mais de 79 milhões de pessoas. Mas, até o momento, a adesão é muito baixa.


Dividida em três etapas, a primeira, voltada para crianças de seis meses a 6 anos, povos indígenas, trabalhadores da área da saúde, gestantes e puérperas, teve apenas 25% de adesão. Foram aplicadas 6,9 milhões das 27,3 milhões de doses distribuídas no país, segundo o Ministério da Saúde.


A segunda etapa, voltada aos idosos com mais de 60 anos e professores, começou dia 11 de maio e segue até 8 de junho, com a expectativa de vacinar 33 milhões de pessoas. A terceira e última etapa na rede pública começa em 9 de junho, incluindo forças de segurança, pessoas com comorbidades, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário, entre outros.


Em Belo Horizonte, cerca de 143 mil pessoas se vacinaram até agora contra a gripe, o que representa apenas 22% do atual grupo contemplado, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde. A meta é imunizar 90% do público-alvo. Se a vacina contra a gripe é defendida por especialistas da área de saúde, com a pandemia do novo coronavírus, a sua importância é reforçada. Isso porque alguns dos sintomas, como tosse, febre e dor no corpo, podem ser facilmente confundidos com os da covid-19.


Tanto a gripe quanto o novo coronavírus são infecções respiratórias e têm quadros muito parecidos no início, podendo confundir o diagnóstico. Com a imunização, ocorre redução nas complicações por gripe e, consequentemente, no número de internações. Se a pessoa chegar com sintomas ao hospital e tiver sido vacinada contra a influenza, o atendimento será imediatamente voltado para a possibilidade de covid-19.
Os principais sintomas da gripe são febre alta, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. O vírus influenza circula no Brasil com mais intensidade no inverno e pode provocar a síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Segundo o Ministério da Saúde, em 2020, foram notificadas 2.150 hospitalizações por SRAG no país.


A campanha de vacinação contra gripe ocorre em meio à vacinação contra covid-19. Em função disso, o Ministério da Saúde indica um intervalo de 14 dias entre a aplicação dos dois imunizantes. Mas, como essas doenças podem evoluir para quadros graves, é fundamental que, sendo possível, as pessoas tomem as duas vacinas.


Neste cenário trágico de pandemia de covid-19, quando já morreram mais de 440 mil pessoas no Brasil, é fundamental intensificar as campanhas de adesão ao esquema vacinal. Imunizar grande parte da população contra a gripe vai trazer impacto positivo para a saúde pública diante da sobrecarga em hospitais e centros de saúde por conta do novo coronavírus. Mais que nunca, defender e cobrar a vacinação contra gripe e covid-19 é crucial para reverter esse quadro.

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