OPINIÃO

Artigo: Famílias musicais

Irlam Rocha Lima
postado em 22/06/2021 06:00

Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina, Rita Lee, João Nogueira, Nando Reis são alguns nomes estelares da MPB cujo ofício foi seguido pelos filhos. Em Brasília há também vários exemplos de pais ligados à música que se tornaram referência para os descendentes na hora da escolha dessa manifestação artística como profissão.

A árvore genealógica de tronco mais vicejante da música na capital tem como representante Ricardo Vasconcellos, ex-integrante do naipe de cordas da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, que hoje se dedica ao jazz. Seus três rebentos, o baixista André, o violonista Marcos e o cavaquinista Pedro são destacados instrumentistas, com trabalhos elogiados, inclusive fora dos limites do Distrito Federal.

Talentoso compositor de canções, Clodo Ferreira é um pai-coruja do violonista João, que toca na banda de reggae Natiruts; e do percussionista e cantor Pedro, líder de trio de forró. Coautor de Revelação (um dos maiores sucessos de Fagner), ele não abre mão da companhia dos dois em shows que costuma fazer. Quando não está em turnê pelo país com a banda Raimundos, o vocalista e guitarrista Digão se apresenta em casas noturnas da cidade, quase sempre tendo ao seu lado o filho e pianista Ricardo Campos, que se divide entre o rock psicodélico e a música clássica.

Estrela de espetáculos operísticos, Janette Dornellas ficou feliz quando percebeu que Sophia, uma das filhas, tomando-a como exemplo, havia seguido a carreira de cantora lírica. Irmã de roqueiro (que tinha Cassia Eller como melhor amiga), deu total apoio a Bruna Torre, a outra filha, quando ela decidiu tornar-se vocalista da banda Mirante. Já Kátia Pinheiro, ex-spalla da Orquestra Sinfônica e atualmente líder de um grupo de música de câmara, fala com entusiasmo das herdeiras artísticas, a violinista internacional Flávia e a harpista Nathália, que brilham em formações diversas no Rio de Janeiro.

Líder do conjunto regional Choro Livre, Henrique Santos Filho, o Reco do Bandolim (presidente do Clube de Choro de Brasília) foi responsável direto por Henrique Neto, o caçula da família, tornar-se um virtuoso violonista, além de demonstrar competência como diretor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. O também violonista (além de mestre do instrumento) Fernando César, que no início da trajetória artística formou com o irmão Hamilton de Holanda o grupo Dois de Ouro, orientou o primogênito Bento Tibúrcio, ao vê-lo despertar interesse pela música. Hoje, orgulha-se do talento precoce do pré-adolescente, que chama a atenção como contrabaixista acústico. Os dois, inclusive, já dividiram palco e gravação.

Pais e filhos que têm a música como ganha-pão vivem situação idêntica no momento, determinada pela pandemia da covid-19. Sem trabalho e desassistidos, em função do descaso com que a arte e cultura vêm sendo tratada no país atualmente, vários deles estão recorrendo a outras atividades para se manterem, minimamente, de forma digna.

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