Desde 1960

Visto, lido e ouvido — Os rastros das lições que a pandemia deixou

Circe Cunha
postado em 13/08/2021 06:00

Depois da pandemia que assolou a educação no país, todo o processo de recuperação levará tempo. Mais tempo do que o despendido num processo normal de ensino sem interrupções bruscas e prolongadas. Ou seja, para cada ano sem escola, é necessário pelo menos o dobro do tempo para recuperar, atualizar e reinserir o aluno no curso normal de aprendizagem. A desmotivação e o abandono da escola são o que os especialistas preveem com o fim da pandemia. O horizonte que era de preocupação, agora, vai se transformando em caos completo.

A falta de renda das famílias tem obrigado que essas crianças sem escola entrem para o mercado informal de trabalho. Algumas delas para a criminalidade. Fazer com que essas crianças regressem para a escola é uma tarefa quase impossível, dizem os educadores. O tempo perdido em educação é, praticamente, irremediável. São cidadãos que terão pela frente poucas perspectivas, como baixos salários, más condições de vida, mais oportunidades para entrarem para o mundo do crime, mais doenças, mais desajustes sociais e engrossarão as periferias perigosas das grandes cidades, intensificando os casos de violência tão presentes em nossas metrópoles.

Aqui em Brasília, quem se der ao trabalho de percorrer algumas dessas áreas periféricas da capital, como Sol Nascente e outras, notará que as ruas nessas localidades estão constantemente tomadas de crianças e de adolescentes que perambulam sem destino durante todo o dia e parte da noite também. O que esperar de uma situação como essa no futuro se não há projetos para reverter essa situação?

O nosso apagão como nação perante o mundo, notado nos últimos anos em decorrência da decadência paulatina que tomou conta da escola pública, parece agora se transformar num alerta e numa ameaça para o mundo civilizado. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) tem alertado para os efeitos negativos que o fechamento prolongado das escolas trará para o país. Alguns deles são: aprendizagem interrompida, má nutrição, confusão e estresse para professores, pais despreparados para a educação a distância, lacunas nos cuidados com as crianças, aumento do custo econômico, pressão não intencional no sistema de saúde, maior pressão sobre as escolas que permanecem abertas, aumento de

taxa de abandono escolar, maior exposição à violência e exploração e isolamento social.
O nosso apagão como nação perante o mundo, notado nos últimos anos em decorrência da decadência paulatina que tomou conta de nossa escola pública, parece agora se transformar num alerta e numa ameaça para o mundo civilizado. A Unesco calcula que o prejuízo desse fechamento das instituições educacionais públicas durante a pandemia poderá se estender por até quinze anos. Nesse período, os impactos se farão sentir de forma evidente até no Produto Interno Bruto (PIB), sendo possível que influenciem negativamente a economia pelo menos até 2038.

Escolas fechadas hoje significam, segundo a Unesco, um país mais pobre no futuro. É preciso lembrar que somente com a evasão escolar, um fenômeno anterior à pandemia, o Brasil perdia cerca de R$ 214 bilhões ao ano. Com a pandemia, esses números poderão chegar próximos a R$ 1,5 trilhão em prejuízos.

Num país que caminha a passos largos para um envelhecimento precoce da população, a situação poderá chegar a um perigoso patamar por volta de 2060, quando um em cada quatro brasileiros terá 65 anos ou mais, sendo necessário que para cada um deles haja, pelo menos, um jovem em idade produtiva para custear o sistema de seguridade. Num mundo onde o referencial de riqueza, há muito, passou a ser a escolaridade da população e seu grau de eficiência técnica e científica, resta saber que papel caberá ao Brasil nesse contexto.


A frase que foi pronunciada
“Brigar por política no atual cenário é o mesmo que ter uma crise de ciúmes na zona!”
Carregado por Jüh Nascimentto, no Instagram


Boas novas
» Em todo o Brasil, o número de pessoas internadas por covid em UTIs diminui consideravelmente.

Depende
» Para quem está de fora do Departamento Penitenciário Nacional, parece fácil acabar com o acesso de internos a celulares. Se as famílias são revistadas, os advogados também deveriam ser. Mas se não são revistados e cometem o ilícito de entregar celular para o preso, nada que uma antena bloqueadora de sinais não resolva.

Golpes
» Por falar em penitenciária, veja no Blog do Ari Cunha a cartilha elaborada pelo Ministério Público de Pernambuco com dicas para prevenção a golpes virtuais e presenciais.

História de Brasília
O dr. Afrânio Barbosa da Silva passou quase o dia inteiro na usina, e tem dado à obra o espírito de Brasília.
(Publicada em 7/2/1962)

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