>> Sr. Redator

Deselegância

Em um momento deselegante da CPI da Pandemia, o senador Omar Aziz questionou o modo como o ex-ministro Nelson Teich estava respondendo às perguntas da Comissão. Teich, que é médico, mandou bem ao responder a Aziz e à Comissão que não é do meio jurídico para opinar se houve ou não houve crime na prescrição de determinados medicamentos contra covid-19. Teich foi ponderado ao afirmar que não teve acesso a prontuários médicos para opinar sobre casos específicos. Em alguns momentos, contudo, ficou parecendo que a CPI pretendesse fazer julgamento à conduta do depoente ou de outros políticos. Vale lembrar que a missão de uma CPI não é a de julgar, mas a de apurar fatos específicos que demandem esclarecimentos.
» Marcos Paulino,
Águas Claras


CPI da Covid

Os depoimentos de dois ministros da Saúde — diga-se, os dois melhores do atual até agora — não deixam dúvidas sobre a intromissão indevida e nociva do inquilino do Palácio do Planalto na condução da crise sanitária. Mesmo com 411 mil óbitos, até esta quarta-feira, o negacionismo dentro do governo prepondera. Para piorar, o presidente insinua que o vírus foi uma criação de laboratório chinês, como arma biológica. Ora! Qual o sentido de tão estapafúrdia ilação? Reabrir conflitos diplomáticos com o país fornecedor de insumos para as vacinas contra o coronavírus, quando não temos nem 20% da população imunizada? Seria esse objetivo perverso do presidente? Sim, pois sem os insumos tanto o Butantan quanto a Fiocruz serão obrigados a parar de produzir vacinas e deixar 80% da população sem imunização. Muitas nações fecharam suas fronteiras aos brasileiros. Sabem que o nosso país se tornou um covidário, devido ao surgimento de diferentes variantes muito mais agressivas. O Congresso, seja por meio da CPI, seja por meio dos pedidos de impedimento engavetados na Câmara, precisa dar um basta à situação. Ou está esperando chegarmos a 1 milhão de mortos para identificarem que a causa da tragédia está no outro lado da Praça dos Três Poderes, de frente para o parlamento.
» Isadora Costa,
Águas Claras


Isenção

É de difícil compreensão para nós, simples mortais, o fato de termos na presidência da CPI da Covid-19 um senador que já teve sua esposa, três irmãos e inúmeros comparsas, levados no camburão, presos pelo Japonês da Federal por desvios de recursos da saúde no Amazonas. Se não bastasse tudo isso, temos ainda, na relatoria da Comissão, um outro senador investigado e com mais de uma dezena de processos no Supremo Tribunal Federal (STF) e pai de um governador suspeito. Um juiz, ao se declarar impedido ou em situação de suspeição para julgar, está cumprindo seu dever legal de preservar um princípio de imparcialidade de um julgador. Com todo o respeito a esses senadores, representantes de milhares de brasileiros, como poderemos esperar isenção desses senhores?
» Elias Honorio da Silva,
Águas Claras


Títulos de guerra

Cabo Junior do Amaral, capitão Wagner, capitão Augusto, major Vitor Hugo, coronel Tadeu, coronel Chrisóstomo... A lista é longa. Não é que o Brasil tenha declarado guerra a um vizinho e essa seria a chamada dos convocados para a nobre missão. A lista é de deputados federais da Câmara dos Deputados e prossegue com o sargento Fahur, subtenente Gonzaga, capitão Alberto Neto, capitão Fábio Abreu, major Fabiana, coronel Armando. Somados militares e policiais, temos 19 deputados que se elegeram para a atual legislatura ostentando a patente ou o título na Polícia Civil. Há o time dos delegados: delegado Antônio Furtado, delegado Éder Mauro, delegado Marcelo Freitas, delegado Pablo, delegado Waldir. Há a policial Katia Sastre. E há a apoteose do pastor sargento Isidório, que casa o título militar ao religioso, e, assim, soma as duas atividades de maior prestígio no planeta bolsonarista. Nessa conta só entram os deputados que se elegeram e exercem o mandato, com o título acoplado ao nome. Pode haver na Câmara militares e policiais que não o ostentam. O próprio Bolsonaro não se apresentava como “Capitão Bolsonaro”, assim como, no passado, Getúlio Vargas não se inscreveu em listas eleitorais com o título de sargento a que fez jus em sua breve carreira militar, nem Juarez Távora ou Juracy Magalhães se inscreveram como generais. No Senado, os que se apresentam como militares ou policiais são apenas três: capitão Styvenson, delegado Alessandro Vieira, delegado Fabiano Contarato. Apresentar-se com o título militar ou policial não é um ato inocente. É propaganda enganosa. Ilude o eleitor ao chamar atenção para uma função que não é mais exercida pelo candidato. Em segundo lugar, e mais importante, ameaça simbolicamente essa característica fundadora da democracia, que é a predominância do poder civil. A arte da política, base da democracia, foi inventada para dirimir conflitos de outra forma que não armada. Desrespeita a democracia e promove a deseducação cívica, que entra na arena política brandindo títulos de guerra.
» Renato Mendes Prestes,
Águas Claras